Integrantes do MTST, do Comitê Popular da Copa e de tribos indígenas voltam às ruas da capital na próxima sexta-feira

Agência Brasil

Membros do Comitê Popular da Copa anunciaram, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (28), que realizarão um novo ato em Brasília na próxima sexta (30). O objetivo é dar continuidade à manifestação interrompida após confronto com a Polícia Militar na terça (27), quando três pessoas foram presas e ao menos duas saíram feridas.

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“O tenente-coronel Moreno, indicado como comandante da operação, conhecia nosso trajeto. Nossas intenções eram pacíficas, não tínhamos o menor interesse de enfrentamento com o governo. A violência partiu do Estado e o resultado foi esse: pessoas machucadas”, disse Thiago Ávila, membro do comitê, que marcou o novo protesto para as 17h de sexta em frente ao Museu da República, no centro da capital.

Índios protestam no Congresso na terça
Agência Brasil
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Outro integrante do grupo, Rodolfo Mohr explicou que o movimento tem se esforçado para orientar os participantes a não incitarem a violência: “Nossos objetivos estão sendo organizados em plenárias em todo o Distrito Federal. Discutimos o melhor caminho para atingir esses objetivos e muitos atos são pacíficos. Esse é um trabalho de conscientização difícil de ser feito. Nós não vamos a passeatas pedindo bomba e spray.”

Além do comitê, representantes de mais dois movimentos que participaram da manifestação, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e indígenas, conversaram com os jornalistas.

“Em momento nenhum fomos nós que procuramos o confronto. Nosso objetivo era a caminhada pacífica. Não somos vândalos”, explicou Cretan, da etnia Kaingang, que reivindica com outras tribos a demarcação de terras em várias regiões do Brasil.

Enquanto um lado se queixa da truculência da polícia e do descumprimento do combinado, do outro a PM rebate, dizendo o contrário. Após a confusão, o coronel Jaílson, comandante da operação, disse que o acordo foi descumprido pelos manifestantes, que começaram a atirar pedras e flechas. “Foi isso de desencadeou o problema”, afirmou.

O cacique Marcos, índio Xucuru, disse não saber quem disparou a flecha que acertou o policial, mas, ainda assim, explicou o ocorrido. “Não sei em que situação aconteceu. Mas temos muitos indígenas que sequer falam português. Imagina eles se sentindo ameaçados pelo Estado? Eles reagem em legítima defesa”, disse.

Ele afirmou ainda que a presença de arcos, flechas e burdunas na manifestação faz parte da cultura indígena durante suas danças, e que portarem esses objetos não constitui uma ameaça à polícia.

Edson da Silva, do MTST, reiterou a presença do movimento nos protestos: “Vamos estar na rua de novo. Não é com bomba que vão parar as manifestações. É com diálogo e com respeito.”

Em evento realizado na manhã desta quarta, o governador do DF, Agnelo Queiroz, repetiu o discurso da polícia e condenou as manifestações violentas. “Brasília é uma cidade acostumada a manifestações o ano inteiro, manifestações pacíficas. Não vamos permitir atos violentos", decretou.

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