Sírios são maior grupo de refugiados no Brasil; número cresce 3 vezes em 1 ano

Por Amanda Campos e Beatriz Atihe - iG São Paulo | - Atualizada às

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De janeiro de 2010 até outubro deste ano, 1.524 refugiados da Síria chegaram ao País, segundo dados divulgados nesta terça

Entre janeiro de 2010 e outubro de 2014, 1.524 refugiados da Síria chegaram ao Brasil, o que faz dos sírios o maior grupo a buscar asilo político no País, segundo dados divulgados nesta terça-feira (18) pelo Acnur, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados.

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Reuters
Refugiada síria descasca batata em campo de refugiados em Zahle, no vale Bekaa


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Em conversa com o iG, Andrés Ramirez, representante do Acnur Brasil, afirmou que o aumento no fluxo de refugiados vindos da Síria começou em 2012 com 37 reconhecimentos oficiais. Em 2013, o número foi sete vezes maior do que no ano anterior, chegando a 284, para disparar em 2014 com 1.183 até outubro.

Segundo ele, esse aumento pode ser explicado pela postura solidária do Brasil com as vítimas do conflito, que já deixou mais de 200 mil mortos desde 2011 na Síria. A guerra tem motivação política: grupos rebeldes tentam tirar o presidente Bashar al-Assad, da minoria étnico-religiosa alauíta, do poder.

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"Essa normativa brasileira facilitou a entrada dos sírios no País. Além disso, não se pode esquecer a comunidade síria e libanesa que está em grande número no Brasil e tem ajudado a acolher esses refugiados", afirmou Ramirez.

Para facilitar a entrada dos grupos, a legislação nacional de refúgio criou o Conare, Comitê Nacional para os Refugiados. Por meio do órgão, foi criada lei que garante documentos básicos aos refugiados, incluindo os de identificação e de trabalho. De acordo com a instituição, até outubro de 2014, foram reconhecidos 7.289 refugiados de 81 nacionalidades diferentes - 25% deles, mulheres. Além da Síria, há um grande fluxo de asilados da Colômbia, 1.218, Angola, 1.067, e República Democrática do Congo, 784.

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Quando comparado aos países geograficamente próximos da Síria, porém, os números do Brasil não são tão expressivos. Segundo a ONU, O Líbano abriga 1,14 milhão de sírios, a Jordânia, 608 mil e a Turquia, 815 mil. O Acnur afirma ter mais de 3 milhões de refugiados do país em todo o mundo, o que significa que um a cada oito cidadãos do país é obrigado a atravessar a fronteira.

Refúgio brasileiro

De 2010 a 2013, o número total de pedidos de refúgio aumentou mais de 930%, passando de 566 para 5.882. O índice faz do Brasil o país que mais recebe refugiados na América Latina e Caribe. Até outubro de 2014, já foram contabilizadas outras 8.302 solicitações. A maioria dos solicitantes de refúgio vem da África, Ásia - inclusive Oriente Médio - e de países da própria América do Sul.

