Consumo de água por habitante em SP é inferior a Tóquio, Roma e Buenos Aires

Por David Shalom , iG São Paulo | - Atualizada às

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Apesar de consumir mais do que o recomendado pela OMS, gasto é similar ao de cidades de mesmo porte pelo mundo

A média diária de consumo de água em São Paulo é de 190 litros por habitante, quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – de 110 l/h. O montante, no entanto, é inferior ao de outras capitais importantes do mundo, como Tóquio, Seul e Buenos Aires. Os números levam em conta a somatória do uso de água em residências e na indústria dividida pelo número de habitantes de cada região.

Veja fotos do cenário desolador dos reservatórios de São Paulo:

Represa do Jaguari, na cidade de Vargem, em setembro; veja mais imagens da situação dos reservatórios do Sistema Cantareira. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemRepresa do Jaguari, na cidade de Vargem, em foto de setembro. Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de VargemObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura PressObras do Sistema Cantareira no segundo volume morto. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura Press Seca no reservatório do Rio Jacareí, em Joanópolis, São Paulo. Foto: Futura PressSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia StavisSistema Cantareira tem o menor nível em duas décadas. Foto: Patricia Stavis

Para chegar aos dados, o iG comparou as informações sobre o consumo de água em municípios brasileiros, elaborados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do Ministério das Cidades, com levantamento sobre o tema da International Water Association, Organização Não Governamental (ONG) baseada em Londres que elabora estudos com o objetivo de melhorar padrões de distribuição do recurso. Os números levam em conta a somatória do uso de água em residências e na indústria dividida pelo número de habitantes de cada região.

De acordo com o levantamento britânico, que inclui 150 cidades dos cinco continentes, o consumo paulista é inferior ao de lugares como Seul (Coreia do Sul), Tóquio (Japão) e Roma (Itália), cujos habitantes usam diariamente em média 280, 230 e 215 litros de água, respectivamente. A também italiana Milão, a australiana Darwin e a argentina Buenos Aires lideram a lista, com em torno de 470, 430 e 375 litros usados por pessoa a cada dia.

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"O consumo em São Paulo me parece bem coerente, já que a recomendação da OMS aponta o mínimo do mínimo para a sobrevivência, não levando em conta o uso, por exemplo, de equipamentos como máquinas de lavar", avalia o engenheiro civil e sanitarista José Roberto Kachel, membro do comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. "Naturalmente, se setorizarmos esses consumos, encontraremos gastos de 140, 130 e até de 110 litros/dia em bairros da periferia paulistana e de mais de 400 litros/dia em locais mais nobres. Aí, sim, acaba sendo um problema. Mas, na média geral, não vejo exageros."

Professor de Gestão Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Luiz Côrtes corrobora a opinião do colega e enfatiza a necessidade de adequação às intempéries, caso da estiagem enfrentada por diversos Estados brasileiros neste ano. Para ele, além de pontos como melhor gestão da água por parte do poder público – recuperando as áreas degradadas dos reservatórios, mantendo a vazão dos sistemas proporcional à entrada de água e reduzindo os vazamentos das redes –, é importante mudar a própria cultura da população, acostumada a sempre ter visto o recurso como vasto e infinito.

Futura Press
Represa do Sistema Cantareira em imagem do mês passado: volume total chegou a 3%

"É possível reduzir o consumo mantendo a qualidade de vida, mas tendo um uso mais racional. Por exemplo, aqui em São Paulo se lava muito calçada e carro com água com qualidade para ser consumida por uma pessoa. Isso é um desperdício muito grande e está longe de ser um costume nacional, tanto que quem vem do Ceará até estranha", exemplifica ele – o Estado nordestino tem média diária de consumo de 125,8 litros/habitante. "Talvez possamos ver a crise atual como algo positivo para reeducar as pessoas em relação à água, porque não é mais possível continuar jogando o recurso fora como antes."

No total, a capital paulista consome a média diária de 190,3 litros por habitante – no Estado são 192,6% –, superando Lisboa (Portugal), Nova York (EUA), Zurique (Suíça) e Londres (Reino Unido), que consomem 125, 140, 170 e 170 litros/habitante por dia, respectivamente.

Lista Brasil
Se São Paulo não figura entre os líderes de consumo de água no mundo, no Brasil a situação é um pouco diferente. Na média entre as unidades federativas, os cidadãos paulistas fazem maior uso do recurso do que aqueles de outros 23 Estados do País, além do Distrito Federal. Apenas Amapá, Maranhão e Rio de Janeiro os superam, com consumo respectivo de 198,5, 219,6 e 244,1 litros/habitante por dia.

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Neste caso, o Rio de Janeiro sai na frente em dois quesitos: além de ser o Estado brasileiro com maior média de consumo de água por habitante, é também o líder entre as capitais que mais consomem – 312,2 litros por pessoa diariamente –, o mesmo que a cidade chinesa de Shenzhen, a quarta colocada no levantamento mundial da IWA.

"Naturalmente, assim como ocorre em outros lugares do mundo, o calor influencia neste uso. Mas vejo como principal motivo para isso as enormes perdas de água em todo o território fluminense", avalia Adacto Ottoni, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e de Meio Ambiente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). "A gestão ruim, aliada ao crescimento desordenado da cidade com as ocupações irregulares, onde há inúmeros problemas de vazamento, leva a esses números."

Apesar da dupla liderança, o Rio de Janeiro ainda não é o município brasileiro com maiores indíces de consumo do País. A pequena Queluzito, cidade de apenas 18 mil habitantes no interior de Minas Gerais, consome 334 litros de água por habitante a cada dia. Na outra ponta da lista, bastante abaixo do índice proposto pela OMS, a alagoana Matriz de Camaragibe, com população de 25 mil pessoas, usa apenas 80,6 litros/habitante diariamente, enquanto Pernambuco, o Estado com menor consumo, de 109,7 litros/habitante. A média nacional é de 167,5 l/hab.dia.


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