Ex-médico também deve ser interrogado sobre casos de manipulação genética; ele foi preso ontem (19) no Paraguai

O ex-médico Roger Abdelmassih deve ser interrogado sobre mais 26 casos de estupro. Segundo informações da delegada Celi Paulino Carlota, titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Abdelmassih também está sendo investigado por manipulação genética irregular. Quatro mulheres relatam ter tido problemas na gestação ou má-formação dos bebês após se submeterem a tratamento na clínica do ex-médico.

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"Mesmo depois de todos os casos que foram relatados em julho de 2009, as mulheres continuaram vindo até a delegacia para relatar abusos cometidos por Abdelmassih. Agora, pretendo pedir à Justiça para ouvi-lo", afirmou Celi.

A delegada conta que as vítimas relatam que o ex-médico se insinuava, dava beijos molhados no canto da boca, abraços forçados. Outras ainda falam que, enquanto seus maridos estavam em outra sala, ele tentava agarrá-las. "Algumas acreditam que foram estupradas quando estavam desacordadas por conta dos procedimentos médicos", diz Celi.

Abdelmassih estava foragido desde 2010 e foi preso na tarde desta terça-feira (19) em Assunção, capital do Paraguai. Após o procedimento de deportação sumária, Abdelmassih chegou em Foz do Iguaçu às 19h e, ainda segundo a PF, por volta das 19h50, o ex-médico foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar alguns exames. Como o lugar estava fechado, ele foi levado até o hospital municipal da cidade.

O ex-médico foi condenado pela Justiça a 278 anos de prisão e teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) de São Paulo por 52 estupros e atentados violentos ao pudor contra suas pacientes.

No entanto, Abdelmassih continuou em liberdade, na época, por ter obtido habeas corpus concedido pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O benefício foi cassado pelo próprio STF, em fevereiro de 2011. Desde então, Abdelmassih estava foragido.

O paradeiro de Abdelmassih foi descoberto, após investigações feitas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaedo) - Núcleo Bauru, do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).

Segundo o MP-SP, as pistas surgiram durante a apuração de novos crimes praticados pelo ex-médico e por terceiros, tais como favorecimento pessoal, falsidade ideológica e falsidade material, em cidades do interior paulista, entre elas, a de Avaré. Durante buscas em uma propriedade rural, foram encontrados indícios de que ele estaria no país vizinho. As informações foram então compartilhadas com a PF.

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