"É preciso diminuir o lucro dos empresários", diz ex-secretário em ato do MPL

Por Ana Flávia Oliveira , iG São Paulo | - Atualizada às

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Convocada às vésperas do primeiro protesto do grupo que protagonizou atos em 2013, aula pública contou com participação de secretário que fez pesquisas sobre tarifa zero

O Movimento Passe Livre (MPL) realizou, na tarde desta segunda (5), no Vale do Anhagabau, próximo ao prédio da Prefeitura de São Paulo, na região central, na uma aula pública para discutir o aumento das tarifas do transporte público na cidade. Cerca de 350 pessoas compareceram, segundo a Polícia Militar. O ato pacífico durou uma hora.

Relembre os atos de junho de 2013 que derrubaram o aumento das tarifas:

03/06 - O ponto inicial das manifestações foi um protesto contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, na zona sul. Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura Press06/06 - O primeiro ato se estendeu para um protesto com mais manifestantes, no centro da capital paulista. Foto: Tércio Teixeira/Futura Press06/06 - O confronto com a polícia em São Paulo acirrou os ânimos nas manifestações. Foto: Tércio Teixeira/Futura Press06/06 - O protesto contra o aumento das passagens deixou em lados opostos os manifestantes e as forças policiais. Foto: Tércio Teixeira/Futura Press06/06 - E foi a partir deste dia que as manifestações ganhariam força e apoio de cada vez mais gente. Foto: Tércio Teixeira/Futura Press06/06 - São Paulo. Foto: Tércio Teixeira/Futura Press07/06 - São Paulo. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press07/06 - São Paulo. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press07/06 - São Paulo. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press07/06 - São Paulo. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press07/06 - São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press07/06 - São Paulo. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG07/06 - São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press07/06 - São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press10/06 - São Paulo. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press11/06 - São Paulo. Foto: Futura Press11/06 - São Paulo. Foto: Futura Press11/06 - São Paulo. Foto: Futura Press11/06 - São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Euclides Oltramari Jr / Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Renan Tuffi/iG São Paulo13/06 - São Paulo. Foto: Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Gabriela Bilo/Futura Press13/06 - São Paulo. Foto: Euclides Oltramari Jr / Futura Press14/06 - São Paulo. Foto: J. Duran Machfee/Futura Press15/06 - Brasília. Foto: Rodrigo Villalba/Futurapress15/06 - Brasília. Foto: William Volcov/Brazil Photo Press15/06 - Brasília. Foto: Raul Spinassé/A Tarde/Futura Press15/06 - Brasília. Foto: Reuters15/06 - Brasília. Foto: Raul Spinassé/A Tarde/Futura Press15/06 - Brasília. Foto: Raul Spinassé/A Tarde/Futura Press16/06 - São Paulo. Foto: Leo Pinheiro / Futura Press15/06 - Berlim. Foto: Reprodução16/06 - Berlim. Foto: Reprodução17/06 - São Paulo. Foto: Alex Falcão17/06 - São Paulo. Foto: Futura Press17/06 - São Paulo. Foto: Euclides Oltramari Jr17/06 - São Paulo. Foto: Susan Souza/iG17/06 - São Paulo. Foto: Susan Souza/iG17/06 - São Paulo. Foto: Susan Souza/iG17/06 - São Paulo. Foto: Futura Press17/06 - São Paulo. Foto: Futura Press17/06 - São Paulo. Foto: Rafael Mantega17/06 - São Paulo. Foto: Gabriela Biló17/06 - São