Mulheres abusadas pelo especialista em reprodução assistida condenado a 278 anos de prisão pela Justiça se reúnem em Congonhas à espera do avião que levará o ex-médico até SP

Desde o instante em que souberam da prisão de Roger Abdelmassih, foragido desde 2011 e capturado na última terça-feira (19) no Paraguai, as mulheres que lutavam ativamente por sua prisão vivem um turbilhão de sentimentos. Divididas entre a euforia e o temor, as vítimas dos estupros e abusos cometidos por Abdelmassih quando ele liderava uma das mais prestigiosas clínicas de fertilização do país,  chegam a apenas um consenso: o alívio por ver o médico foragido mais perto de pagar por seus crimes.

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Reunidas no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, elas aguardam o vôo que transportará Abdelmassih de Foz do Iguaçu, no Paraná, até a capital paulista. Por volta das 12h20 desta quarta (20), o capturado foi escoltado até o aeroporto paranaense. A previsão é que Abdelmassih chegue em São Paulo por volta das 16h, e faça ali mesmo o exame de corpo de delito antes de ser encaminhado até a penitenciária de Tremembé, no interior do estado.

Veja fotos e depoimentos das vítimas de Roger Abdelmassih sobre sua prisão:

Vanuzia Leite Lopes, de 54 anos, é uma de suas vítimas. Quando tentava engravidar, em 1993, foi violentada pelo ex-médico. Apesar do registro na polícia e do exame de corpo de delito, nada foi feito à época. Os arrastados 21 anos que se passaram desde então a fizeram correr para o aeroporto no impulso de não perder sequer um segundo da única oportunidade que terá de confrontar seu algoz: "Vamos dar boas vindas para o inferno que ele fez por merecer", escreveu ela em seu perfil no Facebook.

"Somos poucas vítimas a colocar nossos rostos, mas desde o momento da prisão já recebi ligações de mais de 50 outras mulheres que também sofreram na mão dele. Elas me ligam para agradecer e pedir que este agradecimento também seja repassado à imprensa, que nos ajudou o tempo inteiro. Por isso tudo, estou sem dormir desde ontem", disse Vanuzia ao iG .

"Estamos também muito orgulhosas por termos colaborado com as investigações", complementou, referindo-se ao envio de documentos de chamadas telefônicas e registros bancários. Na mesma rede social, ela e suas colegas de causa pediam informações sobre o possível paradeiro de Abdelmassih. 

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