Ministério do Trabalho investiga queixa de trabalho escravo envolvendo haitianos

Por Ana Flávia Oliveira - iG São Paulo | - Atualizada às

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Vinte imigrantes teriam sido aliciados por um estrangeiro e levados em um ônibus para trabalhar em Santa Catarina

Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
Haitianos no pátio da Missão Paz, no Glicério, centro de São Paulo

O Ministério Público de São Paulo investiga a primeira denúncia de trabalho escravo envolvendo haitianos recém-chegados a São Paulo. Segundo a denúncia, um estrangeiro teria usado um ônibus para transportar de forma clandestina cerca de 20 imigrantes haitianos para trabalhar em uma cidade de Santa Catarina. O aliciamento teria acontecido na semana passada.

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Renato Bignami, auditor fiscal do trabalho e coordenador da área de trabalho escravo da superintendencia do Ministério do Trabalho em São Paulo, disse que recebeu a denúncia da Missão da Paz, entidade ligada a Igreja Católica onde os haitianos estão sendo recepcionados, no Glicério, região central de São Paulo. Bignami não revelou o ramo de atividade para qual eles foram cooptados.

“Os haitianos são trabalhadores considerados vulneráveis. Eles são estrangeiros, veem de uma questão de miséria, não falam o idioma e precisam de trabalho. Quem promete leva”, afirmou. Ele diz que, para convencer os haitianos, os aliciadores prometem salários e condições de trabalho que não pretendem cumprir.

“A Missão de Paz está recepcionando essas pessoas, encaminhando, dando assistência, mas a coisa é muito grande. Eles não conseguem controlar e isso acaba gerando aliciamento”, afirma Bignami.

Onda migratória

Desde o terremoto que destruiu parte do Haiti e matou mais de 300 mil pessoas em 2010, o governo brasileiro concede visto de permanência, em caráter humanitário. Grupos de haitianos chegam ao País atravessando a fronteira pelo Acre. Mas, por causa das cheias que atingiram o Estado no começo do ano, o governo acriano fechou um abrigo para esses imigrantes no começo deste mês e tem custeado passagens de ônibus com destino à São Paulo. Desde então, cerca de 450 haitianos já foram recepcionados na Missão Paz.

Segundo o padre Paolo Parise, diretor do Centro de Estudos Migratórios (CEM) e da Missão Paz, os haitianos têm sido abrigados de forma improvisada no salão da igreja.

“Nesta noite dormiram 120 pessoas no salão. Ontem [terça-feira] chegaram 23 pessoas, uma delas era uma criança de quatro anos. Parece que agora está tranquilizado”, disse ele, referindo-se ao fato de não ter chegado nenhum ônibus vindo do Acre nesta quarta-feira.

Além da Missão Paz, os haitianos também estão sendo abrigados em uma igreja no Tucuruvi, na zona norte de São Paulo. “A prefeitura doou os colchões, está fornecendo transporte, alimentação e colocou 50 beliches na paróquia do Tucuruvi. Está fazendo, mas o ritmo está devagar”, diz Parise. “Precisamos de uma estrutura permanente para oferecer mais condições a eles”, conclui.

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