Ônibus, táxi e Disk Lei Seca viram opção para motorista após regras mais duras

Por Clarice Sá - iG São Paulo |

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Serviços para motoristas evitarem punições mais rígidas tentam se consolidar pelo País e reverter perda de bares

Um ano após o endurecimento da Lei Seca, opções para os motoristas evitarem problemas nas blitze ainda engatinham em todo o País. Entre as alternativas, há serviços de táxi, desconto na bandeirada, linhas de ônibus especiais, drinques e cartas de cerveja sem álcool e serviço de motorista particular.

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As regra que tornaram a Lei Seca mais rígidas foram sancionadas pela presidente Dilma Rousseff em 20 de dezembro de 2012. 

A multa para motoristas alcoolizados, que era de R$ 957,70, passou para R$ 1.915,40 e vale em caso de qualquer dosagem alcoolica registrada no sangue do motorista. O valor dobra, indo a R$ 3.830,80 caso haja reincidência em um período de 12 meses.

Divulgação
"Corujão Metropolitano" estendeu expediente de linhas de ônibus de SP para atender baladeiros


Disk Lei Seca

O casal Vanessa Rodrigues e Cesar Augusto deixou de lado o serviço de transporte tradicional que costumava oferecer para se dedicar ao Disk Lei Seca em fevereiro deste ano. Eles buscam motoristas já embriagados, que voltam para casa no próprio carro, mas no banco do passageiro. O serviço é feito em dupla. Eles chegam de carro e um dos dois assume o volante do cliente. A equipe que começou só com o casal, conta agora com mais três duplas, e deve crescer ainda mais em 2014. Em noites movimentadas, o Disk Lei Seca chega a atender 60 chamados. Mas eles atendem a semana toda, por 24 horas.

Reprodução/Facebook
Disk Lei Seca atende na região de Curitiba

No início do serviço, cobravam por quilômetro rodado e muitas vezes eram acionados simplesmente para passar pelas blitze. Com a rentabilidade comprometida, começaram a cobrar por viagem e passaram a ser mais atraentes para distâncias mais longas. Com a chegada do verão, começam a atender aqueles que vão para o litoral e precisam de uma ajudinha para voltar a Curitiba sem ter problemas com a lei.

Interbares

Em Porto Alegre, a linha de ônibus C4-Balada Segura opera diariamente das 22h às 4h30, partindo com intervalos de 30 minutos para percorrer pontos boêmios da cidade. Em dia de semana, atende em média 74 passageiros e aos finais de semana, 138.

Em Curitiba, donos de bares se articulam para lançar uma linha “interbares” que circule por Batel e Itupava, tradicionais regiões boêmias, antes da Copa do Mundo. A cidade receberá quatro jogos da primeira fase da Copa. A tentativa é recuperar os movimentos de bares mais tradicionais, que sofreram queda de até 40% no faturamento, em parte absorvida por estabelecimentos de bairro, de acordo com Fábio Aguayo, presidente da Associação de Bares, Restaurantes e Casas Noturnas do Paraná (Abrabar).

“Os bares de bairro conseguiram absorver alguma coisa, muitos melhoraram atendimento. Em vez de cruzar a cidade ou ir pra esses pólos tradicionais, os clientes foram atraídos para esses bares mais próximos”, diz Aguayo.

Na capital paulista e na Grande São Paulo, cinco linhas de ônibus intermunicipais estenderam o expediente por toda a madrugada aos sábados e domingos. O serviço “Corujão Metropolitano” conta desde setembro com outras dez linhas que operam em sincronia com os horários de abertura e fechamento do Metrô.

Táxi na madrugada

Na cidade de São Paulo, nas corridas de táxi entre as 20h e as 6h, clientes do banco Santander podem se cadastrar para pagar metade do valor da corrida agendada pelo aplicativo Easy Taxi. A aposta do banco se deve à constatação de que, apesar do táxi ter ganhado importância como alternativa ao motorista, o preço das corridas ainda é uma barreira para deixar o carro em casa. A operação começou em 14 de novembro na capital paulista e deve ganhar as ruas do Rio nas próximas semanas. O presidente da Associação dos Táxis de Frota do Município de São Paulo (Adetax), Ricardo Auriemo, afirma que houve aumento da procura por táxis logo após o endurecimento da Lei Seca, mas “não é algo excepcional”.

Os motoristas paulistanos têm à disposição também o Táxi Amigão, que oferecem corrida com preço de bandeira 1 das 20h às 6h às sextas sábados e vésperas de feriado em 20 pontos localizados no entorno de bares, restaurantes, estações de metrô, teatros, cinema e outrosa pontos de cultura e lazer da cidade. Dos 1.781 taxistas inscritos, apenas oito passaram a oferecer o serviço este ano, de acordo com a secretaria municipal de Transportes. Segundo Auriemo, da Adetax, o programa teve impacto entre nos primeiros meses após a alteração do Código de Trânsito realizada em 2008, mas já não tem grande impacto no bolso dos taxistas.

Paliativos

A criação de drinques sem álcool e venda de cervejas sem dosagem alcóolica, além de parcerias com empresas de táxis estão entre as alternativas criadas pelos bares que penam para recuperar a queda de faturamento provocada pela medida. As ações, incluindo os programas de transporte estimulados pelo governo, são apenas “paliativos perto das grandes perdas sofridos pelo setor”, avalia Percival Maricato, diretor jurídico da seção paulista da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP). No Estado, a queda de faturamento chegou a 30%. Pequenos bares absorveram parte dos ganhos, crescendo de 5% a 10%, estima o diretor.


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