Ladrões assaltam três shoppings por mês no Brasil

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Governo do Estado de SP planeja enviar projeto de lei para implantar base móvel próximo a esses centros de compra

A ação foi rápida. Em poucos minutos, seis homens, quatro deles armados, renderam vendedores de uma loja de surf em um shopping center na zona sul de São Paulo e levaram R$ 30 mil e produtos como óculos, bonés, tênis e jaquetas. Na saída, um policial à paisana tentou conter os criminosos, mas acabou baleado de raspão na cabeça. O assalto ocorrido no dia 25 de novembro ganhou os noticiários, engrossando as estatísticas de 2013: de janeiro até o fechamento desta reportagem, 40 shoppings brasileiros haviam sido assaltos, uma média de três roubos por mês, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).

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Tiago Mazza/Futura Press
Policial é baleado em assalto a shopping na zona sul

O número de casos não foi muito diferente de 2012, ano de 44 assaltos. Nos últimos cinco, foram 203 roubos, o pico em 2011, quando 68 estabelecimentos acabaram surpreendidos por ladrões.

“Só ontem [17/12] consegui enviar para a polícia a relação completa do que foi roubado”, diz a dona da loja, a Surfer’s Paradise, Adriana Pasculli.

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Mais: PM prende dois após assalto a joalheria no Morumbi Shopping

O caso reforçou as bases de um acordo costurado em junho entre os lojistas e a Secretaria de Segurança Pública do Estado. De acordo com o diretor de relações institucionais da Alshop, Luis Augusto Ildefonso da Silva, a pasta prepara um projeto de lei para autorizar a instalação de postos móveis da Polícia Militar no entorno dos shoppings.

“Até então, dizia-se que a medida não poderia ser tomada porque a polícia não deve proteger propriedade particular, mas o governo entendeu que os shoppings se transformaram em um equipamento urbano, não apenas um centro de compras. Alguns deles recebem até 4 milhões de pessoas por mês.”

Ainda segundo o diretor, os gastos de shoppings com segurança só perdem para as despesas com energia elétrica. Estima-se que 40 dos 60 shoppings da capital paulista despenderam R$ 120 milhões com o setor este ano.

Diretor de operações da Verzani & Sandrini, empresa líder em segurança de shoppings no País, Ademar Barbosa garante que “a quantidade de roubos em um shopping é diretamente proporcional ao nível de violência do bairro em que ele foi construído”. “Sempre que uma unidade é inaugurada, fazemos análise de risco com todas as vulnerabilidades do empreendimento e de seu entorno.”

Barbosa explica que a tática que mais espanta bandido é mostrar a ele que a segurança já o identificou em atividade. “Ao avistarmos um suspeito pelo circuito interno, aproximamos os nossos vigilantes justamente para que percebam que foram notados. Isso costuma ser suficiente para que eles deixem o prédio.”

Mas quando a situação foge do controle, diz ele, os vigilantes estão autorizados a utilizar armamento. “No lado interno, usamos pistola de choque: uma descarga que imobiliza o suspeito por 20 segundos, tempo suficiente para detê-lo”. Já no lado de fora, os seguranças estão autorizados a portar arma de fogo.

Nem mesmo essa autorização evitou que o funcionário do estacionamento de um shopping no Rio de Janeiro fosse assassinado no começo do ano. Depois de levar o dinheiro da guarita, um grupo de cinco bandidos armados aproveitou para roubar um carro na fuga. Ao passar por outra guarita, um deles disparou dois tiros contra o funcionário, que não reagiu.

O diretor da Alshop desmistifica a ideia de que a violência aumenta em temporadas de compras, como Natal e Dia das Mães. “O bandido quer espaço livre para assaltar. Dificilmente haverá algum assalto no dia 23 de dezembro. O bandido profissional prefere as segundas, terças-feiras.”

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