Retrato falado que motivou linchamento foi feito pela polícia do Rio

Por Agência Brasil | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

O retrato falado faz parte da investigação conduzida pela 21ª Delegacia de Polícia, na zona da Leopoldina do Rio

Agência Brasil

Reprodução/Youtube
Fabiane Maria de Jesus, de 31 anos, foi linchada em Guarujá após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças

O retrato falado divulgado em uma rede social e que levou à agressão da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, no Guarujá, em São Paulo, foi feito por peritos da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), no Rio de Janeiro. A dona de casa foi confundida com a mulher do retrato falado e acabou sendo espancada por moradores da comunidade de Morrinhos. Ela foi amarrada e agredida até a chegada da Polícia Militar, que fez um cordão de isolamento para evitar que os moradores continuassem a agredir a dona de casa.

O retrato falado faz parte da investigação conduzida pela 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso), na zona da Leopoldina do Rio, em um caso de tentativa de sequestro. Após a divulgação do retrato na internet, a dona de casa foi confundida com a mulher retratada, que é suspeita de tentar roubar um bebê em 2012. A tentativa ocorreu após uma mãe sair de uma clínica com seu bebê, onde a criança fez o exame do pezinho. Um homem, que passava pelo local, interrompeu a ação da suposta criminosa ao ver a mãe com um corte no pescoço e correndo para conseguir pegar a filha de volta. O caso ocorreu em Ramos, também na zona da Leopoldina.

Leia também: Polícia prende suspeito de participar de linchamento no Guarujá

Mulher linchada em Guarujá carregava Bíblia com foto das filhas

Sepultamento: Clima de revolta marca enterro de dona de casa espancada

Segundo a Polícia Civil, o retrato falado foi feito com base em características físicas passadas pela vítima ao retratista do setor especializado da instituição. Na época, a mãe do bebê disse aos policiais que a acusada era negra, estava acima do peso, tinha cerca de 1,60 m e aproximadamente 25 anos.

A Polícia Civil informou também que a investigação da tentativa de sequestro do bebê e da lesão corporal da mãe está em andamento. A suposta criminosa ainda não foi identificada. A polícia informa que divulga retratos falados como meio de identificação, já que a divulgação da imagem pode ajudar a levar ao paradeiro do autor de um crime.

A página Guarujá Alerta, no Facebook, divulgou boato de que uma mulher estaria sequestrando crianças na cidade para usar em rituais de magia negra. O boato prosperou por causa do retrato falado. O responsável pela página prestou depoimento hoje (6) à Polícia Civil. O autor do Guarujá Alerta disse que as postagens deixavam claro que a polícia não confirmava a veracidade das informações e explicitava o tom de boato.

Fabiane de Jesus morreu na manhã de segunda-feira (5), dois dias após o linchamento. Carregando cartazes com pedidos de justiça, parentes e amigos da dona de casa fizeram umprotesto na manhã de hoje (6). A manifestação ocorreu após o enterro da dona de casa, no Cemitério Municipal Jardim Paz do Morrinho.

Mais: Advogado de família de mulher linchada pede punição para mau uso da internet

Imagens de celular podem identificar parte dos autores de linchamento no Guarujá

Adolescente foi preso pelo pescoço por uma trava de bicicleta, no Rio, após ser suspeito de cometer um roubo. Foto: Reprodução internetA dona de casa morreu na manhã desta segunda-feira (5), depois de dois dias internada em UTI. Foto: Reprodução/YoutubeFabiane Maria de Jesus, de 31 anos, foi linchada em Guarujá após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças. Foto: Reprodução/YoutubeFabiane foi agredida no último sábado (3) por dezenas de pessoas e deixada inconsciente. Foto: Reprodução/YoutubeMulher é carregada por moradores após ser agredida em Guarujá. Foto: Reprodução/YoutubePolícia Militar foi acionada após moradores tentarem agredir adolescente que confessou ter matado a filha em São Paulo. Foto: Edison Temoteo/Futura PressÔnibus depredado em São Paulo. Motorista fugiu após atropelamento por medo de ser linchado. Foto: EDISON TEMOTEO/AE/AECarro de estudante que atropelou os colegas em universidade em São Paulo. Veículo foi destruído por alunos que queriam linchar atropelador após o acidente. Foto: Futura Press


Leia tudo sobre: linchamentopolíciaretrato faladoguarujájusticeirosigsp

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas