Condenado a 278 anos de cadeia por uma série de estupros, ex-médico foi preso na terça, no Paraguai, após três anos foragido

O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, chegou à Penitenciária de Tremembé II, no interior de São Paulo, às 18h40 desta quarta-feira (20). Foram cerca de duas horas de viagem desde a capital paulista.

O trajeto demorou um pouco nais que o previsto porque Abdelmassih, de 70 anos, vomitou e a viatura teve de parar até que ele melhorasse. 

A penitenciária de Tremembé abriga ou já abrigou outros presos conhecidos, como Alexandre Nardoni e Suzane von Richthofen.

Ele ficará em isolamento por dez dias, período no qual receberá atendimento médico e psicológico, até ser inserido no cotidiano com os outros presos da cadeia. Cinco viaturas da Polícia Civil fizeram a escolta do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, até o local.

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Durante o isolamento, Abdelmassih não poderá sair da cela nem mesmo para fazer as refeições. É a segunda vez que o criminoso ocupa uma cela no presidío de Tremembé, a 135 quilômetros de São Paulo. Em 2009, ele ficou detido por cerca de quatro meses. Um habeas corpus possibilitou que Abdelmassih fosse liberado pouco antes do natal. Foi nessa ocasião que o ex-médico fugiu do Brasil. Ele foi preso na capital paraguaia na terça-feira (19) e chegou a São Paulo nesta quarta-feira.

O presídio de Tremembé tem 408 vagas, mas atualmente conta com 451 presos.

Ex-referência da inseminação in vitro

Roger Abdelmassih, filho de libaneses, era considerado a principal referência para quem procurava por especialistas em inseminação in vitro. Passaram por seu consultório, no Jardim Europa – bairro nobre da capital paulista – nomes como Gugu Liberato , Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, o comendiante Tom Cavalcanti, além de políticos como o ex-presidente Fernando Collor de Mello e o senador Renan Calheiros.

Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão – ele foi acusado por ex-pacientes de estupro e abuso sexual, praticados quando as mulheres estavam sedadas. Investiga-se também se o ex-médico participou de uma operação de lavagem de dinheiro e se teria manipulado os óvulos das pacientes de forma criminosa.

Uma das vítimas que foi até o aeroporto de Congonhas nesta quarta-feira garante que o ex-médico usou o próprio esperma para fecundar óvulos de algumas pacientes.

O ex-médico aproveitou um habeas corpus concedido pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que revogou sua prisão preventiva, para fugir do Brasil.


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