ONS diz que medida da Cesp é preocupante por comprometer abastecimento de água

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Diretor-geral da entidade, que criticou governo paulista, afirma que geração de energia do Jaguari é quase insignificante

Um dia depois do comunicado à imprensa com críticas à atuação do Cesp (Companhia Energética de São Paulo), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) voltou a atacar o governo paulista e ressaltou que a grande preocupação da entidade é em relação ao abastecimento de água para consumo de habitantes de São Paulo e Rio de Janeiro, não o fornecimento de energia para eles.

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Vagner Campos / Divulgação
Alckmin no início captação do volume morto do Rio Jaguari, que se tornou alvo de disputa entre governos fluminense e paulista

"Jaguari é uma usina de duas máquinas de 13,8 megawatts e não significa praticamente nada em termos de abastecimento de energia", afirmou o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, nesta quarta-feira (13). Ele se referiu à medida da Cesp de reduzir em 1/3 a vazão da hidrelétrica do rio para garantir mais água para cidadãos abastecidos pelo Sistema Cantareira em São Paulo.

Segundo ele, a decisão unilateral do governo de Geraldo Alckmin de reduzir a vazão deveria ter sido tomada em conjunto, "como diz a lei", e ressaltou, em evento do Acende Brasil, que "o comando do Operador tem de ser aceito em nome da melhor solução global".

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O problema surgiu no auge da seca paulista, que tem recebido poucas chuvas e não deve vê-las de forma considerável nas próximas semanas, segundo meteorologistas. Assim, os reservatórios se encontram atualmente com níveis muito mais baixos do que o usual - o Sistema Cantareira tinha apenas 13,4% de sua capacidade na manhã desta terça.

"Temos escassez hidrológica no Paraíba do Sul (rio afluente do Jaguari) e isso tem de ser administrado com muito cuidado", afirmou Chipp. Ele confirmou que o impasse será discutido com a ANA (Agência Nacional de Águas) ainda nesta semana e ressaltou esperar por uma solução rápida para ele. Caso contrário, o tema poderá ser levado à Justiça.

"Você pode chegar a zero nos reservatórios de Funil, Santa Branca e Paraibuna antes do fim de novembro, e aí compromete o consumo de água no Rio e em São Paulo", disse o diretor-geral da ONS.

Projeções 
O ONS melhorou suas projeções para o nível dos reservatórios das hidrelétricas ao fim do período seco para o sistema Sudeste/Centro Oeste, o mais importante do País. A nova estimativa para os reservatórios das regiões é que eles cheguem 20% de sua capacidade de armazenamento.

Para região Nordeste, a previsão é de que ele fique entre 18% e 20%. "Nós estamos trabalhando no armazenamento de água. A estratégia é essa: manter o reservatório de cabeceira para quando a carga começar a crescer, no fim do período seco, se atender a ponta do sistema", concluiu Chipp.

*Com Reuters

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