Médica tenta recomeçar nova vida em Brasília. Nesta semana, começou a trabalhar e a procurar uma casa, que pretende dividir. Segundo DEM, ela seguirá independente

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez, que abandonou o programa Mais Médicos na semana passada, começou uma nova etapa da vida no Brasil esta semana. Começou a trabalhar na Associação Médica Brasileira (AMB) como assistente administrativa na diretoria. Procura, agora, uma casa para morar. Segundo assessores, ela não quer morar sozinha.

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“Ela agora terá um salário, benefícios. Terá uma vida independente”, afirma o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO). O parlamentar foi quem abrigou Ramona e divulgou seu contrato de trabalho quando ela fugiu de Pacajá (PA). Ele afirma que o suporte dado pelo partido não “custou nada” e que, agora, eles a ajudaram a encontrar um local para morar.

Os parlamentares do DEM a ajudaram com alimentação, hospedagem, colocaram carro à disposição dela e fizeram até vaquinha para que ela pudesse comprar artigos de necessidade mais urgente. No primeiro dia, arrecadaram R$ 850 para que ela comprasse roupas e produtos de higiene. Agora, deixarão de ajudá-la financeiramente.

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Com salário de R$ 3 mil, Ramona passará a se manter sozinha. Ela também terá direito a plano de saúde, auxílio transporte e alimentação. A AMB prometeu colaborar para que ela fizesse a prova de revalidação de diplomas médicos estrangeiros. Nos próximos seis meses, prazo que ela pode ficar no país com o registro provisório, ela deve trabalhar e estudar.

O futuro da médica ainda é incerto. O pedido de refúgio apresentado ao governo brasileiro não tem prazo para ser avaliado. A fila do Comitê Nacional para Refugiados (Conare) tem aproximadamente 1,5 mil pedidos de refúgio em análise. O pedido de asilo feito aos Estados Unidos, que possui programa específico para médicos cubanos desertores, também não tem prazo para ser avaliado.

Vida normal

A liderança do partido recebeu inúmeras ligações e e-mails oferecendo de interessados em ajudar Ramona. Pessoas comuns que oferecem a própria casa para hospedá-la, por exemplo. Ramona tem evitado a imprensa e quer “seguir a vida”, segundo pessoas próximas a ela. A médica também disse que quer ajudar outros cubanos a fazerem o mesmo que ela.

O DEM espera receber mais pedidos de ajuda ainda. Segundo o Ministério da Saúde, ao todo, cinco cubanos desistiram do programa Mais Médicos e não retornaram à Cuba. Outros 22 voltaram ao país.

Ramona se disse enganada pelo governo cubano, a respeito dos salários e condições de trabalho no Brasil. A médica diz que só viu o contrato de trabalho três dias antes de embarcar. Ela reclama do salário de 400 dólares (R$ 953) que recebia para se manter no Brasil, já que o custo de vida no país, “é alto”.

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