Em greve, trabalhadores reclamam que passaram a arcar com despesas de exames e de consultas médicas

Agência Brasil

Funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) que não aderiram à greve, iniciada no dia 29 de janeiro, fazem mutirão neste fim de semana para normalizar a entrega de encomendas nos 13 estados em que os carteiros deflagraram o movimento.

Funcionários dos Correios entram em greve

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A ação dos Correios é uma tentativa de minimizar eventuais prejuízos causados pela paralisação, embora a direção da empresa divulgue que apenas 5% dos funcionários aderiram à greve e sustente que todas as agências estão abertas e que todos os serviços estão disponíveis, exceto a entrega com hora marcada em algumas localidades.

Carteiros realizam piquete no Centro de Distribuição da cidade São José dos Campos (SP)
Futura Press
Carteiros realizam piquete no Centro de Distribuição da cidade São José dos Campos (SP)

De acordo com levantamento da empresa, a paralisação é mais significativa na área de distribuição, uma vez que dos 22.622 carteiros dos estados em greve, 5.662 (25%) não comparecem ao trabalho.

Brasília, por exemplo, não tem paralisação. Mas, como sede da ECT, vai centralizar todos os números dos mutirões regionais para divulgação na próxima segunda-feira (10) e registrar a realocação necessária de empregados entre áreas de distribuição de correspondências, com as respectivas horas extras.

Os grevistas reclamam que com a mudança do Correio Saúde para o Postal Saúde, no mês passado, funcionários e aposentados passaram a arcar com despesas de exames laboratoriais e de consultas médicas. A reclamação é contestada pela empresa, que assegura haver “equívoco de interpretação pelo credenciado” e já determinou a devolução dos valores eventualmente cobrados.

Os trabalhadores dos Correios temem que a empresa deixe de ser a gestora do plano de saúde e entregue a administração do convênio médico à iniciativa privada, em descumprimento de norma do próprio Tribunal Superior do Trabalho, que definiu em julgamento de dissídio coletivo, no ano passado, que a ECT deve ser a própria gestora do plano.

A ECT sustenta, ao contrário, que “a greve é abusiva e afronta o Poder Judiciário ao tentar alterar fato já decidido pelo TST”. A dúvida só será dirimida com o julgamento da ação cautelar interposta pela ECT, mas ainda sem data definida para ser apreciada.

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