BH escala 'olheiros' para alertar sobre enchentes na temporada de chuvas

Por Clarice Sá - iG São Paulo |

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Dezesseis agentes da Defesa Civil observam pontos de risco para isolar a área em caso de alagamento

A cidade de Belo Horizonte aposta em um grupo de 16 “olheiros” para observar o nível dos rios em dias de chuva e orientar o isolamento de áreas de risco na cidade. A medida foi anunciada em 1º de outubro e os agentes da Defesa Civil já assumiram a tarefa. “Há locais que em 56 segundos tudo inunda. Precisamos desse monitoramento visual”, afirma o coronel Alexandre Lucas Alves, coordenador municipal da Defesa Civil. A equipe estava em ação na chuva que atingiu a cidade esta semana, quando em 12 horas, caiu o volume esperado para os primeiros dez dias de dezembro.

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André Brant/Hoje em Dia/Futura Press
Em 12 horas, entre quarta (11) e quinta-feira (12), Belo Horizonte registrou chuva esperada para dez dias de dezembro


Segundo Alves, os agentes são deslocados com cerca de uma hora de antecedência aos locais de risco. Há quatro pontos prioritários: os cruzamentos da avenida Cristiano Machado com a Bernardo Vasconcelos e com a Sebastião de Brito, da avenida Tereza Cristina com a Presidente Castello Branco e da avenida Francisco de Sá com a rua Erê.

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Outros cinco pontos também são monitorados. Eles estão nos cruzamentos das avenidas Heráclito Mourão de Miranda e Baleares da avenida Silva Logo com a Barão Homem de Melo da avenida Prudente de Morais com a rua Joaquim Murtinho e da avenida Silviano Brandão com a rua Pitangui.

De acordo com Alves, em toda a cidade há 56 estações que monitoram as condições de tempo e o nível dos rios, e mais 15 devem ser instaladas na capital mineira. “Belo Horizonte talvez seja a cidade mais coberta por esse equipamento. Mas para esses locais específicos, o tempo de transmissão não favorece a adoção das medidas preventivas necessárias.” No início do ano, a cidade foi premiada pelo Organização das Nações Unidas (ONU) pela cooperação entre moradores e empresas privadas e de serviços públicos na inspeção regular de áreas propensas a desastres.

Divulgação
Sensor é instalado em São Carlos

Sensores

Em uma cidade do interior de São Paulo, os principais pontos de alagamento estão sendo monitorados por sensores sem fio que enviam informações de cinco em cinco minutos para um sistema que pode ser acessado pela internet. Qualquer pessoa pode hoje monitorar os dados que o e-Noé coleta em cinco pontos de São Carlos, município contornado por córregos que tem cerca de 220 mil habitantes.

Os sensores são instalados no leito dos rios e detectam o aumento da pressão da água provocado pela cheia. Cada um deles é conectado a um poste capaz de enviar dados para o sistema. Um deles é equipado com câmera fotográfica e envia imagens do local por 3G. O sistema conta também com pluviômetros, que acompanham o volume de chuvas em cada região.

Batizado como e-Noé (em referência ao personagem bíblico que sobrevive ao dilúvio), o sistema é inspirado em um projeto da Inglaterra. Lá, os alertas são ocasionados por chuvas de, em média, dois dias, conta o idealizador do sistema, professor Jó Ueyama, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP. O modelo de enchente brasileiro, no entanto, é conhecido como “flash-flood” por conta da velocidade dos alagamentos.

A ideia de Ueyama é transferir o monitoramento hoje realizado pela universidade para a prefeitura, que hoje apoia o projeto mas não tem prazo para adotá-lo. Atualmente, é possível prever o alagamento com 15 minutos de antecedência.

O pesquisador pretende ainda criar um aplicativo para celular com as informações do e-Noé nos próximos dois anos. Entre os planos, está também usar um drone para distribuir informações entre carros conectados a internet. Desta forma, o motorista poderia fazer um desvio de rota antes de chegar a um local comprometido.

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