Não há registro de ataque a pessoas, mas de sumiço de animais no entorno do lago Cuniã, onde vive a maior espécie de jacaré

A superpopulação de jacarés do lago Cuniã, em Rondônia, é mais uma ameaça aos moradores afetados pelas cheias, segundo informações do governo do Estado. As águas do lago transbordaram e passaram a se confundir com as do rio Madeira, que só em Rondônia deixaram 12 mil desabrigados e quatro municípios em estado de emergência: Porto Velho, Guajará-Mirim, Nova Mamoré e Rolim de Moura. 

Veja fotos da cheia em Rondônia:

A expansão da área alagada pelo lago Cuniã espalha a população de jacarés e ameaça os moradores que se recusam a deixar suas casas. Ainda não há registro de ataque a pessoas, mas sim a outros animais, como cachorros, galinhas e patos. A espécie predominante do lago Cuniã é o jacaré-açu, a maior de todas, que tem comprimento médio de 3,5 m - podendo chegar a mais de 5 m - e peso em torno de 300 kg.

O aposentado Raimundo Rodrigues de Araújo, de 71 anos, morador da comunidade de Papagaio, conta ter visto um jacaré-açu carregando uma gaiola de galinhas. Para salvar a criação, há moradores improvisando galinheiros flutuantes. Além da criação de animais, os ribeirinhos vivem da agricultura de subsistência, com plantações de banana, mandioca, coco e cupuaçu - hoje destruídas pelas águas.

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Para lidar com a invasão das águas dentro de casa, os ribeirinhos montam estrados de madeira que servem de sustentação para móveis, colchões e eletrodomésticos e podem ser erguidos à medida que o nível da água sobe. Parte dos moradores oferece resistência à transferência para abrigos por conta da intensa relação de proximidade com o rio, de onde tiram sustento tanto pela pesca como também pela própria caça de jacarés. Como a região é superpovoada, há incentivo a iniciativas de manejo. 

Dezenas de famílias atingidas improvisam moradias em balsas de garimpos e em barcos de porte médio, chamados de batelões. Eles ocupam a região entre Porto Velho e o distrito de Calama, na divisa com o município de Humaitá (AM), que está em estado de calamidade.

Os desabrigados pelas cheias estão sendo trasferidos pela Defesa Civil para ginásios esportivos, escolas públicas, igrejas e acampamentos montados nas poucas áreas de terra que ainda estão secas. 


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