Defesa responsabiliza Estado por falha em perícia no caso Carandiru

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Terceiro dia da terceira fase do julgamento será retomado amanhã a partir das 9h

A defesa dos 15 policiais do Comando de Operações Especiais (COE), julgados pela morte de oito presos e duas tentativas de homicídio no massacre do Carandiru, defendeu seus clientes nesta terça-feira (1º) afirmando que seria impossível culpa-los pelos crimes porque o Estado se omitiu ao não propiciar as condições para os confrontos balísticos, que permitiriam saber quem atirou em quem.

As vítimas ocupavam o quarto pavimento (terceiro andar) do Pavilhão 9 da instituição, que foi desativada. Quatro dos detentos foram mortos por armas de fogo e os outros por armas brancas.

"Não foi feita a balística forense não por culpa dos réus, mas por culpa do Estado. É assim que se faz justiça em meu País?”, questionou o defensor Celso Vendramini.

De acordo com o advogado, os presos mortos foram identificados de acordo com o andar em que viviam, não pela comparação entre as balas e as armas apreendidas. "Como vou saber se esses quatro mortos estavam no terceiro andar?", questionou. Para ele, os PMs foram a julgamento apenas porque admitiram ter atuado no terceiro andar.

Vendramini concluiu tentando dissociar seus clientes da ditadura militar, que hoje completa 50 anos. “Os militares são vistos como os militares da época da ditadura. Vivi a época da ditadura militar. Não quero mais isso", afirmou.

Em um tom mais ameno que no último julgamento, quando chegou a dizer que “é melhor um bandido morto que um policial ferido”, o defensor dirigiu seu foco à imprensa. “Se eles [policiais] saírem absolvidos, não haverá manchete de jornal amanhã (2). Se eles forem condenados, estará em todos os jornais”, disse ele.

Após sua fala, que durou duas horas e 20 minutos, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo encerrou os trabalhos de hoje, com previsão de retorno às 9h de amanhã com a fase de réplicas e tréplicas e posterior reunião do Conselho de Sentença para decidir se os réus serão ou não condenados pelos crimes.

Leia também:

1º júri: Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre no Carandiru

2º júri: Júri condena 25 PMs a 624 anos de prisão por massacre no Carandiru

3º juri: Advogado abandona plenário e julgamento do Carandiru é cancelado

4º júri: Júri condena 10 PMs a penas de até 104 anos de prisão pelo massacre 

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