Com participação de 300 pessoas, Marcha das Vadias termina na praça Roosevelt

Por Iran Giusti | - Atualizada às

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O tema deste ano foi 'Quem cala não consente'; expectativa era reunir 3 mil pessoas, mas chuva e frio espantou público

Marcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGConcentração da Marcha das Vadias, no vão do Masp, em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMichele protesta contra machismo na Marcha das Vadias, em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iGMarcha das Vadias em São Paulo. Foto: Iran Giusti/iG

Após reunir cerca de 300 pessoas, caminhar pela avenida Paulista e descer a rua Augusta, a Marcha das Vadias terminou por volta das 17h deste sábado (24) na praça Roseevelt, na região central de São Paulo.

A marcha saiu do vão livre do Masp por volta das 15h, com duas horas de atraso, com os manifestantes ocupando três das quatro faixas da Paulista. Logo em seguida, a marchaocupou todo o lado da avenida no sentido Pinheiros. Sob o grito de guerra "A porra da b. é minha", a manifestãção pacífica foi seguida por 45 policiais e 4 viaturas.

A expectativa era de que a marcha deste ano, cujo tema é “Quem cala não consente”, reunisse 3 mil pessoas. Mas o frio e a chuva fizeram com que o número diminuísse. Segundo a Polícia Militar, 300 pessoas participam do ato.

Quem compareceu, no entanto, chegou animado. “Não são só mulheres que marcham”, disse Rebeca da Silva, jornalista de 28 anos. “Esperamos todos que querem protestar contra o machismo e a cultura do estupro.”

Rebeca se apresenta como um membro da marcha, mas evita usar a palavra organizadora, já que a marcha é um movimento horizontal, que refuta a hierarquia.

Iran Giusti/iG
Mara Nigg e a filha Kalynka Nigg participam da Marcha das Vadias há 4 anos

Mara Nigg, 54 anos, e sua filha Kalynka Nigg, 29, vão sempre juntas para a manifestação. “É muito importante participar porque toda mulher, em algum momento da vida, vai passar por uma situação de pressão por conta de atitudes machistas”, diz Mara, mãe de duas mulheres, ambas feministas. “Hoje a Marcha das Vadias é um exemplo de visibilidade, eu faço questão de participar de todas, desde a primeira edição, quatro anos atrás”, diz Kalynka.

Ao lado dos participantes da marcha, um grupo concentradíssimo, formado por crianças e adultos, trocava figurinhas da Copa no vão do Masp. Jacqueline Parsi, gerente de marketing de 27 anos, estava com o namorado, Diego Pio, de 28, e não tinha a menor ideia da intenção do grupo que aumentava, confeccionava cartazes e... se despia.

Michelle Serraro, designer de 33 anos, já estava com seu cartaz pronto e o decotão a bordo para o início da manifestação. No seu cartaz, ela informava: "Meu decote não é vitrine para você olhar".

Os três princípios da marcha

A Marcha tem três princípios principais: a luta pela autonomia do corpo, pela não culpabilização da vítima e contra a cultura do estupro.

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Casal troca figurinhas da Copa na banca de revistas ao lado da concentração da Marcha

O tema deste ano, quem cala não consente, pretende derrubar o estereótipo de que a mulher estuprada é atacada quando está sozinha em um beco escuro. O estupro é mais do que isso, dados apontam que muitos acontecem dentro da própria casa, na maioria das vezes por conhecidos. Tem também casos em que a mulher não tem voz, como em casos de assédio sexual no trabalho ou em situações de medo, em que é difícil dizer não.

Tem também a questão da mulher que exagera na bebida. “Se por escolha própria você decidiu beber, não quer dizer que isso autoriza o estupro”, diz Rebeca. “É a velha questão do ‘cu de bêbado não tem dono’. Tem sim! O fato de a pessoa estar inconsciente não quer dizer que está consentindo algo.”


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