Mais de 500 mil pessoas morreram no trânsito de 2003 a 2012, diz UFRJ

Por Agência Brasil |

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Levantamento mostra ainda um número de quase 2 milhões de feridos nos acidentes, com o pico de 447 mil em 2012

Agência Brasil

Nivaldo Lima/Futura Press
Responsável pela pesquisa, o professor de engenharia de transporte da Coppe, Paulo Cézar Ribeiro, diz que "uma cidade de grande porte que faleceu nos últimos dez anos" (17.08)

Acidentes de trânsito deixaram mais de 536 mil mortos no Brasil em dez anos, contabilizou uma pesquisa do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). A principal base de dados utilizada foi a da Seguradora Líder Dpvat, responsável pelo pagamento do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (Dpvat).

O levantamento começa no ano de 2003, com o registro de 34,7 mil mortes no trânsito, e constata um crescimento de quase 100% até 2007, ano em que é atingido o pico de 66,8 mil mortes. O número de vítimas cai até 50,7 mil de 2008 a 2010 e volta a subir nos anos seguintes, encerrando 2012 em 60,7 mil. Na conclusão, a pesquisa menciona que em 2013 houve novo recuo, para 54 mil.

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"É um número assustador de mortos, mas ninguém dá a menor bola para isso. As pessoas acham que faz parte da vida, mas é uma cidade de grande porte que faleceu nos últimos dez anos", destaca o professor de engenharia de transporte da Coppe, Paulo Cézar Ribeiro, o responsável pela pesquisa.

O banco de dados do Dpvat mostra ainda um número de quase 2 milhões de feridos nos acidentes, com o pico de 447 mil em 2012. A pesquisa usa ainda a proporção de acidentes/mortos e acidentes/feridos, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), para estimar que, no período, foram registrados 13 milhões de acidentes, sendo 8,1 milhões sem vítimas.

Veja imagens de acidentes de trânsito em São Paulo:

Carro ficou esmagado sob um dos ônibus. Os dois ocupantes do veículo morreram no acidente (12/02/2014). Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressDuas pessoas morreram e oito ficaram feridas no acidente em São Paulo. Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressSete equipes do Corpo de Bombeiros prestaram socorro às vítimas do acidente (12/02/2014). Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressVeículo que esmagou o carro ainda bateu contra a traseira de um outro ônibus. Oito pessoas ficaram feridas (12/02/2014). Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressAtendimento a pessoas feridas que estavam dentro do ônibus após acidente na avenida Verador José Diniz, nesta quarta-feira (12). Foto: Renato S. Cerqueira/Futura PressOutro acidente em SP. Carros colidem em acidente no Minhocão, centro de São Paulo (11/02/2014). Foto: J. Duran Machfee/Futura PressColetivo invade ao menos duas casas no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo (06/02/2014). Foto: Edison Temoteo/Futura PressCarro é engolido por cratera na Grande São Paulo (02/01/2014). Foto: Everaldo Silva/Futura PressCaminhão fica entalado em viaduto na avenida Pacaembu, zona oeste de São Paulo (07/02/2014). Foto: Futura PressFerrari é destruída em acidente na Marginal Tietê, em São Paulo (13/05/2013). Foto: Edison Temoteo/Futura PressFerrari 458 Spider, avaliada em R$ 2 milhões, bateu em poste no anel viário do Cebolão (13/05/2013). Foto: Edison Temoteo/Futura PressImpacto foi tão forte que as rodas da Ferrari 458 Spider saíram do veículo e caíram de ponte (13/05/2013). Foto: Edison Temoteo/Futura PressVeículo estava em alta velocidade quando o motorista perdeu o controle e causou o acidente (13/05/2014). Foto: Edison Temoteo/Futura PressOutro ângulo da Ferrari após acidente na Marginal Tietê (13/05/2013). Foto: Edison Temoteo/Futura PressDe acordo com testemunhas, o veículo estava em alta velocidade (13/05/2013). Foto: Edison Temoteo/Futura PressBicicleta danificada após ciclista ser atropelado e ter o braço decepado próximo ao metrô Brigadeiro, na avenida Paulista, em São Paulo (10/03/2013). Foto: J. Duran Machfee/Futura PressVeículo de passeio ficou destruído após colisão com ônibus na avenida da Casa Verde, zona norte (20/07/2012). Foto: HÉLIO TORCHI/AE/AECarro teve a frente totalmente destruída em colisao na avenida do Estado (09/05/2012). Foto: PAULO FISCHER/FUTURA PRESS/AEÔnibus invade imóvel e fede dois na zona leste de São Paulo (02/025/2012). Foto: LUIZ GUARNIERI/BRAZIL PHOTO PRESS/AEFerrari 458 Spider ficou destruída após acidente (13/05/2013). Foto: Edison Temoteo/Futura PressÔnibus passa sobre carro e mata casal na avenida Vereador José Diniz, zona sul de São Paulo  (28/02/2012). Foto: Diogo Moreira/Futura Press

A pesquisa, também, tenta fazer um levantamento do prejuízo que essas mortes causam por perda da força de trabalho, cuidados médicos, manutenção das estradas e outros ônus, mas esbarra na falta de dados sobre as circunstâncias dos acidentes. O estudo estima que cada morte no trânsito em área urbana custe R$ 232,9 mil, menos que a metade do custo das que ocorrem em rodovias, que somam R$ 576,2 mil. Como, segundo Ribeiro, não há como definir quais ocorreram em quais áreas, o estudo propõe que, num cenário em que todos se deram em áreas urbanas, o custo soma R$ 236 bilhões, e, no cenário oposto, o valor chegue a R$ 772 bilhões. A média, então, ficaria acima dos R$ 500 milhões.

O professor responsável pela pesquisa defende que é preciso estudar esses acidentes para que se possa enfrentar esse cenário: "Ninguém apoia acidentes de trânsito. Todo mundo é contra, mas as pessoas continuam dirigindo perigosamente e construindo vias ruins. É preciso mapear. Cada acidente tem que ser analisado, para definir se o motorista foi imprudente, se a estrada é perigosa, se a velocidade máxima está alta".

A pesquisa, também, traz dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que comparam as mortes registradas no Brasil com os outros países. Enquanto aqui há 19,9 mortos no trânsito para cada 100 mil habitantes, outros países registram números bem menores, como Estados Unidos (12,3), Finlândia (6,5), China (5,1) e Reino Unido (2,86). A pesquisa afirma que, se a OMS usasse os números do Dpvat, a proporção subiria para 30,9 em 2012.

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