'Se qualquer médico cubano tiver chance, vai ficar’, diz prefeito de Pacajá

Por Priscilla Borges , iG Brasília | - Atualizada às

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Tonico Doido (PSB), prefeito do município paraense, se surpreendeu com a desistência da médica cubana do Mais Médicos por causa de sua adaptação à cidade

Em Pacajá, município paraense localizado a 600 quilômetros da capital do Estado, Belém, a população comemorou a chegada dos seis médicos cubanos que participam do programa Mais Médicos. Havia apenas dois profissionais para atender os 40 mil habitantes da cidade. O prefeito Tonico Doido (PSB), que diz não aprovar o regime “comunista” de Cuba, também gostou da chegada dos profissionais cubanos. “Ajudou muito a gente”, ele diz.

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Associação Médica Brasileira contrata médica cubana. Foto: Agência BrasilCubana que deixou o Mais Médicos concede entrevista coletiva. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaRamona Rodriguez afirma ter se sentido enganada por ter recebido salário menor. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos DeputadosProfissionais do programa "Mais Médicos" em Salvador (BA). Foto: Futura PressMédicos cubanos da segunda etapa embarcam em aviões oficiais para capitais do País. Foto: Ministério da Saúde/Erasmo SalomãoMédico cubano Isoel Gomez Molina convocou uma reunião na igreja da comunidade para se apresentar aos moradores e teve uma recepção calorosa. Foto: Julia Carneiro/BBCProfissionais participam do programa Mais Médicos. Foto: Agência BrasilMédica cubana chega ao Brasil. Foto: José Cruz/ABr Dilma Rousseff cumprimenta médicos antes da sanção da lei que institui o Programa Mais Médicos. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR No centro da imagem, o médico cubano Juan Delgado, que foi hostilizado em sua chegada ao Ceará, durante sanção da lei que institui o Programa Mais Médicos. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Dilma presta homenagem ao médico cubano que foi vaiado no aeroporto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Os médicos foram recepcionados na Base Aérea de Salvador. Foto: Tribuna da BahiaSão Paulo recebe médicos cubanos. Foto: Gutemberg Gonçalves/Futura PressGrupo de 215 médicos cubanos chega para atuar no Programa Mais Médicos. Foto: José Cruz / Agência BrasilMédicos cubanos desembarcam no aeroporto de Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMédicos cubanos desembarcam no aeroporto de Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaImportação de médicos de Cuba faz parte do Programa Mais Médicos. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMédicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior chegam para 1º dia de curso. Foto: Natália Peixoto / iG São PauloParte dos médicos cubanos desembarcou em Recife. Foto: Matheus Britto/AImagem/Futura PressMédicos estrangeiros do Programa Mais Médicos visitam centro de saúde na Ilha do Governador. Foto: Agência BrasilBrasília - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresenta os municípios que receberão os primeiros 400 médicos cubanos participantes do Programa Mais Médicos.
. Foto: Agência BrasilMercedes, Carlos, Tomás e René se disseram impressionados com a beleza da capital. Eles estavam ansiosos para dar uma volta pela cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaCubanos posaram em frente à Catedral: monumento mais bonito da Esplanada, segundo eles. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaMercedes ficou encantada com a Catedral. Queria fotografar tudo para mostrar à família. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEncantados, os médicos cubanos não perdiam a chance de registrar e brincar com a arquitetura e as esculturas dos edifícios. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaEm frente a Supremo Tribunal Federal, Mercedes pediu ao segurança para sentar "aos pés" da Justiça. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAté os guardas do Batalhão Presidencial foram alvos do assédio cubano. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaOs médicos cubanos conheceram os principais pontos turísticos da capital e visitaram a Torre de TV e o Parque da Cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAlém dos registros, os médicos perguntavam muito sobre a história dos edifícios e a arquitetura da cidade. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaNa pausa para o almoço, eles comeram comida popular e no fim sentenciaram: "comida muito boa". Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaProtesto de médicos, nesta terça-feira (16), em São Paulo. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloProtesto de médicos, nesta terça-feira (16), em São Paulo. Foto: Beatriz Atihe, iG São PauloParalisação de médicos na manhã desta terça-feira (30), no centro de Curitiba (PR). Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura PressProtestos de médicos. Foto: Futura Pressprotesto de médicos. Foto: Futura Pressprotesto de médicos. Foto: Futura PressProtesto de médicos realizado no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (31), é contra o programa Mais Médicos. Foto: Futura PressManifestante se veste de caveira durante protesto de médicos em São Paulo, nesta quarta-feira (31). Foto: Futura PressMédicos protestam na avenida Paulista em SP. Foto: Rafael Belzunces/Futura PressMédicos realizam passeata pelas Avenidas Brigadeiro Luís Antônio e Avenida Paulista, em São Paulo (SP), na noite desta quarta-feira (31). Foto: Rafael Belzunces/Futura Press

