Economista calcula impacto das chuvas na região metropolitana paulista e estima que, somente em 2012, o dano sobre o PIB do País somou R$ 311 milhões

A combinação entre chuvas intensas e ocupação irregular em São Paulo se transformou em fator de danos econômicos, tanto para os 39 municípios que compõem a região metropolitana da capital, como para o País como um todo. Somente em 2012, as enchentes paulistanas provocaram um prejuízo financeiro de R$ 311,2 milhões sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O montante foi calculado pela economista Eliane Teixeira dos Santos, em pesquisa que serviu de base para sua tese de mestrado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), apresentada no final de 2013.

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No levantamento da pesquisadora, com base no PIB medido pelo IBGE entre 2008 e 2012, as enchentes paulistanas causaram prejuízo de R$ 1,13 bilhão em cinco anos. Eliane tomou como ponto de partida para estimar o custo das chuvas as despesas fixas das empresas instaladas em um raio médio de até cem metros de proximidade a pontos de alagamento do centro expandido da capital.

A economista cruzou o prejuízo das empresas – entre eles o pagamento de salário a empregados impedidos de trabalhar por causa de alagamentos -, calculou o que isso significava na economia de São Paulo e expandiu a avaliação sobre a atividade econômica brasileira baseada no fato do Estado responder por 14% do PIB. “Se uma empresa de São Paulo fica paralisada, ela interrompe a cadeia produtiva de outros lugares”, diz Eliane.

A pesquisadora partiu dos dados para concluir que faltam políticas públicas e investimentos para minimizar o impacto das chuvas. “A cidade não conseguiu avançar em nada. As áreas que eram afetadas em 2008 continuaram afetadas em 2012”, avalia.

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Capital perde R$ 107,7 mi

Morador anda no meio do lixo após chuva no bairro do Limão
Arquivo iG
Morador anda no meio do lixo após chuva no bairro do Limão

A paulistana de 29 anos decidiu estudar o tema a partir da própria realidade. Eliane convive com enchentes no entorno onde mora, no bairro do Limão, na zona norte de São Paulo. A região é um dos 749 pontos de enchente monitorados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura de São Paulo.

Segundo a pesquisadora, o CGE começou a estudar sua tese de mestrado informalmente para definir intervenções futuras de prevenção. “Alguns amigos que trabalham na prefeitura estão usando as informações para priorizar as áreas onde ocorrem mais prejuízos”, conta a economista. “As autoridades só olham para um problema quando têm o impacto econômico (definido)”, considera.

A média anual do prejuízo das enchentes somente na cidade de São Paulo foi de R$ 107,7 milhões. De acordo com a pesquisa, 2012 foi o ano de maior impacto. Naquele ano, a capital paulista perdeu R$ 149 milhões com as enchentes.

O reflexo do custo da ocupação irregular, combinado com a falta de ações preventivas em São Paulo, foi calculado também sobre o entorno que compõe a região metropolitana. A média da região com 39 cidades, entre 2008 e 2012, foi de R$ 4,5 milhões em perdas por ano. Enquanto o restante do estado de São Paulo perdeu em média R$ R$ 16,8 milhões. Já o restante do Brasil, teve prejuízo médio de R$ 97 milhões ao longo dos cinco anos estudados.

Veja o prejuízo causado pelas enchentes em São Paulo sobre a economia brasileira em cinco anos
Local 2008 2009 2010 2011 2012 Média anual Total
São Paulo (capital) R$ 75,3 mi R$ 130,3 mi R$ 86,5 mi R$ 97,5 mi R$ 149 mi R$ 107,7 mi R$ 538,6 mi
R. Metropolitana
(exceto capital)
R$ 6,9 mi R$ 6,1 mi R$ 3,4 mi R$ 3,8 mi R$ 2,2 mi R$ 4,5 mi R$ 22,4 mi
Restante do Estado R$ 15,2 mi R$ 19,3 mi R$ 13,7 mi R$ 13,4 mi R$ 22,5 mi R$ 16,8 mi R$ 84,1 mi
Brasil R$ 170,6 mi R$ 266,5 mi R$ 185,5 mi R$ 196 mi R$ 311,2 mi R$ 226 mi R$ 1,13 bi


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