Para Nabil Sahyoun, reunião de adolescentes atrai interessados em furtos e roubos e shoppings devem proteger lazer dos clientes e trabalho dos comerciantes

Um encontro de adolescentes que começou como brincadeira, ganhou proporções maiores e passou a assustar clientes e comerciantes e favorecer a infiltração de interessados em cometer pequenos delitos dentro dos shoppings centers. Esta é a avaliaçao do presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun, sobre os rolezinhos.

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O último deles aconteceu no Shopping Itaquera, em São Paulo, no sábado (11), e terminou com uso de bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta pela polícia e ao menos dez menores apreendidos.

Veja fotos do rolezinho no Shopping Itaquera:

Seis shoppings já obtiveram na Justiça liminar para evitar este tipo de encontro, segundo a Alshop. Sahyoun vê a decisão como forma de proteger consumidores e lojistas do que ele considera “uma coisa meio estarrecedora”. Nos encontros, há gritaria e corre-corre pelos corredores dos estabelecimentos.

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Entre as medidas de prevenção, estão também o monitoramento de redes sociais, reforço da segurança no entorno dos shoppings e apoio da polícia na entrada dos empreendimentos para evitar a entrada de grupos. “Estamos trabalhando para não permitir esse tipo de arruaça dentro de shopping center”, afirma o empresário. Ele diz que os shoppings estão apostando em segurança ostensiva. "E em uma segurança ostensiva haverá, infelizmente, ações um pouco mais drásticas."

Caso contrário, diz Sahyoun, seria acusado de não oferecer segurança aos 400 milhões de consumidores que circulam todos os meses nos 866 shoppings do País. "Fizemos uma pesquisa com consumidores e todos falaram que tem que prender, que isso é falta de respeito, que é contra nosso direito de ir e vir. Há pessoas invadindo, quebrando coisas, a gente tem plena noção de que tem gente infiltrada nesses rolezinhos."

Assista a cenas do corre-corre no Shopping Itaquera:

Sahyoun vê como exagero apontar que há discriminação por parte dos shoppings ao barrar estes eventos, que reúnem em sua maioria jovens de classes populares.

“Os shoppings do Brasil inteiro recebem ao longo desses anos todos, preto, branco, gente de todas as nacionalidades. Jamais o shopping pode ser acusado de discriminação", diz o empresário. Ele alega que é preciso respeitar os direitos de quem busca calma e tranquilidade para trabalhar e ter momentos de lazer em família nos shoppings.

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O empresário afirma ainda que os governos municipais deveriam criar opções de lazer para este tipo de público. No caso de São Paulo, foi proposto o uso do sambódromo, localizado na zona norte da cidade.

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Ele reclama de uma série de contrapartidas exigidas pelas prefeituras para a instalação de shoppings e do alto valor dos impostos que, no entanto, não se refletem em benefícios para os estabelecimentos - neste caso, a criação de áreas recreativas para os jovens. “É uma vergonha o setor público não criar estrutura pra atender a exigência dessa meninada que é carente e tem o direito de se divertir. Os shoppings dão tudo para a prefeitura e a prefeitura não dá nada em troca. Temos que cobrar responsabilidade das administrações públicas.”

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