Informação foi divulgada nesta terça-feira (11) no 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Uma pessoa é assassinada a cada dez minutos no Brasil. A informação foi divulgada nesta terça-feira (11) no 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ao todo, 50.806 pessoas foram vítimas de homicídio doloso ao longo de 2013. Ou seja, foram 5,8 pessoas mortas a cada hora ao longo de 2013, uma taxa de 25,2 vítimas para cada 100 mil habitantes.

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Apesar de alta, a taxa significa um recuo de 2,6% ao ano de 2012, quando morreram 25,9 pessoas para cada grupo de 100 mil. Em números absolutos houve um aumento de 1,1% ao ano de 2012, quando 50.241 foram vítimas de assassinato.

Para Renato Sérgio de lima, vice presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, instituição responsável pela divulgação dos dados, é possível reduzir a taxa de homicídio em 65,5% em ate 2030. "O segredo é cooperação. Até pouco tempo, a gente batia na tecla da integração, mas isso é só um passo para que a gente consiga reduzir e debelar essa endemia de violência". Segundo ele, a integração passa pelas policias (civil, militar, municipal e federal), ministério público e poder judiciário. "Mas não basta integrar, precisamos criar uma cultura da cooperação, com troca de informações, e envolvimento da população na solução dos problemas que a afeta".

Ele também cita investimentos em sistemas de inteligência para mapear os locais de crimes e evitá-los antes que aconteça.

Estados

De acordo com o anuário, Alagoas continua sendo o estado com maior taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes. Em 2013, foram 64,7 pessoas assassinadas para cada 100 mil. A taxa representa leve alta de 0,4% em relação ao ano anterior, quando 64,4 pessoas morreram a cada 100 mil vitimas de homicídios dolosos.

Em números absolutos, foram mortos 2.140 pessoas em 2013, contra 2040 no ano anterior.

A Bahia foi o estado em que morreram mais pessoas em números absolutos. Foram 5.440 em 2013 - 36,1 vítimas para cada 100 mil. Apesar de alto, o número representa queda de 7,47% na comparação com 2012, quando 41,5 pessoas a cada 100 mil foram mortas.

Em contrapartida, o estado do Paraná foi o que mais conseguiu reduzir os homicídios. Em 2012, foram 3.135 mortos e em 2013, morreram 2.572 pessoas - redução de 17,96%.

O estado de São Paulo tem o menor índice de assassinatos para cada 100 mil habitantes. Em 2013, essa taxa ficou em 10,8 queda de 12,9% na comparação com 2012, quando a taxa estava 12,4. O estado também conseguiu reduzir o numero absolutos de assassinatos, passado de 5.209 para 4.739.

Latrocínios e roubos

Ainda de acordo com o anuário, o número de latrocínios (roubo seguido de morte) passou de 1.829 em 2012 para 1.871 no ano passado. De acordo com o levantamento, o número de roubos gerais também cresceu, passando de 1.059.664 em 2012 para 1.188.245 em 2013 (alta de 11%). Para Luís Flávio Sapori, professor da PUC-MG e membro do fórum brasileiro de segurança pública, o roubo não é mais uma questão social e tem relação íntima com a impunidade e Polícia ineficiente. "O roubo está crescendo em meio a maior taxa de desemprego da historia, desmistificando a ideia de que as pessoas pegam em armas pela sobrevivência. O crime contra o patrimônio tem outras características e muita relação com o tráfico de drogas e com a facilidade. É um crime que encontra oportunidade com alvos fáceis e quando a Polícia não está na rua", explica Sapori. "A capacidade preventiva das policias vem diminuindo ano a ano. A investigação de roubos é menor que a de homicídios e não chega a 5%", afirma.

Ele estima ainda que o número pode ser muito maior já que muitos roubos não chegam a ser notificados. "Pesquisas de vitimização demostraram que 65% das pessoas não chamam a policia. Se fizer a estimativa dessa sub notificação para os roubos registrados, vamos chegar a quase 2 milhões de roubos, que possivelmente acontecem diariamente neste país. Um absurdo que eleva nossa taxa a quase 1 mil roubos por 100 mil habitantes", completa.

Detentos

O número de presos no sistema penitenciário brasileiro cresceu 5% entre 2012 e 2013, passando de 510.402 encarcerados em 2012 para 537.790 no ano passado. Além disso, outros 36.237 estavam sob custódia policial no ano passado, o que eleva o total de encarcerados para 574.027 em 2013.

De acordo com levantamento, o déficit de vagas cresceu 9,77% neste intervalo. No total, faltam 220 mil vagas, 19,5 mil a mais que no ano anterior. A média de detentos por vagas é de 1,7.

Em São Paulo, o estado com o maior déficit em números absolutos, faltam 97,3mil vagas para os presos. Pernambuco aparece na sequencia com déficit de 19,3 mil vagas. Segundo análise do fórum, a morosidade do poder judiciário é um dos maiores agravantes para o alto número de encarcerados no Brasil. Ao todo, 40% dos detentos ainda não foram julgados.

Perfil dos presos

De acordo com o fórum, a maior parte dos encarcerados é homem (93,8%), negros (61,7%) e com idades entre 18 e 29 anos (54,8%). Para Oscar Vilhena, professor de direito da FGV e membro do fórum, o perfil homogêneo dos encarcerados e reflexo do preconceito institucional presente nas policias e no poder judiciário. "Há um preconceito institucional contra os negros. A atuação das policias é seletiva e aborda mais os negros. As pessoas que são abordadas têm 'cara de prontuário. A discriminação acontece também no poder judiciário- quanto mais negra a pessoa, maior a tendência que ela seja condenada. O sistema prisional é um retrato disso", diz.

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