Enquanto um grupo não tem líder, defende pautas difusas e reúne cada vez menos gente; trabalhadores sem teto marcham em prol da moradia e atraíram 15 mil na última manifestação

A menos de 20 dias do início da Copa do Mundo, no dia 12 de junho, São Paulo, palco da abertura do Mundial, convive com dois tipos de manifestação bem distintas contra o evento.

Uma delas, convocado pelas redes sociais, realizou a sua oitava edição neste sábado (24). Apesar de ter terminado de forma pacífica, essas manifestações têm histórico de violência, quebra-quebra e hostilidade policial, o que tem afastados manifestantes. Neste sábado, a marcha reuniu cerca de 300 pessoas na praça da Sé, região central de São Paulo.

Se por um lado, os atos convocados pela internet têm atraído cada vez menos pessoas, a cidade viu, na última quinta-feira (22), uma multidão "vermelha" de 15 mil pessoas marchar do largo da Batata, na zona oeste, até a ponte Estaiada, na marginal Pinheiros, zona sul. O protesto não registrou incidentes.

Esse foi o terceiro ato organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e pela Resistência Urbana. Diferente dos protestos convocados pela internet, que têm pautas difusas contra a realização dos jogos e não têm uma liderança específica, os manifestantes convocados pelo MTST marcham em prol da moradia. Ao lado de outros 12 coletivos, o MTST promete um "junho vermelho" caso as revindicações não sejam atendidas.

Os dois primeiros atos promovidos pelo MTST incluíram o fechamento de vias importantes da cidade, como a marginal Pinheiros e a avenida Paulista, e a invasão a sedes de empresas que construíram (ou reformaram) estádios da Copa. Em nenhum dos atos foi registrado vandalismo ou prisões.

'Se não tiver direito, não vai ter Copa'

Já as manifestações do "Se não tiver direito, não vai ter Copa" , que têm a participação dos Black Blocs (grupo que prega a depredação como protesto), estão marcadas por reivindicações difusas, como saúde, transporte e educação, e por histórico de vandalismo, violência policial e prisões.

No primeiro ato, em 25 de janeiro deste ano, o estoquista Fabrício Proteus Chaves, de 25 anos, que participava do protesto, foi baleado por policiais militares , que disseram que ele teria sacado um estilete. Além disso, o mesmo ato acabou com depredações e 128 presos.

Na segunda manifestação, em fevereiro, houve quebra-quebra e 120 pessoas foram detidas. A PM utilizou a chamada Tropa do Braço e formou um cordão de isolamento que impediu parte dos manifestantes de continuar a marcha. Policiais, manifestantes e jornalistas ficaram feridos.

Um mês depois, o terceiro ato terminou com apenas cinco detidos e não registrou tumultos, mas teve cinco detidos. O quarto ato foi o mais tranquilo de todos e não registrou nenhum incidente.

Já no quinto ato, que aconteceu no dia 15 do mês passado, 54 manifestantes foram presos e três bancos foram depredados. O sexto ato voltou a ser pacífico, diferente do sétimo, que teve tensão, quebra-quebra e detidos menos de 20 minutos após o grupo iniciar a caminhada.

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