Índios protestam contra PEC que dá a Congresso poder de homologar terra indígena

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Proposta de Emenda à Constituição transfere aos Poder Legislativo responsabilidade hoje pertencente ao Executivo

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Flechas, corridas de toras, danças e cantos tradicionais deram o tom da manifestação que reuniu, nesta quinta-feira (4), 50 indígenas dos povos Apinajé, Krahô, Kanela do Tocantins, Xerente, Krahô Kanela e Karajá de Xambioá, todos do Tocantins. Na Praça dos Três Poderes, em frente ao Palácio do Planalto, no Distrito Federal, os índios protestam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere ao Congresso a prerrogativa de homologação de terras indígenas.

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Cerca de 50 indígenas de tribos de TO promoveram o protesto em frente ao Palácio do Planalto

“Estamos aqui para defender nossas terras, a demarcação [de terras indígenas] e para dizer à presidenta Dilma Rousseff que não precisamos de PEC 215. Viemos para dizer isso no Senado e na Câmara dos Deputados. Lutaremos até o fim para que a PEC seja engavetada”, bradou o índio Wagner Krahô Kanela.

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Os indígenas também protestaram contra a indicação da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e integrante da bancada ruralista no Congresso, para o Ministério da Agricultura. Uma foto de Kátia com a presidenta Dilma serviu de alvo para os manifestantes a crivarem de flechas.

Relatório mostra relação direta entre violência e falta de demarcações de terra:

Apesar dos números alarmantes de violência contra indígenas no MS, o governo Dilma ainda não fez homologação de demarcações no Estado. Foto: IbamaNo total, a presidente homologou 11 demarcações, todas na região Norte, que concentra quase 100% das terras indígenas - mas só 48% da população. Foto: Reprodução / YouTubeRelatório anual do Conselho Indigenista Missionário mostra como a violência continua alta no País. Foto: André D’EliaEm Mato Grosso do Sul, onde há conflitos entre índios e empresários ligados ao agronegócio, os números são os mais altos. Foto: Vincent CarelliDesde o início do governo Dilma Rousseff, 102 indígenas foram assassinados no MS - mais de 60% do total no País. Foto: PEDRO GONTIJO / O TEMPOOs números de suicídios também são bastante altos entre os índios - e especialistas também os ligam à falta de demarcações. Foto: Marcelo Camargo / Agência BrasilSó no ano passado, 73 indígenas cometeram suicídio em MS - a maior parte deles - 72 - foi cometida por índios da etnia Guarani-Kayowá. Foto: Facebook/ReproduçãoPara a CIMI, o governo precisa ser responsabilizado pela trágica realidade vivida pelos povos indígenas. Foto: ReproduçãoÍndios protestam no Congresso contra a discriminação e por demarcação de terras, em maio. Foto: Agência Brasil

“A senadora Kátia Abreu não foi eleita com nosso voto. É uma vergonha colocá-la no Ministério da Agricultura”, disse Wagner. “Ela não é dona da terra. Não somos nós, indígenas, os donos da terra. Precisamos viver em paz”, completou a indígena Gercina Krahô. De acordo com o Palácio do Planalto, ainda não há qualquer confirmação sobre quem vai assumir a pasta.

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A manifestação ocorreu pacificamente na Praça dos Três Poderes. Representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) afirmam que o objetivo dos índios é passar a noite no local. Eles armaram, inclusive, uma pequena tenda com galhos e folhas, reforçando a intenção de ficar por várias horas em frente ao Palácio do Planalto.

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