Brasil se despede do caça francês Mirage

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Avião pousou no Rio de Janeiro, onde ficará no Museu da Aeronáutica; Caças suecos Gripen só chegam em 2018

A Força Aérea Brasileira se despediu nesta terça-feira (31) dos Mirage 2000 que desde 2005 estavam a serviço do País. Às 10h40, decolou da base de Anápolis (a 140 quilômetros de Brasília) o caça de matrícula 4948 que pousou pela última vez e foi levado ao Museu da Aeronáutica, seu destino final.

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Caça Mirage fez seu último voo nesta terça-feira

O caça foi pilotado pelo capitão Antonio Augusto da Silva Ramalho, do 1º Grupo de Defesa Aérea. Ramalho se disse "feliz como piloto, pela honra da missão". Aos 33 anos e operando desde 2010 os interceptadores Mirage, Ramalho reconhece "o salto qualitativo da aviação de caça brasileira", com a chegada do novo jato supersônico de tecnologia avançada, o modelo sueco Gripen NG, selecionado dia 18 pela presidente Dilma Rousseff na definição do longo processo F-X2 que durou cerca de 20 anos a contar do estudo preliminar e das consultas iniciais.

A possibilidade é de que a expectativa do capitão, seus colegas e, ainda, a da complexa rede da indústria aeronáutica seja superada. A encomenda inicial de 36 aeronaves, mais a transferência de tecnologia, vai custar US$ 4,5 bilhões. E deve ser seguida de pacotes, de longo prazo, até um total de 124 unidades contratadas a longo prazo, coisa de 10 a 15 anos, contemplando um horizonte além de 2030.

A previsão pode ser maior, chegando a 160 jatos Gripen NG. O número é considerado o ideal para proteção integral dos pontos estratégicos do País, de acordo com um oficial combatente ouvido pelo Estado. O plano da Força Aérea é substituir a frota atual por um só tipo padrão, capaz de ser configurado de forma personalizada para cada necessidade.

A Marinha está na mesma sintonia. A aviação naval embarcada hoje no porta aviões São Paulo A-12 e, no futuro, a bordo do novo navio dessa classe que vai liderar a 2.ª Frota, no litoral Norte/Nordeste, quer empregar a versão especializada do mesmo avião escolhido para a FAB.

Divulgação/FAB
O Mirage 2000 de matrícula 4948, o último modelo do tipo a sobrevoar os céus do país

Em Anápolis, na sede do Grupo de Defesa Aérea, a dupla inicial de caças F-5M, que cumprirá a tarefa de proteger Brasília até a chegada dos Gripen, estimada para 2018, está pronta. Vieram de Santa Cruz (RJ) e de Canoas (RS). Na segunda mobilização ao menos um sairá de Manaus.

Os 12 Mirage 2000C/B comprados usados, na França, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005 deveriam ter sido aposentados em 2011. A Aeronáutica montou um esquema de manutenção que imobilizou seis caças e manteve no ar o esquadrão remanescente. Até o voo do capitão Ramalho, hoje, o GDA terá somado 10.500 horas.

Em sete anos o supersônico entrou em ação real apenas uma vez, em março de 2009, quando foi acionado para reagir a uma ameaça - um piloto amador, desequilibrado, pretendia invadir o limite da capital. Acabou caindo e morrendo com a filha de 5 anos no estacionamento de um shopping de Goiânia.

*Com informações da Agência Estado

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