Ortopedia do Hospital do Servidor entra em crise e idosos esperam nos corredores

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Pacientes reclamam de superlotação, demora no atendimento e descaso: “querem se livrar de mim”, diz mulher de 70 anos

Conhecido pela superlotação de seu pronto-socorro, o Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe) agora é alvo de reclamações em uma de suas especialidades, a ortopedia.

Leia também: Com tumor no cérebro, paciente espera por atendimento no corredor

Pacientes aguardam até 8h atendimento no Hospital do Servidor

Superlotação se mantém 1 ano após promessa de reforma

Reportagem do iG flagrou bate-boca entre pacientes e funcionários, que tentam administrar o atendimento de centenas de servidores públicos – a maioria idosa – que se espremem pelo corredor destinado a quem precisa cuidar de ossos e articulações.

Wanderley Preite Sobrinho/iG
Idosa de 70 anos, que preferiu guardar sigilo sobre seu nome, sofreu rejeição na prótese que colocou no joelho. "Eu avisei que estava inflamado e ninguém me ouviu"

Uma delas é a aposentada C.P.E (70), com artrose nos dois joelhos. “Parece que eles querem se livrar de mim. Quando eu reclamei de dores depois que colocaram a prótese, eles me ignoraram, agora minha perna está inchada e corro o risco de precisar passar por outra cirurgia para retirar a prótese. Estou com medo.”

Problema semelhante enfrenta a servidora Angélica Rogai, que preferiu esperar no corredor ao lado, onde havia lugar para sentar. “Eles demoram de três a quatro meses para atender. Como ainda não tenho 60 anos, não posso colocar prótese pelo SUS [Sistema Único de Saúde] ou pelo Estado, mas eu já não tenho firmeza nos joelhos. Essa semana mesmo eu cai.”

Aguardando desde as 8h30, Célia Aires Manfre (37) reclamava em voz alta a espera de quatro horas para que a filha, adolescente, passasse por um exame. “Estamos desde maio do ano passado aguardando resposta para saber se ela precisa operar a coluna”, lamenta. "Se não descontassem da gente todo mês, eu aguentaria calada”.

Professora, ela explica que o Iampse – autarquia que administra o hospital – desconta mensalmente 2% dos salários de servidores estaduais. “Descontam quase R$ 200 por mês do meu salário. Uma diretora de escola paga de R$ 300 a R$ 400."

Questionada pela reportagem sobre as providências para o setor, a assessoria do Iamspe se recusou a responder.

Veja abaixo imagens do Hospital do Servidor:

Com 1.400 médicos, o Hospital do Servidor Estadual atende 43 especialidades. Foto: Wanderley Preite SobrinhoCom fortes dores de cabeça, idosa de 83 anos aguardava atendimento no corredor do Hospital do Servidor Estadual. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGDona Terezinha de Jesus, 75, gosta do atendimento, mas lamenta espera de sete horas . Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGRoseli Nascimento Magalhão, 45 anos, aguardava atendimento havia seis horas. (Fotos seguintes foram tiradas no ano passado). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGIdosa aguarda no corredor do pronto socorro para receber atendimento. Foto: Wanderley Preite SobrinhoA acompanhante, também idosa, é quem precisa levar a maca até o consultório. Foto: Wanderley Preite SobrinhoCerca de 60% dos pacientes no Hospital do Servidor são idosos. Foto: Wanderley Preite Sobrinho “O problema são as pulseiras”, reclama a aposentada Vera Lurdes (62). Ela se refere à triagem, que prioriza atendimento aos casos graves. Foto: Wanderley Preite SobrinhoA professora Verônica Lúcia (30) chegou às 10h37 com enxaqueca. "Já são seis da tarde e ninguém tira esse cateter do meu braço". Foto: Wanderley Preite SobrinhoA aposentada Carmen Viana (59) preferiu não mostrar o rosto. Depois de um mês internada, o remédio receitado lhe causou alergia pelo corpo todo. Foto: Wanderley Preite Sobrinho


compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas