Dia da Mulher: Máquina de lavar ajuda a reduzir dupla jornada feminina no Brasil

Por Clarice Sá - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Eletrodoméstico, no entanto, só está presente em metade dos lares do País, de acordo com Relatório Anual Socioeconômico

A presença da máquina de lavar roupas nos domicílios ajuda a reduzir a dupla jornada de trabalho das mulheres, de acordo com dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher, divulgado em novembro de 2013 pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicíios (Pnad) de 2011. 

Dia da Mulher:

‘Dedicação à família diferencia homens de mulheres’

Delegada faixa preta vai lidar com manifestantes na Copa

Conheça os países mais perigosos para a população feminina

Thinkstock Photos
49,1% dos domicílios brasileiros não tinham máquina de lavar roupas em 2011

Leia também:

Para jornal do Vaticano, máquina de lavar roupas é símbolo da emancipação feminina

Os erros das homenagens no Dia Internacional da Mulher

Infográfico: Conheça a nova mulher brasileira

A posse desta máquina permite ilustrar não só a redução do tempo dedicado às tarefas domésticas, como os reflexos que isso gera na presença feminina no mercado de trabalho e no tempo de estudo das mulheres, diz a pesquisadora Cristiane Soares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isto porque o eletrodoméstico ainda não é um bem universalizado como fogão, geladeira, e outros avaliados na Pnad. Máquinas de lavar louça e micro-ondas também poderiam contribuir como indicadores, mas a Pnad não coleta estes dados. Também estão fora da conta as máquinas do tipo "tanquinho".

Sem máquina

Quase a metade dos domicílios brasileiros não contavam com máquinas de lavar roupa: eram 49,1% em 2011. O alto índice pode ser explicado pelo preço relativamente alto do eletrodoméstico e a necessidade de implementação de rede de saneamento básico e sistema elétrico para instalação. 

Entre as casas comandadas por mulheres, 48,8% não tinham máquina. Das comandadas por homens, 49,4%. A diferença se acentua na análise por cor ou raça. Entre os domicílios chefiados por brancos, havia 36,2% sem máquina. Entre os chefiados por pretos e pardos, 61,5%. 

A região Nordeste liderava a falta do eletrodoméstico. Não havia máquina de lavar em 80,2% dos lares chefiados por pretos e pardos. Entre os brancos, o índice caía para 70,1%.

Mais:

Mulher brasileira é vítima de seu próprio machismo, diz historiadora

Machismo e falta de estrutura dificultam aplicação da Lei Maria da Penha

Proteção à mulher ainda é muito tímida no Brasil, afirma pesquisadora

Sem a máquina, sobra trabalho para as mulheres: 68% delas declaram realizar afazeres domésticos, com gasto, em média, de 33,8 horas por semana com a atividade. Por outro lado, apenas 32% dos homens declararam realizar tarefas domésticas, com gasto médio de 15,3 horas semanais. Entre as mulheres que trabalham, a taxa cai para 58% e entre os homens, sobe para 42%.

A dedicação aos afazeres domésticos leva as mulheres a procurarem empregos com horários flexíveis ou jornadas parciais. 

Reprodução/Facebook
Para a vendedora Taiz Souza de Almeida, lavar roupa na mão é trabalho "maçante"

A vendedora Taiz Souza de Almeida trabalha seis horas por dia em shopping de São Paulo. Casada há três anos e mãe de um filho, teve de insistir por cerca de quatro meses para convencer o marido a comprar uma máquina. "É algo que toma muito tempo da mulher”, diz a jovem de 26 anos, que afirma ter um marido "preguiçoso".

Trabalho

Somando o tempo gasto com o trabalho dentro e fora de casa, a jornada delas é seis horas superior à deles. As mulheres dedicam, em média, 36,2 horas semanais no trabalho principal  e 22,3 às tarefas de casa. Os homens trabalham mais fora: são 42,5 horas por semana. Dentro de casa, são 10,2 horas - menos da metade feminina. "Por mais que a gente observe principalmente a população masculina jovem compartilhando as tarefas domésticas, a atividade é predominantemente feminina", diz Soares, do IBGE.

Segundo a pesquisadora, quanto mais alta a renda, menor o tempo dispendido com afazeres domésticos, tanto pela possibilidade de contratação de empregados, como pela compra de eletrodomésticos. A Pnad de 2012 já aponta alta de 51% para 55,1% na proporção de lares com máquina de lavar, atribuído ao crescimento do rendimento médio da população e da ascensão da classe média no País. 

Perfil médio

De acordo com o relatório, 49% das mulheres brasileiras se declaram brancas, 50% pretas ou pardas e 1% outra cor ou raça. Elas têm, em média 1,95 filho. Na análise por anos de estudo, a média sobe para 3,07 filhos para quem estudou até 7 anos e cai para 1,69 para quem tem 8 anos ou mais de estudo (91,9% tem de seis a 14 anos de estudo).

As cidades abrigam 52,1% das mulheres brasileiras e 37,5% delas são apontadas como responsáveis pelos domicílios - independentemente de quem possui a maior renda da casa. Estão no mercado de trabalho 64% das mulheres - do montante, 72,2% tem entre 25 e 39 anos, cerca de um terço com carteira assinada. Na análise de rendimento, 29% vive com renda média per capita entre meio e um salário mínimo e rendimento médio de R$ 499,42. 

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas