Agência que coordena transmissão de energia no País diz que redução de 1/3 na vazão da Usina Hidrelétrica de Jaguari levará três reservatórios que abastecem SP e RJ a ficarem secos

Em documento divulgado nesta terça-feira (12), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirma que a decisão unilateral da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) de reduzir a vazão da Usina Hidrelétrica de Jaguari fará com que três reservatórios que abastecem cidades dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro esvaziem, levando-as ao "colapso" e deixando sem água os que são deles dependentes. A retirada do volume morto do Sistema Cantareira, atualmente com apenas 13,6% de sua capacidade, foi feita a partir do Rio Jaguari.

Leia mais:
Alckmin desafia ANA e Aneel e reduz vazão de rio

É a primeira vez que uma hidrelétrica descumpriu uma determinação do ONS, órgão responsável pela coordenação e controle da geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), fiscalizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo o diretor-geral da agência, Romeu Rufino, a Cesp estaria retendo mais água no reservatório do que a determinação do ONS - redução de 30 m³/s para 10m³/s na vazão.

"Ela operou a usina com defluência diferente da orientada, produzindo menos energia e, consequentemente, com vazão menor", disse Rufino, nesta terça.

Alckmin dá início à captação do volume morto da represa Jaguari, onde também há uma usina
Vagner Campos / Divulgação
Alckmin dá início à captação do volume morto da represa Jaguari, onde também há uma usina

Segundo o ONS, a redução praticada levará os reservatórios de Paraibuna, Santa Branca e Funil a ficarem totalmente vazios ainda antes do final da estação seca, previsto para outubro, se nelas não ocorrerem chuvas siginificativas no período. Meteorologistas afirmam que não há previsão de chuvas significativas para as próximas semanas.

Leia também:
Seca do Cantareira pode levar SP a depender de caminhões-pipa e água engarrafada

Representantes da Cesp informaram que a Secretaria de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo é quem deve se pronunciar sobre o assunto, mas, procurados, seus representantes não o comentaram. A companhia paulista tem um prazo de 15 dias para explicar sua posição. "A partir daí, a área de fiscalização vai analisar os comentários do agente e se posicionar. Pode punir ou não", disse Rufino, explicando que as punições vão de advertência a multa.

Bate-cabeça
Na segunda-feira (11), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu que fosse reduzida a vazão de água na usina hidrelétrica, que, além dos territórios paulista e fluminense, também abastece Minas Gerais. Segundo seu discurso, o descumprimento da determinação do ONS é legal, já que é preciso priorizar o abastecimento de água à população das cidades em detrimento do fornecimento de energia elétrica.

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, no entanto, criticou a "decisão unilateral" tomada pelo tucano. A questão é problemática no momento em que o Estado de São Paulo, às vésperas das eleições para o cargo de chefe de seu Poder Executivo, vive uma de suas piores crises de abastecimento hídrico da história.

A crise obrigou a companhia estadual de abastecimento de água, a Sabesp, a rever quase R$ 1 bilhão de seu orçamento deste ano e a adotar um programa de incentivo de economia de água, entre outras medidas.

*Com Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.