"Vamos dar a ele boas vindas para o inferno", diz vítima de Roger Abdelmassih

Por Bruna Talarico - iG São Paulo |

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Mulheres abusadas pelo especialista em reprodução assistida condenado a 278 anos de prisão pela Justiça se reúnem em Congonhas à espera do avião que levará o ex-médico até SP

Desde o instante em que souberam da prisão de Roger Abdelmassih, foragido desde 2011 e capturado na última terça-feira (19) no Paraguai, as mulheres que lutavam ativamente por sua prisão vivem um turbilhão de sentimentos. Divididas entre a euforia e o temor, as vítimas dos estupros e abusos cometidos por Abdelmassih quando ele liderava uma das mais prestigiosas clínicas de fertilização do país,  chegam a apenas um consenso: o alívio por ver o médico foragido mais perto de pagar por seus crimes.

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Reunidas no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, elas aguardam o vôo que transportará Abdelmassih de Foz do Iguaçu, no Paraná, até a capital paulista. Por volta das 12h20 desta quarta (20), o capturado foi escoltado até o aeroporto paranaense. A previsão é que Abdelmassih chegue em São Paulo por volta das 16h, e faça ali mesmo o exame de corpo de delito antes de ser encaminhado até a penitenciária de Tremembé, no interior do estado.

Veja fotos e depoimentos das vítimas de Roger Abdelmassih sobre sua prisão:

Aos 54 anos, Vana Lopes pôde abrir sua Champagne para comemorar a prisão de Roger Abdelmassih: "Somos vítimas, não coitadas. Caçamos ele mesmo!" (20.80). Foto: Reprodução/FacebookEm sua página no Facebook, Vana agradeceu a equipe envolvida na prisão do ex-médico: "Vamos ao aeroporto buscar este estuprador e dar boas vindas para o inferno." (20.08). Foto: Reprodução/FacebookTeresa Cordioli, de 63 anos, passou a noite em claro após a prisão de Abdelmassih: "Não consigo dormir, só penso que conseguimos" (20.08). Foto: Reprodução/FacebookNelma Luz, de 50 anos, administra o perfil 'Vítimas de Roger Abdelmassih e Clínica" no Facebook: "O marginal do Roger Abdelmassih foi preso!!!" (20.08). Foto: Reprodução/FacebookA fotógrafa Monika Bartkevitch, de 47 anos, comemorou em seu Facebook: "Este monstro horroroso devastou tantos sonhos e desestruturou tantas vidas" (20.08). Foto: Reprodução/FacebookIvany Serebrenic, de 47 anos, precisou ser medicada após a notícia de que Abdelmassih havia sido preso: "parece que a tensão de todo este tempo me fez desabar" (20.08). Foto: Reprodução/FacebookHelena Leardini, de 45 anos, lembra os ataques sob sedação: "Ele me pegou a força e beijou na boca. Estou orgulhosa de ter ajudado a prendê-lo!" (20.08). Foto: Reprodução/FacebookSilvia Franco, de 43 anos, fazia das redes sociais uma plataforma pela prisão de Abdelmassih: ela compartilhava matérias e pedia informações de seu paradeiro (20.08). Foto: Reprodução/FacebookNa página 'Vítimas de Roger Abdelmassih e Clínica', mulheres compartilham com alegria a prisão do ex-médico (20.08). Foto: Reprodução/FacebookVítimas comentam prisão do médico Roger Abdelmassih. Foto: Reprodução/FacebookRoger Abdelmassih foi preso no Paraguai na última terça (19.08): ex-médico era um dos mais procurados do Brasil. Foto: Fotos PúblicasApós a prisão de Roger Abdelmassih por operação das polícias Civil e Federal, o perfil do foragido foi atualizado com o carimbo de "Capturado" (20.08). Foto: ReproduçãoRoger Abdelmassih era um dos 160 brasileiros a constar na lista dos procurados da Interpol (20.08). Foto: Reprodução

Vanuzia Leite Lopes, de 54 anos, é uma de suas vítimas. Quando tentava engravidar, em 1993, foi violentada pelo ex-médico. Apesar do registro na polícia e do exame de corpo de delito, nada foi feito à época. Os arrastados 21 anos que se passaram desde então a fizeram correr para o aeroporto no impulso de não perder sequer um segundo da única oportunidade que terá de confrontar seu algoz: "Vamos dar boas vindas para o inferno que ele fez por merecer", escreveu ela em seu perfil no Facebook.

"Somos poucas vítimas a colocar nossos rostos, mas desde o momento da prisão já recebi ligações de mais de 50 outras mulheres que também sofreram na mão dele. Elas me ligam para agradecer e pedir que este agradecimento também seja repassado à imprensa, que nos ajudou o tempo inteiro. Por isso tudo, estou sem dormir desde ontem", disse Vanuzia ao iG.

"Estamos também muito orgulhosas por termos colaborado com as investigações", complementou, referindo-se ao envio de documentos de chamadas telefônicas e registros bancários. Na mesma rede social, ela e suas colegas de causa pediam informações sobre o possível paradeiro de Abdelmassih. 

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