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Garota síria, que fugiu com sua família da Síria, em campo de refugiados na Turquia (23/8). Foto: APIdoso sírio deixou sua casa por conflito entre rebeldes para viver em campo na Turquia, perto da fronteira (23/8). Foto: AP
Síria carrega bebê em campo de refugiados jordaniano na cidade de Mafraq (13/8). Foto: ReutersRefugiados caminham pelo campo de Zaatari, na Jordânia, onde mais de 3 mil expressaram insatisfação com as precárias condições do campo (13/8). Foto: AP
Família síria fugiu do conflito armado do país para campo de refugiados em Mafraq, na Jordânia (12/8). Foto: ReutersRefugiados sírios esperam para registrar nomes ao chegar a campo de Mafraq, na Jordânia (11/8)
. Foto: Reuters
Crianças sírias olham alimentos que receberam em Zaatari, Jordânia (11/8). Foto: EFESírios carregam seus pertences ao chegar a campo de refugiados na vizinha Jordânia (11/8). Foto: ReutersRefugiados sírios em campo de refugiados após receber atendimento médico em hospital militar marroquino em Mafraq, Jordânia (10/8). Foto: APRefugiados sírios no campo de Zaatari, em Mafraq, Jordânia (10/8). Foto: AP
Refugiados sírios passam de ônibus pela cidade de Reyhanli, da província turca de Hatay, na fronteira (10/8)
. Foto: ReutersMãe e filhos deixaram a Síria e cruzaram a fronteira em Qaim, no Iraque (7/8). Foto: APRefugiados sírios na entrada de sua tenda no campo de Zaatari, na Jordânia (2/8). Foto: APGarota síria se lava em campo de refugiados da Jordânia (2/8). Foto: APRefugiado sírio escala torre de energia elétrica para chamar colegas no campo de refugiados de Zaatari, em Mafraq, Jordânia (2/8)	
. Foto: APRefugiados sírios chegam à cidade iraquiana de Qaim, na fronteira com a Síria (26/7). Foto: AP
Refugiados sírios em Qaim, no Iraque (26/7). Foto: AP
Refugiados sírios chegam à fronteira com o Iraque, na cidade de Qaim, a 320 km de Bagdá (26/7). Foto: AP
Refugiado sírio passa por playground em campo de refugiados de Al Bashabsheh, em Ramtha, Jordânia (17/7). Foto: APGarotos sírios brincam no campo de Al Bashabsheh, na Jordânia (17/7) 
. Foto: APCrianças caminham em campo de refugiados em Hatay, província turca na fronteira (3/4). Foto: ReutersGarotas feridas em conflito na Síria se recuperam em hospital no Líbano (21/3). Foto: AFPSírios que fogem do conflito esperam na fronteira para entrar na Turquia por Reyhanli (19/3). Foto: AP13.700 sirios conseguiram escapar da violência no país e se refugiam na Turquia (19/3). Foto: EFERefugiado sírio caminha em direção à fronteira da Turquia carregando bens em sacos (15/3). Foto: APRefugiada síria chora durante protesto contra regime de Assad em Yayladagi, Turquia (12/3). Foto: APRefugiado sírio e menino são vistos em Yayladagi, Turquia (12/3). Foto: APCrianças refugiadas sírias protestam contra o presidente Bashar al-Assad em Yayladagi, na Turquia (27/6/2011). Foto: APRefugiados sírios na Turquia (24/6/2011). Foto: ReutersRefugiados sírios recém-chegados à Turquia são levados para campo de refugiados perto de Guvecci (23/6/2011). Foto: AP

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Também o número de refugiados reconhecidos aumentou cerca de 1.240% nos últimos quatro anos, saltando de 150 em 2010 para 2.032 deferimentos até outubro deste ano. O maior índice de aceleração foi atingido entre 2013 e outubro de 2014, quando chegou a 5.256 e 7.289 indivíduos de vários países, respectivamente.

Ajuda na chegada

Em território brasileiro, a barreira do idioma é um dos primeiros problemas encontrados pelos refugiados. Pensando em solucionar esse problema, Marcelo Haydu, sociólogo, ajudou a fundar o Adus, Instituto de Reintegração do Refugiado, em 2010. Lá, eles têm acesso a aulas de português e projeto de inserção no mercado de trabalho brasileiro.

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"Além disso, o instituto trabalha com ações de cultura. A demanda de atendimento aumentou bem há dois anos e meio. Cerca de 700 pessoas já passaram por aqui", explica Haydu, diretor executivo da instituição, ao iG.

Na organização, as aulas são voltadas a adultos e acontecem as terças e quintas-feiras - período noturno - e sábados. Familiarizados com o idioma, eles passam a receber apoio da ONG para conseguir um emprego. Em uma espécie de triagem, os refugiados fazem seus currículos e contatam as empresas, tudo com intermédio dos cerca de 150 voluntários do Adus e das quatro companhias que apoiam o projeto.

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"Tem dado muito certo, de um ano e meio para cá, aproximadamente 300 refugiados foram empregados por esse sistema", disse Haydu.

Ao analisar o crescente fluxo migratório, o sociólogo acredita que, por ser uma nação em desenvolvimento, o Brasil tem despertado interesses que sobressaem questões como a culta e geografia. Até 2012, afirma ele, havia ao menos 300 refugiados no País. 

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