Segundo pesquisa, 23,5% dos pilotos bebem com regularidade acima da recomendável, consequência do estresse no trabalho

A Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac) afirmou, em nota enviada ao iG na tarde desta sexta-feira (11), que o uso de álcool classificado como "de risco" por parte dos profissionais da categoria não afeta a segurança de passageiros e tripulantes em voos regulares no Brasil. Segundo a pesquisa "Fadiga Crônica, Condições de Trabalho e Saúde em Pilotos Brasileiros" , divulgada pela entidade nesta semana, quase 25% dos pilotos apresentam hábitos de consumo de bebidas além dos recomendáveis, o que na prática significa serem mais propícios a desenvolver dependência no futuro.

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Elaborado com metodologia científica, com a participação direta de 1.235 pilotos, o estudo chegou aos dados sobre consumo de álcool por meio do AUDIT (The Alcohol Use Disorders Identification Test - teste de identificação de desordem no uso de álcool), método criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) composto por um questionário simples que visa a identificar os graus de uso de bebidas alcoólicas entre as pessoas. A conclusão aponta que 23,5% dos pilotos estão na categoria "uso de risco" de álcool e 1%, na de "uso nocivo" (possível dependência).

"Os 25% são de pilotos que bebem álcool em quantidade e frequencia que implicam algum risco de desenvolverem alcoolismo no futuro. Como acontece com muitas outras profissões, inclusive em porcentagem bem maior", justifica a associação.

Piloto com mais de seis anos de experiência na aviação ouvido pelo iG relatou serem comuns casos de profissionais da categoria que passam madrugadas ingerindo bebidas alcoólicas e, após dormirem poucas horas, vão ao trabalho, mesmo sonolentos. Segundo ele, isso ocorre principalmente devido à dificuldade de vida social na categoria em decorrência das poucas folgas, longas jornadas e do ofício estressante.

A Abrapac enfatiza que, mesmo o piloto com maior propensão ao uso frequente do álcool, é "virtualmente impossível entrar no cokpit de um avião alcoolizado". "Pilotos chegam ao aeroporto pelo menos duas horas antes do voo e, durante esse tempo, permanecem no D.O. (depto. de operações) da companhia recebendo instruções e fazendo checagens e briefings com diversos colegas. Durante esse tempo, qualquer estado alterado pode ser facilmente percebido pelos demais. E é norma no mundo todo os colegas (comissários, copilotos, despachantes de voo etc.) reportarem imediatamente, antes do voo, qualquer suspeita de embriaguez. Em nome, inclusive, de sua própria segurança."

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