Shoppings ignoram potencial de consumo da classe C ao coibir rolezinhos

Por BBC | - Atualizada às

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Jovens da nova classe média tem poder de consumo de R$ 129 bilhões, maior do que o das classes A, B e D somados

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Os jovens de classe C, segmento social identificado com o movimento dos rolezinhos, tem um poder de consumo de R$ 129,2 bilhões. O montante é superior ao do que consomem os jovens das classes A, B e D somadas, segundo o instituto de pesquisa Data Popular.

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Veja fotos dos rolezinhos: garotas participam de evento no Ibirapuera (19/1). Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura PressGarotos dançam durante rolezinho no parque Ibirapuera. Foto: Luiz Claudio Barbosa/Futura PressShopping JK Iguatemi fechou as portas para impedir protestos contra liminar que coibiu rolezinho marcado para o local na semana passada. Foto: Dario Oliveira/Futura PressRolezinhos de protesto defendem adolescentes paulistas, mas estão fora da periferia (17/01/2014). Foto: Reprodução/FacebookPágina do rolezinho no Moinho Shopping, em Porto Alegre (17/01/2014). Foto: Reprodução/FacebookManifestantes em frente ao Shopping Jardim Sul, nesta quinta-feira. Foto: Ana Flávia OliveiraProtesto em frente ao Jardim Sul, na região do Morumbi, na zona sul. Foto: Ana Flávia OliveiraMulher protesta em frente ao shopping da zona sul de São Paulo. Foto: Ana Flávia OliveiraSenador Aluyzio Nunes chama participantes de rolezinhos de "cavalões" no Twitter (16/01/2014). Foto: ReproduçãoApós serem expulsos pela polícia de shopping onde faziam rolezinho, jovem é visto segurando pedaço de madeira (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloAo menos 11 jovens foram detidos e levados para delegacia neste sábado (11), após rolezinho no shopping Aricanduva (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem "rolezinho" no shopping Aricanduva neste sábado (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem  rolezinho no Shoping Aricanduva (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem rolezinho no Shopping Aricanduva (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem rolezinho no shopping Aricanduva (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem rolezinho no shopping Aricanduva (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem rolezinho no shopping Aricanduva neste sábado (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem rolezinho no shopping Aricanduva (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem rolezinho no shopping Aricanduva (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloJovens fazem rolezinho no shopping Aricanduva (11/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloAproximadamente 6 mil jovens realizaram o primeiro rolezinho em São Paulo, no shopping Itaquera (10/012014). Foto: Divulgação/FacebookJovens postam foto em rede social ao participar de rolezinho no shopping (10/01/2014). Foto: Divulgação/FacebookFavoráveis à manifestação, três amigas foram ao rolezinho no Shopping Interlagos para assistir e "dar uns beijos" (10/01/2014). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGJhon Erick já pagou R$ 1 mil em um tênis: "Pelo menos é com roupa, não é com besteira, né?” (09/01/2014). Foto: ReproduçãoEnquanto alguns adolescentes tentam marcar encontros, outros alertam para o perigo dos rolezinhos (09/01/2014). Foto: ReproduçãoParticipantes do rolezinho postam foto no Facebook da polícia revistando garotos que participaram de rolezinho (09/01/2014). Foto: ReproduçãoO evento tem até a enquete “vocês vão ao shopping para quê?”. Algumas alternativas: tumultuar, tirar foto, beijar escondidinho (09/01/2014). Foto: Reprodução'Rolezinho' em shopping foi acompanhado por forte esquema de segurança (22/12/2013). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGLojistas fecham as portas após corre-corre em shopping da zona sul (22/12/2013). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGLojistas fecharam as portas do Shopping Interlagos após corre-corre (22/12/2013). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG

Para o presidente do instituto, Renato Meirelles, coibir os rolezinhos como alguns shoppings vem tentado fazer, é "uma miopia das oportunidades de negócio".

A reunião de jovens da periferia convocados pelas redes sociais para dar um "rolé" em alguns shoppings da região metropolitana de São Paulo assustou lojistas e alguns consumidores. O movimento ganhou força depois que dois centros comerciais da capital de São Paulo conseguiram uma liminar que os autorizava a impedir a entrada de garotos suspeitos de participarem dos eventos convocados pelas redes sociais.

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Movimentos sociais deram apoio aos "rolezinhos" e acusaram os shoppings de praticar "apartheid". O movimento se espalhou por outras cidades e o tema chegou ao Palácio do Planalto, onde a presidente Dilma Rousseff se disse "preocupada" com a eventual politização dos "rolés" em vista dos protestos de rua iniciados em junho de 2013.

Shopping

Segundo a pesquisa, 54% dos jovens, em geral, vão ao shopping uma vez por mês - a média geral é de 3,3 visitas ao mês. Os jovens de classe C tem um poder de consumo de R$ 129 bilhões nos caixas das lojas. Já os jovens das tradicionais classes A e B somam R$ 80 bilhões, e os da classe D, R$ 19,9 bilhões.

"Não existe espaço disponível de lazer nas periferias. E os shoppings se tornaram esse espaço. Os garotos que fazem rolezinho são filhos da nova classe média (classe C) que não tiveram um passado de restrição como os pais", diz.

Segundo Meirelles, esses jovens "cresceram na última década, uma década de consumo. E o shopping oferece consumo e segurança. E eles também gostam de segurança. Além disso, é um lugar para desfilar", diz.

"Os rolezinhos não devem fazer esses jovens desistirem dos shoppings. Mas certamente, quem levou spray de pimenta vai pensar duas vezes para voltar a consumir onde foi reprimido pela segurança", diz.

Preconceito

Meirelles, que há vários anos pesquisa as tendências de consumo entre jovens e a classe C, diz que na última década "de todos os tipos de varejo, os shoppings foram os que mais demoraram para se adaptar à realidade da classe C".

A pesquisa, que ouviu 1.500 jovens de entre 16 e 24 anos em 53 cidades do país, mostrou ainda que 50% das tradicionais classes A e B prefere frequentar locais com pessoas do mesmo nível social.

"Ironicamente, os jovens do rolezinho vão para o shopping com roupas de marca que compraram lá. E eles fazem questão de vestir esse tipo de roupa porque as roupas dão a sensação de que ele galgou um degrau social. É uma forma de diminuir o preconceito que jovens da periferia são alvo há muito tempo e em muitos lugares", diz.

Meirelles também discorda da tese de que a nova classe média tem no compra de bens supérfluos o seu principal objetivo de consumo.

"As pesquisas mostram que esses jovens também investem em educação, em produtos de tecnologia, coisas que seus pais não tiveram acesso. E isso vai trazer impactos na renda desses jovens no futuro", diz.

Segundo a pesquisa, 15% dos jovens da classe C querem comprar um notebook nos próximos 12 meses. Já 11% querem um smartphone e 11% pretendem ter um tablet.

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