Morte de cinegrafista deve enfraquecer ou isolar black bloc, dizem especialistas

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Segundo professores, há potencial para que protestos pacíficos voltem a crescer por causa da Copa do Mundo

Com a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, e a prisão de dois manifestantes que usavam a tática black bloc, especialistas apontam que o grupo de mascarados pode ficar “isolado” nos próximos protestos. Para professores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Universidade Federal de São Paulo (USP), a mudança abriria espaço para novas manifestações pacíficas, como as que tomaram as ruas do País em junho do ano passado.

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Policiais entraram em choque com manifestantes. Foto: Agência BrasilProtesto no centro do Rio de Janeiro. Foto: ReutersGrupo protesto pelo aumento da passagem no Rio de Janeiro. Foto: ReutersManifestantes e PMs entraram em confronto nas ruas do centro do Rio de Janeiro. Foto: André Mourão/Agência O DiaManifestantes fazem ato contra aumento da passagem. Foto: André Mourão/Agência O DiaHouve tumulto na Central do Brasil. Foto: Leitor Bruno SilvaTumulto durante protesto na Central do Brasil. Foto: André Mourão/Agência O DiaManifestantes e policiais entraram em confronto. Foto: Leitor Bruno SilvaPessoas tentam se proteger do tumulto nas ruas do centro do Rio. Foto: André Mourão/Agência O DiaTumulto entre manifestantes e policiais no centro do Rio. Foto: André Mourão/Agência O DiaPessoas ficam assustadas com tumulto na Central do Brasil. Foto: André Mourão/Agência O DiaManifestantes no centro do Rio. Foto: André Mourão/Agência O DiaHouve tumulto no centro do Rio. Foto: André Mourão/Agência O DiaPoliciais entraram em confronto com manifestantes. Foto: André Mourão/Agência O DiaCinegrafista é atingido na cabeça em protesto no Rio. Foto: BBCWyre Davies e Chuck Tayman, da BBC inglesa, prestam os primeiros socorros a cinegrafista ferid. Foto: BBC

“Eu acho que, de fato, eles perderam bastante força. A população, pelo que vemos na grande mídia, está claramente cansada deles. A questão do cinegrafista acaba deixando isso mais claro. As pesquisas já mostravam isso. Mas isso pode ser uma faca de dois gumes. Pode diminuir presença de black blocs e dar força a manifestações pacíficas. Os problemas levantados nas manifestações de junho (de 2012) ainda existem. Nada foi resolvido. E ainda há tensão social. Então tem potencial para uma explosão popular”, afirma Rafael Alcadipani, professor e pesquisador da FGV, que acompanha as táticas black bloc em São Paulo.

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A professora de relações internacionais da Unifesp Esther Solano, que também estuda os mascarados, concorda que os adeptos da tática podem acabar ficando isolados das manifestações depois do episódio que acabou com a morte de um profissional da imprensa. Mas diverge em relação à diminuição do número de ativistas usando a estratégia black bloc nos protestos que estão por vir.

“De alguma forma, a sociedade se expressa de forma mais contrária (aos black blocs). Imagino que talvez eles fiquem mais isolados. Mas no Facebook, pelos comentários nas páginas deles, o clima é de continuar. Eles têm a Copa do Mundo como motivação. Vai dar para monitor isso no (protesto) do dia 22 (de fevereiro)”, explica sobre a próxima manifestação marcada contra o evento esportivo.

Além disso, na opinião de Esther, os black blocs ganharam força, em 2012, após a forte repressão policial. Por isso, mesmo que fiquem isolados por algum tempo, a violência da Polícia Militar pode fazer a estratégia voltar a ganhar força, o que atrairia os jovens de novo como forma de reação.

“Muitos falam que adeririam como reação ao que eles definiram como ação repressiva da PM. A ideia é essa. É um fenômeno reativo. Quando consideram que ação policial é mais dura, afirmam sua posição”, argumenta ao lembrar que os adeptos da tática não são uma “massa heterogênea” e costumam ter opiniões diferentes sobre a violência usada nos atos.

“Então eu acho que parece que falamos como se fosse uma massa homogênea. Mas são perfis muito diferentes. Pessoas que debatem sobre o papel da violência nos protestos. É uma violência puramente simbólica. Tem outros que tem pensamento mais radicalizado. Quando você vai para uma manifestação, tem percepções diferentes, tem autocrítica”, resume.

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