‘Painel de Portinari não corre risco’, diz ex-secretário Fernando Morais

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Escritor, que foi o responsável por tirar o projeto do Memorial do papel, lamentou o incêndio e disse que conversou com filho de Tomie Ohtake sobre obra atingida

O escritor Fernando Morais, ex-secretário estadual de Cultura entre 1989 e 1991 responsável por tirar do papel o projeto elaborado por Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer para o Memorial da América Latina, disse que os danos causados pelo incêndio devem ser apenas materiais sem prejuízo para o rico acervo artístico do local.

Incêndio atinge Memorial da América Latina em São Paulo

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Assim que soube da notícia, Morais telefonou para o arquiteto Ricardo Ohtake, diretor geral do Instituto Thomie Ohtake e filho da artista plástica, autora de uma tapeçaria localizada no salão Simón Boilívar, foco do incêndio.

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O Painel Tiradentes é uma das mais importantes obras de Cândido Portinari. Tem dimensão total de 17,70 x 3,09m e foi concluída em 1949. Fica no Salão de Atos Tiradentes.

“Os danos devem ser apenas materiais. O Ricardo me tranquilizou e disse que a tapeçaria da Thomie pode ser totalmente reconstruída”, disse o escritor. “Reconstruída, mas não recuperada”, concluiu.

Segundo relato de Ricardo Othake a Morais, além da tapeçaria de Thomie, outras três obras ficam perto do local do incêncidio. Um busto em bronze do general Simón Bolívar doado pelo então presidente da Venezuela Carlos Andrés Pérez, um painel de relógios pintados em tinta acrílica pelo artista Victor Arruda e uma escultura de bronze em forma de pomba de Alfredo Ceschiatti localizada na rampa que dá acesso ao foyer espelhado do auditório Simón Bolívar.

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Tapeçaria de Tomie Ohtake, com área total aproximada de 800 m², que está localizada no auditório que pegou fogo

Morais descartou a possibilidade de o painel Tiradentes de Cândido Portinari ter sido danificado pelo incêndio. “O painel Tiradentes não tem risco, pois fica do outro lado do Memorial”, disse Morais. “Ainda bem que o incêndio não chegou ao Salão de Atos (onde fica o painel) pois o valor daquela obra é incalculável. Certamente vale mais do que toda a obra do Memorial”, completou.

Morais, que enfrentou grandes resistências (em particular do então deputado estadual José Dirceu) para tirar do papel o projeto do Memorial, disse que sentiu grande tristeza ao ver as imagens do incêndio na internet, mas também descartou danos estruturais.

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