Movimento Passe Livre, que liderou megaprotestos em 2013, marcou manifestação em São Paulo nesta sexta-feira.

BBC

A depredação de agências bancárias e bens públicos "não tem comparação" com o uso de bombas e balas de borracha pela polícia militar, segundo a liderança do Movimento Passe Livre (MPL).

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O MPL, que liderou os megaprotestos contra o aumento nas tarifas de transportes públicos em 2013, convocou para esta sexta-feira (9) novos protestos em várias cidades do país contra os aumentos nas tarifas anunciado nos últimos dias.

Questionado sobre a presença de mascarados adeptos da tática black bloc e sobre o risco de atos violentos nos protestos marcados para esta semana, o movimento desconversa e diz que "todos que quiserem lutar contra os aumentos nas passagens são bem-vindos".

"É histórico que as pessoas com ânimos à flor da pele acabem quebrando coisas", diz a estudante de Letras Andreza Delgado, militante do MPL. "O Passe Livre nunca vai querer o papel de dono da luta."

Ela faz referência aos fotógrafos Alex Silveira e Sérgio Silva, que perderam parte da visão após levarem tiros de bala de borracha durante protestos de rua. "Bancos não podem valer mais que os olhos de alguém", alega Delgado.

Em junho de 2013 e nos meses que antecederam à Copa do Mundo, agências, redes de fast-food, edifícios públicos e viaturas foram depredados durante manifestações inicialmente pacíficas.

Para a polícia, os Black Blocs seriam um grupo coeso e articulado, a ponto de enviar integrantes para outros Estados para promover protestos violentos.

Protestos

Procurada, a prefeitura de São Paulo, onde deve acontecer o maior dos protestos programados pelo grupo, preferiu não se pronunciar.

Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e a capital paulista terão protestos contra os aumentos das passagens de trens e ônibus nesta sexta-feira.

Outras manifestações em cidades como Guarulhos (SP), Praia Grande (SP), Santo André (SP), Florianópolis (SC), São Bernardo do Campo (SP), Niterói (RJ) e Osasco (SP) estão marcadas até o fim do mês.

Relembre os protestos de 2013

O movimento diz não ter ideia da dimensão que os atos deste ano tomarão. "Não existe uma receita para dar certo. Quem vai dizer que vamos conseguir barrar o aumento ou não vai ser a população."

Na quinta-feira, catracas e cabines de venda de bilhetes foram quebradas e incendiadas nas estações de trens USP Leste e Comendador Ermelino, zona leste de São Paulo. A justificativa seria o atraso dos trens, por conta de fortes chuvas, e o aumento das tarifas.

Isolamento

Em reunião de definição estratégica, a Policia Militar de São Paulo decidiu adotar a "técnica de envelopamento para manter a segurança do ato".

A exemplo do que já ocorreu durante a Copa do Mundo, os manifestantes serão cercados por cordões de policiais, com o objetivo de conter a movimentação dos atos pela cidade e possíveis distúrbios no trânsito.

Os presentes serão revistados pelos oficiais - o objetivo é recolher armas, combustíveis e material inflamável. Segundo a polícia, membros do MPL foram convidados a participar da reunião, mas não responderam ao chamado.

Pelo menos 800 policiais serão deslocados para a região do Vale do Anhangabaú, onde o primeiro ato paulistano será realizado. Helicópteros farão a vigilância pelo ar, enquanto câmeras de monitoramento controlarão a movimentação em terra.

Segundo o MPL, o trajeto da passeata será definido coletivamente, em assembleia, a partir das 17h desta sexta-feira. A marcha deve começar uma hora depois.

Aumentos

Em São Paulo, o valor dos bilhetes saltou de R$ 3 para R$ 3,50 nesta terça-feira (6). No Rio, as passagens de ônibus subiram de R$ 3 para R$ 3,40.

Como resposta, o MPL voltou a articular manifestações por meio das redes sociais, como fez há um ano e meio.

Nesta semana, o movimento disse à BBC Brasil que pretende priorizar "atividades de formação", como aulas públicas e debates, no lugar de protestos pelas cidades. O MPL também revelou que, diferentemente de junho de 2013, deve concentrar suas iniciativas em regiões periféricas.

Com isso, a internet teria papel menos importante na atuação do grupo. "Na internet a gente não consegue travar um diálogo mais profundo", diz a porta-voz.

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