Detento paga propina para diretores de prisão em dez vezes no cartão de crédito

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Promotores do Rio Grande do Norte denunciam dois ex-diretores de cadeia de receber propina de presos

O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Norte ofereceu denúncia à Justiça do Estado contra dois ex-diretores da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga (Alcaçuz), em Nísia Floresta, na Grande Natal, que teriam cobrado e recebido propina de presos que desejavam ter facilidades dentro da prisão, benefício de progressão de pena ou a transferência de presídio.

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O presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, que registrou caso de canibalismo durante o ano e é alvo de investigação de pagamento de propina. Foto: Agência BrasilParentes se desesperam no portão da penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, durante a rebelião. Foto: Reproduçao TV GloboNo Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, aconteceu a maior revolta de presos do Estado, em novembro de 2010. Foto: Gilson Teixeira/ASCOM/SSPConcita Ferreira mostra foto de seu filho caçula, Joarlison, que foi estrangulado na cadeia de Pedrinhas. Foto: João Fellet/BBC BrasilAparelho de TV e videogame Playstation 2 dentro de cela de Pedrinhas. Foto: Ministério Público do MaranhãoPanelas elétricas encontradas nas celas do Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Foto: Ministério Público do MaranhãoO Complexo Penitenciário de Pedrinhas, centro da crise carcerária do Maranhão. Foto: Agência BrasilCorredor da Casa de Detenção de Pedrinhas, no Maranhão; 60 detentos já foram executados no ano passado. Foto: Clayton Montelles/DivulgaçãoTropa de Choque atua em presídio no Maranhão. Foto: ReutersDetentos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, no Maranhão. Foto: ESTADÃO CONTEÚDOGoverno cortou repasse de verba de presídio de Neves após fuga de preso. Foto: Alex de Jesus – 14.01.2013

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Reprodução
Comprovante do parcelamento de um bomba d'água que teria sido comprada por um dos presos e que seria utilizada na penitenciária

Segundo os promotores do MP, em um dos casos, o detento Walker A. da Silva pagou a compra para uma bomba d'água para a penitenciária com o seu cartão de crédito, de bandeira Visa, parcelando o valor em dez vezes. 

A investigação aponta que a compra da bomba aparece como pagamento para que Walker e outros comparsas circulassem livremente fora da prisão.

Foram denunciados à Justiça o ex-diretor do presídio Adalberto Luiz Avelino e o seu sucessor, Alexandre Medeiros de Assis. Na denúncia, é descrito que os dois pediram “diuturnamente vantagens patrimoniais criminosas” aos presos. Os dois ex-diretores são acusados de “solicitação em razão da função de vantagem e indevida corrupção passiva."

A denúncia sobre irregularidades foi confirmada pelo depoimento do presidiário José Welton de Assis à Comissão Especial de Processo Administrativo. Segundo ele, o ex-diretor Adalberto Luiz Avelino “solicitou e recebeu indevidamente" a quantia de R$ 15 mil para o detento ser transferido do sistema carcerário do Rio Grande do Norte para o de Sergipe.

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Os promotores alegam que a materialidade do crime está devidamente comprovada por meio dos três comprovantes de depósitos bancários, cada qual no valor de R$ 5 mil, emitidos pelo advogado de Welton, Oscar Soares, em benefício de Adalberto Luiz Avelino. Abaixo, os comprovantes de depósito.

Divulgação
Comprovantes de transferência de dinheiro para Adalberto Luiz Avelino


Ainda segundo o depoimento de Welton, após realizar os pagamentos e não ser transferido, o ex-diretor Alexandre Medeiros, que sucedeu Avelino no cargo, o procurou e afirmou que providenciaria o seu retorno a Sergipe mediante o pagamento de R$ 50 mil. Como não aceitou a proposta, Welton disse que passou a sofrer represálias por parte do então diretor.

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