Gabriela tinha 6 anos quando foi levada ilegalmente pelo pai libanês. Nova audiência foi marcada para o dia 5 de fevereiro

A Justiça do Líbano adiou nesta quinta-feira (18) a decisão sobre a guarda definitiva da menina brasileira Gabriela Carvalho Boutros, de 10 anos, sequestrada pelo pai libanês Pedro Boutros Boutros há quatro anos. Após a separação do casal, Gabriela foi levada ao Líbano ilegalmente da casa da mãe em São Paulo. A decisão do seu futuro pode sair em nova audiência, marcada para 5 de fevereiro, em Beirute, capital do país.

Gabriela foi levada pelo pai quando tinha seis anos. Hoje aos 10, ela vive na região de Trípoli
Arquivo Pessoal / Claudia Dias
Gabriela foi levada pelo pai quando tinha seis anos. Hoje aos 10, ela vive na região de Trípoli

Segundo José Beraldo, advogado de Claudia Dias, mãe de Gabriela, o magistrado libanês pediu nesta quinta-feira um novo documento que comprove a decisão da justiça brasileira, que concedeu a guarda definitiva de Gabriela à mãe em 2012. "A justiça libanesa busca um documento que comprove que a decisão brasileira não pode ser revogada. O Pedro perdeu essa batalha em 2012. Temos grandes chances de trazer Gabriela para casa", explica.

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Claudia conversou com o iG após a audiência. A gerente de loja deixou São Paulo e viajou ao Líbano com passagens compradas com a ajuda de amigos e desconhecidos. Apesar da "primeira vitória" em Beirute, ela está frustrada por não ter visto a filha no tribunal. O ex-marido também não compareceu. Hoje ele está na lista dos mais procurados pela Interpol, a polícia internacional, acusado de subtração de incapaz. "O Consulado [ do Brasil em Beirute ] conversará com o Pedro amanhã. Espero conseguir ver minha filha", diz Claudia. 

O caso

O sequestro de Gabriela reforçou a fragilidade das fronteiras brasileiras. Era uma sexta-feira, dia 12 de março de 2010, quando Claudia abriu o portão de sua casa em São Paulo e deixou a filha, então com 6 anos, passar um final de semana com pai. Essa rotina se repetia a cada 15 dias com horários determinados. Mas o empresário libanês não voltou com a filha e deu início a uma viagem ilegal ao Líbano. Após quatro anos, ainda com poucas notícias de Gabriela, Claudia sonha em trazer a menina para casa.

Segundo a polícia, após deixar a casa de Claudia em São Paulo, Boutros dirigiu até Foz do Iguaçu e cruzou a fronteira com o Paraguai. Lá desligou o celular, falsificou os documentos da criança e embarcou com ela em um voo ao Líbano, com escalas na Argentina e França.

“Foram três meses de silêncio, fiquei desesperada. Até que a Interpol confirmou que eles estavam em Beirute desde o dia 18 de março, seis dias depois da visita. Se não fosse a Interpol, o paradeiro da Gabi seria um mistério até hoje”, garantiu Claudia, que superou a depressão e trabalha como gerente de loja.

Questionada sobre as novas audiências e a possibilidade de voltar com Gabriela ao Brasil, Claudia disse que vive momentos de emoção e medo. “Imagina uma mãe que está em desespero tentando ver a filha. Ela está crescendo longe de mim. Hoje está com quase 11 anos e tenho medo de não conhecê-la como antes. Mas sei que a relação de mãe e filha supera tudo. Só quero trazer ela para casa”, desabafa.

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