Clima e parada técnica impedem avaliação do novo sistema de navegação aérea

Por iG São Paulo |

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Tecnologia, que promete redesenhar aerovias, reduzir o tempo de viagem e dar mais segurança, começou a funcionar hoje em trechos da aviação comercial brasileira

Um novo sistema de navegação aéreo começou a funcionar nesta quinta-feira (12) em alguns trechos do espaço aéreo brasileiro. A tecnologia, chamada de Navegação Baseada em Performance (PBN, do inglês, Performance Based Navigation), tem o objetivo de redesenhar as aerovias, reduzir o tempo de viagem, dar mais segurança e gerar economia de combustível. Mas, no primeiro dia, o fechamento de alguns aeroportos, por conta do clima, e o atraso para o início da operação impediu que as companhias aéreas e os passageiros sentissem grandes diferenças.

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AE
Operação provocou atrasos em voos no aeroporto internacional de Cumbica

Isso porque a operação provocou atrasos, por exemplo, em voos no aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo entre a noite de quarta-feira (11) e o início da manhã desta quinta (12). É que os voos no aeroporto foram interrompidos por 45 minutos para a inicialização do sistema, o que gerou um efeito cascata de atrasos. Além disso, alguns aeroportos foram fechados durante a madrugada, como, por exemplo, o aeroporto do Galeão, o que complicou o início da mudança.

Das 46 partidas programadas das 23h45 às 6h, 33 atrasaram mais de meia hora, segundo a concessionária GRU Airport. O site da Infraero, no entanto, mostrava que da 0h às 8h, dos 51 voos domésticos previstos, houve 12 atrasos e três cancelamentos. Entre as decolagens internacionais, houve 16 atrasos entre os 22 voos previstos. No momento, a situação é bem melhor. Às 13h, o aeroporto tinha 4 voos em atraso.

Apesar disso, a situação se normalizou ao longo do dia em todo Brasil. Até as 15h, 314 voos domésticos (20%) estavam atrasados e 64 cancelados (4,1%) no País. Os números são bem parecidos com os do dia anterior, quando, no mesmo horário, 305 partidas (19,61%) tinha passado do horário previsto e 107 (6,8%) tinham sido cancelados.

Uma outra razão para que o novo sistema só comece a fazer diferença aos poucos é que nem todas as companhias aéreas brasileiras têm todas aeronaves adaptadas para o PBN. A única brasileira é a Gol, que já homologou todos seus aviões. Questionada pela reportagem do iG sobre como foram os voos no primeiro dia da mudança, a companhia respondeu que, com os atrasos e os fechamentos de aeroportos, não foi possível perceber ainda os ganhos da nova tecnologia.

Nova tecnologia

Para entender o conceito do PBN, basta imaginar cada aeronave voando e cumprindo o seu trajeto dentro de um túnel virtual, que varia de tamanho conforme a demanda. A alteração representa maior segurança e precisão no rastreio dos aviões já que os sistemas de bordo acusariam prontamente qualquer desvio de rota. Isso porque, em vez de viajar em zigue-zague, como é hoje, as aeronaves vão fazer o trajeto praticamente em linha reta, o que também vai diminuir o tempo de viagem entre as cidades. Um exemplo disso é o percurso entre São Paulo (Congonhas) e Brasília, normalmente de 1h 30 min, que terá redução potencial de 11 minutos.

A possibilidade de maior aproveitamento desses "túneis", com voos simultâneos, faz com que o conceito se torne uma das principais bandeiras do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Isso porque é com este sistema que estão sendo desenhadas as novas rotas de viagem que visam aumentar a capacidade de voos durante o evento.

Além dos benefícios relacionados à segurança e rapidez, a tecnologia do PBN vai contribuir ainda para a redução de emissão de CO2 (dióxido de carbono) e do consumo de combustível. De acordo com o governo brasileiro, uma companhia aérea poderá deixar de gastar até R$ 178 milhões em combustível em cinco anos. No mundo, segundo estimativas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, do inglês, International Air Transport Association), as rotas refeitas pelo PBN podem reduzir a emissão do gás em até 13 milhões de toneladas por ano.

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