Paulo. Foto: Igor Frias Vieira17/06 - São Paulo. Foto: Susan Souza/iG17/06 - São Paulo. Foto: Igor Frias Vieira17/06 - Brasília. Foto: Nivaldo Souza/iG Brasília17/06 - Brasília. Foto: Nivaldo Souza/iG Brasília17/06 - Brasília. Foto: Nivaldo Souza/iG Brasília17/06 - Brasília. Foto: Reprodução17/06 - Brasília. Foto: Agência Brasil17/06 - Brasília. Foto: Agência Brasil17/06 - Brasília. Foto: AP17/06 - Brasília. Foto: Nivaldo Souza/iG Brasília17/06 - Porto Alegre. Foto: Futura Press17/06 - Salvador. Foto: Futura Press17/06 - Curitiba. Foto: Futura Press17/06 - Belo Horizonte. Foto: Futura Press17/06 - Belém. Foto: Futura Press17/06 - Rio de Janeiro. Foto: AP17/06 - Rio de Janeiro. Foto: AP17/06 - Rio de Janeiro. Foto: AP17/06 - Rio de Janeiro. Foto: AP18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Renan Truffi18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Futura Press18/06 - São Paulo. Foto: Renan Truffi/iG São Paulo18/06 - Londres . Foto: Reprodução Facebook19/06 - São Paulo. Foto: Futura Press19/06 - São Paulo. Foto: Futura PressRescaldo do protesto realizado nesta terça-feira (18), na região do centro de São Paulo, SP. . Foto: Futura Press19/06 - São Paulo. Foto: Futura Press19/06 - São Paulo. Foto: Futura Press19/06 - São Paulo. Foto: Daniel Sobral/Futura Press19/06 - São Paulo. Foto: Daniel Sobral/Futura Press19/06 - São Paulo. Foto: Agência Brasil19/06 - São Paulo. Foto: Agência Brasil19/06 - São Paulo. Foto: Agência Brasil19/06 - Belo Horizonte. Foto: Dudu Macedo/Futura Press19/06 - Belo Horizonte. Foto: Dudu Macedo/Futura Press20/06 - Belém. Foto: Igor Mota/Futura Press20/06 - Belém. Foto: Igor Mota/Futura Press20/06 - Belém. Foto: Igor Mota/Futura Press20/06 - Rio de Janeiro. Foto: Murilo Rezende/Futura Press20/06 - Salvador. Foto: Bahia Raul Golinelli/Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - São Paulo. Foto: Futura Press20/06 - Recife. Foto: Leia Já20/06 - Recife. Foto: Leia Já20/06 - Recife. Foto: Leia Já20/06 - Ribeirão Preto. Foto: Futura Press20/06 - Brasília. Foto: BSB Valter Campanato ABr20/06 - Brasília. Foto: BSB Valter Campanato ABr20/06 - Brasília. Foto: Agência Brasil20/06 - Brasília. Foto: BSB Valter Campanato ABr20/06 - Brasília. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr20/06 - Brasília. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr20/06 - Brasília. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr20/06 - Brasília. Foto: Reprodução20/06 - Brasília. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr20/06 - Porto Alegre. Foto: Futura Press20/06 - Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/ABr20/06 - Rio de Janeiro. Foto: O Dia20/06 - Rio de Janeiro. Foto: O Dia20/06 - Rio de Janeiro. Foto: O Dia20/06 - Rio de Janeiro. Foto: AP20/06 - Rio de Janeiro. Foto: O Dia20/06 - Rio de Janeiro. Foto: O Dia20/06 - Curitiba. Foto: Daniel Castellano/GAZETA DO POVO/Futura Press20/06 - Curitiba. Foto: Daniel Castellano/GAZETA DO POVO/Futura Press21/06 - São Paulo . Foto: Iran Giusti21/06 - São Paulo. Foto: Renan Tuffi/iG 21/06 - São Paulo. Foto: Renan Truffi/iG São Paulo21/06 - São Paulo. Foto: Iran Giusti21/06 - São Paulo. Foto: Carol Martins21/06 - Ribeirão Preto. Foto: Piton/Futura Press23/06 - Brasília. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil24/06 - Porto Alegre. Foto: Luciano Leon/Futura Press26/06 - Brasília. Foto: Pedro França/Futura Press26/06 - Belo Horizonte. Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia/Futura Press26/06 - Belo Horizonte. Foto: Marcus Vieira/O Tempo/Futura Press

