Segurança pública do Rio recebeu denúncias de que traficantes e líderes religiosos radicais teriam provocado o crime após líder apoiar realização da Parada Gay na comunidade

Agência Brasil

Para Cláudio Nascimento (E), superintendente de Direitos Individuais Coletivos e Difusos,esse crime não pode ficar impune
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Para Cláudio Nascimento (E), superintendente de Direitos Individuais Coletivos e Difusos,esse crime não pode ficar impune

Agentes da Divisão de Homicídios da Capital da Polícia Civil do Rio de Janeiro estão fazendo investigações e ouvindo testemunhas para apurar a morte de Luiz Antônio de Moura, presidente da Associação de Moradores do Conjunto das Casinhas, na localidade da Fazendinha, na comunidade do Complexo do Alemão, subúrbio do Rio. O corpo de Luiz Moura foi enterrado na tarde de domingo (21) no cemitério de Inhaúma, também no subúrbio da cidade.

Ele foi atingido neste sábado (20) por disparos que partiram de ocupantes de um carro em frente ao Casarão da Cultura, na comunidade. O líder comunitário, também conhecido como Guinha, tinha 41 anos, era militante da causa gay e fundador do Grupo Diversidade LGBT do Alemão. Ele é um dos personagens do filme Favela Gay, produzido pelos cineastas Cacá Diegues e Renata Magalhães e relatou no documentário casos de perseguição a homossexuais e transexuais na comunidade.

O superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos e coordenador do Programa Rio Sem Homofobia, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Cláudio Nascimento, que acompanhou o enterro, informou já ter encaminhado à cúpula da segurança pública do Rio denúncias que recebeu na manhã deste domingo, segundo as quais a atuação de Guinha para apoiar a implantação da UPP no Alemão e para realização da Parada Gay na comunidade provocaram descontentamento entre traficantes e líderes religiosos radicais, o que teria provocado o crime.

Segundo Nascimento, Guinha teve importante atuação nesta área no Complexo do Alemão. "Nosso papel, agora, é acompanhar o processo de investigação. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que está trabalhando no caso. Agora temos que chegar ao criminoso para que a morte de Guinha não fique impune. Uma das denúncias que recebemos era de que havia descontentamento com a realização da parada", disse Nascimento à Agência Brasil.

A outra denúncia falava sobre a participação de Guinha em eventos sociais e de cidadania ligados ao processo de pacificação no Alemão, acrescentou Nascimento.

Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), Leonardo Garcia dos Santos da Silva, de 18 anos, estava com Luiz no momento dos disparos e também foi ferido. Ele foi socorrido por moradores da comunidade, que o colocaram em um carro e o levaram para a unidade de pronto-atendimento (UPA) do Alemão. Depois de atendido na UPA, Leonardo foi transferido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, também subúrbio do Rio.

Os agentes da UPP preservaram o local do crime e fizeram contato com a Divisão de Homicídios (DH) para que fosse realizada a perícia. Após o trabalho dos peritos, o corpo de Luiz Moura foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Instituto Médico Legal (IML).

Ainda conforme a coordenadoria, não houve registro de confronto entre policiais militares e criminosos na região.

A DH aguarda a liberação médica de Leonardo para tomar seu depoimento. A direção do Hospital Estadual Getulio Vargas informou, porém, que o rapaz foi submetido a cirurgia e permanece internado na unidade em estado de saúde grave, mas estável. Não há previsão de alta para Leonardo.


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