De acordo com Organização Internacional do Trabalho, homens adultos de regiões pobres são os mais aliciados

O combate ao trabalho escravo no Brasil é visto com bons olhos por entidades internacionais, conforme a Organização Internacional do Trabalho (OIT) ressaltou no 3º Encontro das Comissões Estaduais para a Erradicação do Trabalho Escravo (Coetraes), nesta segunda-feira (10), em São Paulo. No entanto, muito ainda precisa ser feito para acabar com a realidade que prejudica tantas pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica no País.

Veja fotos de haitianos encontrados em situação de escravidão em agosto:

"Precisamos romper o ciclo vicioso da escravidão", disse Luiz Machado, coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo no Brasil da OIT, ressaltando a necessidade de aliar o combate à prevenção e assistência a vítimas dessa situação. "O trabalhador, apesar de ser resgatado, continua vulnerável. E muitos voltam para a escravidão."

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Segundo Machado, no Brasil os mais vulneráveis são homens adultos, pobres de regiões com baixo índice de desenvolvimento, em busca da trabalho em outros estados ou mesmo aliciados. Entretanto, no mundo, as mulheres e crianças são mais escravizadas. “É um crime dinâmico e em outros lugares do mundo está envolvido com tráfico de pessoas e exploração sexual”.

A coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estado de São Paulo, Juliana Felicidade Armede, informou que em São Paulo a maioria dos trabalhadores escravizados está na área rural. “Existem estados no Brasil muito ricos, mas empobrecidos em políticas públicas. Em muitos locais as pessoas não tendo acesso a esses benefícios não se inserem no mercado de trabalho e quando se inserem acabam ficando em situação de escravidão”.

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No meio urbano o principal foco de trabalho escravo está na construção civil e na indústria têxtil. Já no rural está ligado tanto à pequena produção quanto à grande. “Dentro desses dois universos há uma diversidade de problemas. Isso ainda acontece temos um perfil de produção que não garante isonomia às pessoas. Há sempre um grupo mais explorado e um que explora. Não conseguimos evoluir do ponto de vista de estruturas econômicas capazes de acompanhar os problemas sociais”, disse Armede.

O trabalho feito no Brasil, no entanto, foi classificado como extremamente positivo por Machado. Para ele, o País se tornou referência mundial no combate à escravidão. "Nós temos mecanismos que não encontramos em nenhum outro lugar no mundo como os grupos especiais de fiscalização que atendem a todo o território", resumiu o coordenador do projeto da OIT.

*Com informações da Agência Brasil

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