Rio e São Paulo iniciam estudos para preservar suas árvores urbanas

Por Bruna Talarico - iG São Paulo |

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Capitais realizam inventário de árvores urbanas para orientar políticas públicas; Rio sedia congresso nacional sobre o assunto

Elas ajudam a aumentar a umidade do ar, reduzir a temperatura, filtrar a poluição e ainda geram sombra e respondem por uma sensível melhora na qualidade de vida em grandes cidades. Mas, apesar de todos os benefícios trazidos por elas, as árvores das capitais brasileiras costumam não receber a devida atenção e raramente se vêem representadas no planejamento urbano.

Rio de Janeiro e São Paulo, as duas maiores cidades do Sudeste e do Brasil, ainda engatinham quando o assunto é a preservação, o manejo e a expansão de suas árvores, mas já começam a dar sinais de que uma nova mentalidade está surgindo. Enquanto a capital fluminense está na fase de diagnosticar o cenário carioca, realizando inventário de suas árvores, a capital paulista ainda está na fase de contratar empresa especializada para o cadastramento de todos os exemplares arbóreos existentes na cidade de São Paulo.

Confira as árvores mais antigas de São Paulo:

1º lugar: Figueira das Lágrimas - Est. das Lágrimas, entre o 515 e 530, Sacomã.  Leva o nome por ser ponto de despedida para quem seguia para o porto. É a mais antiga da cidade. Foto: Ricardo Cardim2º lugar: Jequitibá-branco do Trianon - Rua Peixoto Gomide, 949, Cerqueira César. Essa árvore da Mata Atlântica deve ser a mais antiga original na região central da metrópole.. Foto: Ricardo Cardim3º lugar: Chichá do Largo do Arouche - Largo do Arouche, centro. Símbolo de cartões-postais da primeira metade do século 20, o chichá já era uma árvore gigante de tronco comprido.. Foto: Ricardo Cardim4º lugar: Copaíba na Granja Julieta - Rua Inácio Borba, 286. Árvore devia fazer parte das margens do rio Pinheiros, antes de ser canalizado. Hoje está escondida e em área privada. Foto: Ricardo Cardim5º lugar: Copaíba do Colégio Friburgo - Av. João Dias, 242, Santo Amaro. Com copa e tronco grandes, essa centenária árvore nasceu dentro da floresta e resiste em meio a uma escola. Foto: Ricardo Cardim6º lugar: Cambuci de Santo Amaro - Praça Salim Farah Maluf. Esse exemplar é aparentemente o mais antigo cambuci da cidade, remanescente de pomar no Centro Histórico do bairro.. Foto: Ricardo Cardim7º lugar: Figueiras da Casa do Caxingui - Praça Ênio Barbato I. Árvores nativas da Mata Atlântica situadas na zona oeste relembram a paisagem rural paulistana de três séculos atrás.. Foto: Ricardo Cardim8º lugar: Figueira do Parque do Carmo - Itaquera. “Irmã” da figueira-das-lágrimas, do caxingui e do piques, as figueiras-bravas do Parque do Carmo devem ser mais do que centenárias.. Foto: Ricardo Cardim9º lugar: Jatobá do Parque da Luz  - Rua Ribeiro de Lima, 99, Bom Retiro. O parque mais antigo da cidade é um dos principais redutos de árvores centenárias na cidade de São Paulo.. Foto: Ricardo Cardim10º lugar: Figueira do Piques - Largo da Memória, centro. Uma das maiores árvore do centro, a figueira fica onde está o obelisco do Piques, o monumento mais antigo de São Paulo. Foto: Ricardo Cardim

O Rio também sai na frente quando, ao aprovar seu Plano Diretor, em 2011, já previa a elaboração de um Plano Diretor de Arborização Urbana, que consiste em um conjunto de métodos e de medidas adotadas para a preservação, o manejo e a expansão das árvores nas cidades que obedece parâmetros técnicos e o interesse da sociedade.

No recentemente aprovado Plano Diretor da cidade de São Paulo, que dita as diretrizes para o desenvolvimento urbano na cidade para os próximos 16 anos e em vigor há uma semana, também está prevista a elaboração de um Plano Diretor de Arborização Urbana. Procurada, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente não soube informar em que moldes o plano será feito, nem quando o inventário terá início.

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Poucas são as cidades que contam com um Plano Diretor de Arborização Urbana. Porto Alegre e Goiânia são exemplos positivos: a primeira instituiu o seu em 2006 e, a segunda, em 2008.

No Sudeste, Belo Horizonte está elaborando o seu e já iniciou o catálogo de suas árvores: até abril já haviam sido inventariadas184,3 mil de 465 mil. Esta etapa costuma preceder a de elaboração de políticas públicas; o processo termina com a implementação destas polícitas. 

Congresso Brasileiro de Arborização Urbana

Em novembro, o Rio de Janeiro receberá o XVIII Congresso Brasileiro de Arborização Urbana, que discutirá o planejamento e a gestão das florestas urbanas; a tecnologia aplicada à silvicultura urbana; e política, legislação e educação para proteção das árvores urbanas.

Sediado pela segunda vez no Rio, o congresso anual acontecerá em 2015 em São Paulo. "São poucos municípios que possuem um inventário de suas árvores e orientam políticas públicas nesse sentido. A ciência de arborização no Brasil ainda é muito nova", avalia Flávio Telles, engenheiro florestal da Fundação Parques e Jardins e presidente do Congresso Brasileiro de Arborização Urbana. "São Paulo tem o privilégio de ter um instituto de pesquisa e tecnológico dentro da própria cidade. Muitos dos grandes pesquisadores nacionais do assunto vêm da USP", complementa.

Histórico paulistano

Há um mês, a derrubada de uma árvore centenária no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo, trouxe à tona discussões acaloradas em defesa da arborização urbana. A figueira da espécie Ficus Elastica foi cortada para dar lugar a um condomínio residencial de alto padrão, e sua perda só foi possível por conta de uma interpretação abusiva do Termo de Compensação Ambiental (TCA), concedido pela Prefeitura em troca do plantio de 12 mudas. 

"O que era para ser uma situação de exceção, virou regra. O TCA está sendo usado como moeda de troca para árvores adultas, e isso não deveria acontecer", critica o botânico Ricardo Cardim, da Univesidade de São Paulo (USP). Entre 2008 e 2012, o especialista fez um levantamento das árvores mais antigas de São Paulo, transformado então no projeto Veteranas de Guerra, que virou livro sobre a vegetação da cidade de São Paulo com ênfase nas árvores que sobreviveram à transformação da capital de cenário rural para urbano. "Uma muda leva 25 anos pra se tornar adulta. São 25 anos para substituir a árvore que foi removida. Por seu porte, essa árvore equivalia a uma praça inteira", reforça.

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