"Lelé entendia a arquitetura como tecnologia, além de ter um pensamento no sentido de ligar o projeto ao canteiro de obras"

O renomado arquiteto e urbanista João Filgueiras Lima, mais conhecido como Lelé Filgueiras, morreu na manhã desta quarta-feira (21), no Hospital Sarah Kubitschek, em Salvador (BA). Um dos protagonistas da arquitetura moderna no País, ele tinha 82 anos.

Arquivo: Lelé ao iG: "Não foi a agricultura que acabou com a Mata Atlântica, foi a construção"

O corpo de Lelé será velado por volta das 16h na capela do Centro Administrativo da Bahia (CAB) e depois seguirá para Brasília, onde também haverá velório, em local ainda não confirmado. Não foi divulgada a causa da morte do arquiteto, que estava internado há alguns dias.

"Lelé era um profissional que entendia a arquitetura como tecnologia, além de ter um pensamento no sentido de ligar o projeto ao canteiro de obras", disse ao iG a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IBA) na Bahia, Solange Souza Araújo. "Ele não apenas projetava, mas definia os detalhes dos projetos lá no canteiro de obras, se relacionava diretamente com os operários para indicar como fazer os trabalhos."

Carreira

Lelé iniciou sua carreira em 1957, durante a construção de Brasília. Na ocasião, trabalhou ao lado de Oscar Niemeyer e foi influenciado por sua técnica de combinar a exploração da industrialização da construção civil com o recurso de forma livre, comumente aplicando formas sinuosas às suas obras.

Na década de 1960, na capital federal, começou a atuar em projetos autorais, como a residência para a embaixada da África do Sul e as sedes das montadoras Disbrave-Volkswagen, Planalto Automóveis-Ford e Codipe-Mercedes Benz. Também foi responsável pelos projetos de toda a rede de hospitais Sarah Kubitschek, onde morreu.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.