Policiais federais fazem protesto com 'algemaço' pelo País

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Agentes reclamam do descaso do Ministério da Justiça, que não reconhece as funções exercidas pela categoria

Os sindicatos que representam agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal realizam protestos em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília até o ínicio da tarde desta sexta-feira (7) e devem realizar em outros Estados ao longo do dia. Os atos serão marcados com o "algemaço" e os agentes vão pendurar suas algemas nas cabines das instituições. A categoria entrou em estado de greve na quarta-feira (29).

Policiais federais aprovam greve e protestam em todo o Brasil nesta sexta-feira

Futura Press
Agentes federais realizam protesto com 'algemaço' na manhã desta sexta-feira (7) em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul


Em São Paulo, os manifestantes penduraram as algemas em um painel, em alusão ao jargão “pendurar as chuteiras”, representando a desmotivação dos profissionais. No dia 11, haverá uma paralisação de 24 horas das atividades.

O presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal em São Paulo (Sindpolf), Alexandre Santana Sally, avalia que a falta de investimentos do governo federal faz com que os profissionais trabalhem de forma inadequada. “É comum a Polícia Militar fazer uma apreensão de droga, mas a Polícia Federal [PF] lavra o flagrante por ser competência dela”, exemplificou. Ele avalia que, se forem avaliadas as operações exclusivas da PF, as estatísticas vão apontar que houve redução de pelo menos 80% das atividades.

Agência Brasil
Agentes federais realizam o "algemaço" no Distrito Federal

Ele destaca que o ambiente interno da PF é formado por profissionais desmotivados. “A gestão do órgão é ruim. Não se prioriza a meritocracia [atuação baseada no mérito]”, lamentou. Eles reivindicam a reestruturação da carreira com a adequação das funções exercidas pelos agentes. “Somos um cargo de nível superior, mas nossas atribuições são de nível médio”, explicou. Ele cita o exemplo das atividades de interceptação telefônica e análise de dados. “Isso é extremamente complexo, uma atividade de nível superior, mas que não tem previsão legal. Já fazemos isso há anos."

Na paralisação nacional da próxima terça-feira, segundo o presidente do sindicato, estima-se que 50% do efetivo deva continuar trabalhando para, além de garantir o patamar mínimo de 30%, não interferir nos serviços à população. A mobilização, no entanto, deve se intensificar ao longo do ano. “Serviços emergenciais não vão ser interrompidos”, declarou. Entre eles, estão as investigações complexas, a escolta de presos e o serviço de imigração.

De acordo com a Federação Nacional dos Policiais Federais, estão em estado de greve os servidores dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Ceará, Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte. 

A paralisação: Policiais federais aprovam greve para fevereiro

Os agentes federais reclamam do descaso do Ministério da Justiça, que não reconhece as funções complexas hoje exercidas pelos agentes federais em inteligência, análise criminal, fiscalização, interpol e perícia de impressões digitais. Apesar do nível acadêmico exigido para o ingresso em todos os cargos policiais desde 1996, eles ainda são tratados como servidores de nível médio.

* Com Agência Brasil

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