A aula foi uma espécie de aquecimento para o primeiro grande ato do grupo -marcado para a próxima sexta-feira (9) - desde os anúncios dos aumentos de ônibus, metrô e trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) – de R$ 3,00 para R$ 3,50 – feitos pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e pelo governador Geraldo alckmin (PSDB), em dezembro passado.

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Além de representantes do movimento, que ganhou relevância nacional em 2013, e da sociedade civil, a aula pública teve a participação do engenheiro civil aposentado Lúcio Gregori, que foi secretário dos transportes municipais de São Paulo no governo de Luiza Erundina (então do PT) no início da década de 1990. Ele foi um dos responsáveis pela apresentação de um projeto de tarifa zero para os ônibus municipais usando o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para financiar as gratuidades. O projeto não chegou a ser votado na Câmara Municipal. 

"Tem de aumentar a receita da prefeitura e revisar contratos com empresas para diminuir o lucro dos empresários", afirmou Gregori, que citou u um relatório da feito a pedido da SPTrans (empresa que gerencia os ônibus na capital) pela auditora independente Ernst & Young. De acordo com Gregori, as empresas de ônibus têm lucros de 26% e as cooperativas, de 34%. "Se diminuísse a taxa de lucro para 12% teríamos tido uma economia de R$ 6,9 bilhões nos últimos nove anos. O suficiente para subsidiar a tarifa à população por quatro anos."

Gregori lembrou que em países da Europa, o governo subsidia cerca de 60% das tarifas dos transportes, cabendo à população o restante. No Brasil, disse ele, apenas 15% das tarifas são subsidiadas pelos governos.

Lúcio Gregori, secretário dos transportes no governo Erundina: para ele, tarifa zero é possível
Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
Lúcio Gregori, secretário dos transportes no governo Erundina: para ele, tarifa zero é possível

"O transporte não é um direito social, assim como saúde, a educação, a segurança? Mas para se movimentar na cidade se paga. E só não se paga mais por causa de um subsídio merreca", atacou. 

Defensor do passe livre, além da diminuição dos subsídios, ele disse que para chegar ao objetivo do grupo, a prefeitura tem ainda que aumentar a receita de arrecadação.

“Existem formas mais simples de fazer isso, como aumentar os recursos para investimento e revisar esses contratos com as empresas de ônibus”, disse.

Durante sua fala de 30 minutos às pessoas que acompanhavam o ato, Gregori também criticou a qualidade dos transportes públicos na cidade de São Paulo e a forma como as empresas são remuneradas pela prefeitura. Atualmente, a prefeitura paga por passageiro transportado.

Nenhum representante da prefeitura ou do governo do Estado foi convidado. Mas Frederico Haddad, filho do prefeito da capital, foi visto na platéia antes do início da aula. Ele foi embora antes do ato sem dar entrevistas.

MPL nas ruas
A aula pública foi realizada a poucos dias do primeiro grande ato do MPL na capital paulista. A última vez que integrantes do movimento saíram às ruas foi em junho do ano passado para comemorar um ano dos atos que terminaram com revogação das tarifas em 2013. Na ocasião, houve quebradeira em concessionárias de veículos de luxo na zona sul.

Além da aula e do ato já agendado para esta semana, o MPL de São Paulo promete novas manifestações para barrar os aumentos e pela gratuidade dos transportes. Foram anunciados ainda atos para mais sete cidades do País. 

Marcelo Hotimsky, 21 anos, estudante de filosofia e militante do grupo, disse que o ato de hoje pretendeu "dar voz" à população que de fato é afetada pelo aumento. "Nos últimos tempos, as pessoas têm acesso às informações apenas pela boca dos gestores", explicou ele. 

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Outra justificativa para a aula foi dada pela estudante Andreza Delgado, 19 anos, também militante do MPL: "A aula também serve para dar o tom da luta, para fortalecer o discurso. Mas não existe fórmula pronta para fazer a luta".

Antes de aumentar a tarifa, o prefeito de São Paulo anunciou o passe livre para estudantes, que permitirá gratuidade a alunos de baixa renda no trajeto entre a casa e escola, em um total de 48 cotas mensais. O movimento vê com ressalvas a novidade.

"Esta medida está longe de ser um passe livre estudantil", criticou Delgado. "É fechada para o trajeto entre a casa e a escola e não permite ao estudante acessos a outros meios, como sarais nos bairros, por exemplo. A gente entende que ela é fruto da luta do povo, mas está longe de ser o ideal."

É a opinião da estudante Paloma Moreira, 17 anos, que participou da aula pública como representante da população. "O aumento da tarifa impede que pessoas como eu continuem sem acesso à cidade, porque não existem só catracas do transporte", critica a moradora do Jardim Varginha, na zona sul paulistana. "Já a gratuidade para estudantes, apesar de boa, é limitada, já que o processo educativo é muito mais amplo e diz respeito ao acesso a todos os outros meios culturais da cidade."

O MPL ganhou relevância nacional em junho de 2013, quando organizou e protagonizou as manifestações realizadas em todo o País exigindo a revogação dos aumentos e exigindo, com palavras de ordem, a "tarifa zero" nos transportes das cidades. Na ocasião, a tarifa subiu de R$3 para R$ 3,20 na capital paulista, mas, após uma série de protestos marcados por conflitos e violência, que acabaram ganhando dimensões até então impensadas, voltou para R$ 3 – valor que permanece em vigor até à 0h desta terça-feira (6). 

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