Bloqueio atmosférico atua em parte do centro-sul do País e impede que frentes frias vindas da Argentina e correntes úmidas da região Norte cheguem ao Sul e Sudeste

Recordes de temperatura, poucas chuvas e baixa umidade do ar. Esse é o cenário que boa parte dos brasileiros tem enfrentado neste começo do ano. Segundo meteorologistas, as altas temperaturas já ultrapassaram os recordes históricos e são atípicas, mesmo no verão.

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Marcelo Schneider, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a prolongação do período de tempo seco e quente é anormal historicamente.

“Não é normal. O calor está muito prolongado e já quebrou alguns recordes de temperatura. No começo de fevereiro, tivemos recorde nos dias 1º, 3 e 5. Pelo que a gente percebeu, é um período prolongado de calor em que não houve alteração no padrão. Não tem frente fria atuando e não tem umidade suficiente. As últimas chuvas fortes foram concentradas apenas em Minas Gerais e Espirito Santo no começo de dezembro. A falta de chuva que já começa em dezembro já foi um fator que chamou atenção”, disse.

Apesar da concentração de chuvas em outros Estados da região Sudeste, segundo Schneider, em São Paulo, a quantidade de chuva ficou muito abaixo do esperado. O Inmet registrou 83,1 mm de chuvas no mirante de Santana, zona norte de São Paulo, em dezembro. A média é de 208,8mm.

Em janeiro choveu mais (237,9 mm), mas ainda assim, ficou abaixo da média histórica para o mês (265,6 mm). “Tivemos mais chuva em janeiro do que em dezembro, mas ela ficou concentrada em apenas seis dias”, afirmou Schneider.

Segundo a Somar Meteorologia, o motivo para tanto calor é um bloqueio atmosférico que atua em boa parte do centro-sul do País e impede que frentes frias vindas da Argentina e correntes úmidas da região norte cheguem ao Sul e Sudeste. A Somar afirma que este tipo de bloqueio é mais comum para meses de outono e inverno e está provocando também uma condição meteorológica incomum para o alto verão: ausência de umidade e de chuva numa faixa deste o Sul até o Nordeste,

Previsão

Para Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo, o calor e a baixa umidade devem continuar nos próximos dias. “As frentes frias vão continuar bloqueadas por esta forte massa de ar seco e por isso as áreas de fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai até recebem bastante chuva, mas nas outras áreas da região Sul, as pancadas de chuva serão irregulares e pontuais”.

Em São Paulo, a previsão é que as chuvas comecem a ficar mais intensas a partir da segunda quinzena de fevereiro. Nascimento diz que as chuvas devem se intensificar ao longo do mês e o março será marcado por um aumento gradativo das chuvas e diminuição do calor.

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