Escravidão atinge 155,3 mil pessoas no País

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Levantamento está em relatório da Walk Free, segundo o qual houve queda de trabalhadores nessas condições em 2014

Agência Brasil

O Brasil tem 155,3 mil pessoas em situação análoga à escravidão, segundo o relatório Índice de Escravidão Global 2014, da Fundação Walk Free, divulgado nesta segunda-feira (17). Houve significativa queda em relação ao levantamento do ano passado, que apontou mais de 210 mil submetidos ao trabalho escravo no País. De acordo com a organização, dos 200.361.925 de brasileiros, 0,078% vive nessa condição.

Veja fotos de local de trabalho escravo de haitianos, revelado em agosto:

Haitianos encontrados em situação análoga à escravidão no último dia 5 de agosto, em oficina no Brás, zona leste de São Paulo. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoBotijões de gás em dormitórios e fios expostos expunham trabalhadores ao risco. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoQuartos sujos, com mofo, ventilação insuficiente e restos de comida faziam parte do cenário. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoFiação exposta em oficina no Brás, terceirizada à empresa As Marias. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoNão havia comida na geladeira: ela era escondida pela gerente da oficina no sofá. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoExtintores de incêndio vencidos em meio à fiação elétrica totalmente exposta. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoTrabalhavam em situação precária no local 14 pessoas. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoEram 12 haitianos e um casal de bolivianos - que vivia com o filho no local. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoEscrita em créole, língua falada pela população haitiana, folha de papel expõe obrigações dos funcionários. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoGeladeira que guardava alimentos dos trabalhadores: vazia. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoFiação exposta na oficina no Brás. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoTrabalhadores conversam com auditores do Ministério do Trabalho, em fotos divulgadas nesta sexta-feira (22). Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoDormitório dos trabalhadores: condições insalubres. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoQuadro de energia com fiação exposta na oficina no Brás. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoFolha com instruções de trabalho enquanto haitiana costura na oficina, que não pagou salário a nenhum empregado ao longo de dois meses. Foto: Ministério do Trabalho/DivulgaçãoBanheiro dos trabalhadores. Foto: Ministério do Trabalho/Divulgação

Pela primeira vez, segundo o levantamento, o número de pessoas resgatadas em situação de trabalho forçado no setor da construção civil (38% dos casos) foi maior do que no setor rural no Brasil. De acordo com a Walk Free, o Brasil atraiu bilhões de dólares em investimentos para a execução da Copa do Mundo, o que propiciou o aumento do número de casos em áreas urbanas.

O relatório também destaca que a exploração sexual concentrou um grande número de pessoas em situação de trabalho forçado por causa do grande fluxo de turismo nas cidades-sede do Mundial. A Walk Free ressaltou que Fortaleza concentrou boa parte dos casos de abuso sexual de crianças por turistas.

O documento ressalta que ainda há muitas crianças trabalhando como empregadas domésticas. Em 2013, segundo a organização, 258 mil pessoas entre 10 e 17 anos estavam em tal função no Brasil. Segundo um dos autores do relatório, Kevin Bales, também há preocupação com a participação de crianças no tráfico de drogas.

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Outro dado relevante é o fato de muitos bolivianos e peruanos estarem sendo explorados pela indústria têxtil. Mais da metade dos 100 mil imigrantes bolivianos no Brasil estão em situação irregular, o que os leva a serem facilmente manipulados por meio da violência, das ameaças de deportação e da servidão por dívida, segundo a pesquisa.

A organização ressaltou o progressivo comprometimento do governo e das empresas com a erradicação do trabalho forçado no Brasil. Um das medidas lembradas foi a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo, que determina a expropriação de imóveis urbanos e rurais quando da constatação de exploração de trabalho análogo à escravidão. Outra medida importante é a lista suja do trabalho escravo, elaborada pelo Ministério do Trabalho.

“O Brasil é um dos líderes mundiais no combate à escravidão. A lista suja e os grupos móveis de combate ao trabalho escravo são muito importantes e nenhum outro país tem medidas como essa”, disse Bales.

O documento destacou que somente EUA, Brasil e Austrália têm tomando medidas para eliminar o trabalho escravo na contratação pública e nas cadeias de fornecimento das empresas que atuam em seus países.

O Brasil está na 143ª colocação entre os 167 países avaliados proporcionalmente em relação à população. A Mauritânia, na Costa Oeste da África, figura em 1º lugar no ranking e é apontada como o pior caso. No ano passado, o Brasil estava em 94º entre os 162 países avaliados.

No ranking das Américas, o Brasil está em 24º em um total de 27 países avaliados, melhorando também em relação ao primeiro relatório, que apontou o País em 13º.

Cerca de 35,8 milhões de pessoas em todo o mundo vivem em situação análoga à escravidão, aponta o relatório Índice de Escravidão Global 2014.

O número de pessoas escravizadas aumentou 20,13% em relação ao levantamento de 2013. O primeiro relatório da organização mostrou que o mundo tinha 29,8 milhões de vítimas da escravidão moderna.

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De acordo com a Walk Free, o trabalho escravo nos dias atuais ocorre por meio do tráfico de seres humanos, do trabalho forçado, da servidão por dívida, do casamento forçado ou servil e ainda da exploração sexual comercial.

“Não temos que ter escravidão no mundo. Deve haver vontade política para implementar as leis contra a escravidão como acontece com os homicídios. Gostaria de ver a escravidão se tornar um crime tão raro no mundo como acontece com o canibalismo hoje”, disse Kevin Bales.

A África e a Ásia, segundo o documento, continuam sendo os continentes com a maior incidência de pessoas nessa condição. Proporcionalmente, a Mauritânia, na Costa Oeste da África, lidera novamente o ranking dos países com maior prevalência, com 4% da população escravizados. Ela é seguida por Uzbequistão (3,97%), Haiti (2,3%), Catar (1,36%) e Índia (1,14%).

Em números absolutos, a Índia permanece no topo da lista, com mais de 14,29 milhões de pessoas escravizadas, seguida da China (3,24 milhões), Paquistão (2,06 milhões), Uzbequistão (1,2 milhão) e Rússia (1,05 milhão). Juntos, esses países representam 61% da escravidão moderna mundial, ou seja, quase 22 milhões de pessoas.

De acordo com a Walk Free, apesar de o índice de 2014 estimar que há mais 20,13% de pessoas escravizadas no mundo ante os dados de 2013, “este aumento significativo deve-se à melhoria dos dados e da metodologia, que inclui inquéritos representativos em nível nacional em alguns dos países mais afetados”.

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