Apesar de surpreso por ter sido Ramona Matos Rodriguez a desistir do trabalho – porque, de todas, diz o prefeito, ela era a mais falante, mais desinibida e que mais fez amizades com as pessoas – Tonico Doido diz não ter ficado chateado. E admite esperar que outros profissionais façam o mesmo que Ramona: queiram permanecer no Brasil. “Eu acho que, se qualquer médico cubano tiver chance, não vai embora mais, vai ficar”, afirmou.

A explicação dele é “simples”: “A vida deles aqui é bem melhor do que lá em Cuba. Mesmo não ganhando como os outros médicos, é melhor”, ele pondera. O prefeito conta que, na chegada, Ramona já demonstrou personalidade. Fez alguns pedidos. O primeiro, internet. Depois, quis conhecer a cidade. Em seguida, quis cigarros. Tonico conta que comprou dez carteiras. Elas passaram quatro dias em um hotel antes de ir para a casa alugada pela prefeitura.

Divulgação
O prefeito de Pacajá, Tonico Doido

“Fiquei surpreso. Era a que eu mais tinha amizade, ela era uma alegria danada. Não esperava dela”, admite. E continua suas ponderações: “Estava tudo tranquilo. Das médicas todas, ela era a única que saia para todo lado, ia para as fazendas. Ela é liberada como qualquer pessoa, mas as outras ficavam sempre em casa. Não sei se alguém fez a cabeça dela ou ela já veio para o Brasil querendo ficar. Toda pessoa tem o direito de ser feliz”, diz.

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O prefeito diz que conversou com as companheiras de casa de Ramona. Todas disseram a ele que não vieram para o Brasil enganadas sobre as condições de trabalho. “Mas lá é um país comunista, né? A gente não tem como saber os detalhes. Eu acho que todo passarinho que está preso, se tiver chance, vai voar. É isso”, afirma. Talvez não esperassem, no entanto, ver que o médico brasileiro contratado pelo município ganha R$ 50 mil.

Ramona vivia em uma casa alugada pela prefeitura com outras duas médicas. Segundo o prefeito, a casa foi toda mobiliada para elas, recebeu central de ar condicionado em todos os cômodos e internet wi-fi. Elas recebiam uma ajuda de custo além do salário e tinha transporte gratuito para ir ao trabalho. “O custo de vida aqui realmente é alto, mas todo mundo vive”, diz, brincando.

A prefeitura possui 1.460 funcionários, de acordo com o prefeito. A folha de pagamento desse pessoal custa R$ 3,5 milhões. Segundo Gonçalo Roberto de Souza, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Pacajá (Sismup), 800 deles ganham apenas um salário mínimo. Sobreviver no município exige mais de um emprego para complementar a renda. “Aqui tudo custa o dobro do que em qualquer lugar”, diz Gonçalo.

No sábado, Tonico diz que Ramona falou para as colegas que iria para a fazenda de um amigo. Ninguém estranhou, porque a médica fez muitas amizades e, segundo ele, “não dispensava uma festa, ela bebe, fuma”. “Ela é uma mulher totalmente diferente das outras médicas cubanas”, disse.

Como Ramona não retornou na segunda-feira para trabalhar, as companheiras foram avisar o secretário de Saúde do sumiço da médica. Tonico garante que eles todos se dispuseram a procurá-la antes de chamar a polícia. “Ninguém sabia de nada. Ficamos com medo de alguém ter pegado essa mulher, matado. Não tinha nada de vigiá-la”, ressalta. “Vimos pela televisão que ela estava em Brasília. E a gente procurando aqui”, recorda.

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