Marcha pela legalização da maconha reúne 4 mil pessoas em Brasília

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Parte dos participantes do movimento dividiu substância no protesto, que teve auge em frente ao Congresso Nacional

Agência Brasil

Cerca de 4 mil pessoas estiveram nas ruas da região central de Brasília para a realização da Marcha da Maconha, segundo estimativa da Polícia Militar, nesta sexta-feira (23). "A gente quer colocar em pauta a legalização da maconha. Acreditamos que a legalização é um passo chave para o Brasil avançar na solução de uma série de outros problemas, como a repressão a comunidades pobres, a criminalização de movimentos sociais, entre outros", explica Marcelo Pedroso, um dos organizadores do movimento na cidade.

Valter Campanato/Agência Brasil
Manifestantes prepara cartaz para protesto realizado na cidade

O ato, que teve alguns dos presentes usando a substância, reuniu ativistas, movimentos e coletivos. Entre eles, o CannaCerrado, Movimento pela Legalização da Maconha, Apologia, 4h20 Horário de Brasília, SmokeBuddies e Flor & Cultura. Os manifestantes têm como objetivo enfrentar o preconceito e o tabu que ainda cercam o debate sobre o tema. "Quem fuma maconha também estuda, trabalha", enfatiza a doutoranda em Filosofia Constança Barahona.

Eles também comemoram avanços, como a regulamentação da produção, comercialização e uso da planta em países como o Uruguai, que consideram fortalecer o movimento no Brasil, que defende a legalização como uma política pela redução da violência gerada pelo tráfico e a diminuição do número de presos por crimes associados ao uso da substância.

Para defender a causa, a estudante de filosofia Cecília Borges levou a filha, Mirra, de 5 meses. "Eu quero que ela cresça em um mundo onde haja liberdade de escolha e não em um lugar onde é o Estado que impõe [o que pode ou não ser feito]", diz.

No Congresso Nacional, pelo menos três iniciativas tratam do assunto. Uma delas, fruto de iniciativa popular, foi apresentada por meio do Portal e-Cidadania do Senado Federal, com 20 mil assinaturas. A proposta é que o uso da maconha seja regulamentado, como ocorre com outras drogas, como bebidas alcoólicas e cigarro. A sugestão está na Comissão de Direitos Humanos do Senado, sob relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Na Câmara, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) protocolou projeto (PL 7187/2014) que prevê a descriminalização do consumo, produção e comércio da maconha. Há também o PL 7187/2014, do deputado Eurico Júnior (PV-RJ), que trata do tema.

Nesta semana, Cristovam Buarque divulgou estudo que mostra que a maconha ocupa o terceiro lugar em consumo de drogas no Brasil, atrás do álcool e cigarro. O relator também destacou que, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2013, a cannabis continua sendo a substância ilícita mais utilizada no mundo.

As marchas da maconha surgiram nos EUA, na década de 1990. No Brasil, são realizadas sobretudo no primeiro semestre, a partir do dia 20 de abril, que corresponde a 4/20 em formato estrangeiro de data, considerado o Dia da Maconha. Neste ano, várias atividades foram realizadas simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Já o mês de maio é tido pelos movimentos como o Maio Verde.

Nesta sexta, os manifestantes marcharam até o Congresso Nacional, onde se posicionaram no gramado para formar o desenho de uma folha de maconha. Parte dos manifestantes compartilhou um grande cigarro da substância na marcha. A polícia justificou que foi ao ato para garantir a segurança e não para reprimir os participantes.

Mais tarde, os participantes voltam ao Museu Nacional, onde a marcha teve início. Às 19h, uma aula pública sobre o tema será ministrada pelo neurocientista Renato Malcher.

Pelo Facebook, mais de 16 mil pessoas confirmaram presença nas marchas em pelo menos 16 cidades. No sábado (24), atos semelhantes ocorrem em Campo Grande e Nova Iguaçu. No domingo (25), em Fortaleza, Curitiba, Santa Maria, Natal e Aracaju. 

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