Homicídio reduz expectativa de vida de negros e acidentes, a de não negros

Por iG São Paulo |

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Expectativa de vida ao nascer cai 1,73 ano para homens negros no Brasil por conta de homicídios; a perda é de 0,99 para não negros em acidentes de transporte

Morte por homicídio é a maior causa da redução da expectativa de vida de negros no País. Entre não negros, é a morte por acidentes de trânsito. A informação é do estudo Vidas Perdidas e Racismo no Brasil, divulgado nesta terça-feira (19) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

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“Considerando apenas o universo dos indivíduos que sofreram morte violenta no país entre 1996 e 2010, verificamos que, para além das características socioeconômicas – como escolaridade, gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou parda, faz aumentar a probabilidade da mesma ter sofrido homicídio em cerca de oito pontos percentuais”, informa a análise, baseada em dados do Sistema de informações sobre Mortalidade (SIM/MS) e do Censo Demográfico do do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010. O grupo negros é definido pela soma de pretos e pardos, enquanto não negros engloba brancos, indígenas e indivíduos de raça amarela, segundo a classificação do SIM/MS e do IBGE.

O estudo avalia a diferença de perda de expectativa de vida ao nascer provocada por ações violentas. De acordo com a análise, a escolha da expectativa de vida ao nascer como critério se deu porque a simples contagem da taxa de mortos não leva em conta o momento da vitimização e também por ser um dos principais indicadores associados ao desenvolvimento socioeconômico dos países.

Os homens de cor negra perdem 3,5 anos de vida quando analisados casos de violências letais, que incluem homicídios, suicídios e acidentes. Entre homem de outra raça, a perda é de 2,57. Quando considerados apenas os homicídios, o homem negro perde ao nascer 1,73 ano de vida frente 0,81 do não negro. Em relação a acidentes de transporte, a perda é de 0,99 para não negros e 0,97 para negros. Entre suicídios, não negros perdem 0,22 ano de vida e negros, 0,17. Em outros acidentes, a queda é de 0,62 para negros, ante 0,55 para não negros.

Entre as mulheres, a perda de expectativa de vida pelo total de mortes violentas é bem menor que a dos homems: 0,65 para as negras e 0,74 para as não negras. A inversão ocorre por conta de um maior número de vítimas não negras em acidentes. As negras perdem mais por homicídios: são 0,16 ano de vida ante 0,11 das não negras. No caso de acidentes de transporte, as maiores vítimas são as não negras: a perda é de 0,28 ante 0,23 para negras. Em suicídios, a queda é de 0,07 para não negras e 0,05 para negras. Em outros acidentes, a diminuição é de 0,28 para não negras e 0,21 para negras.

Na análise por região, a perda de expectativa de vida dos homens negros é mais elevada na região Nordeste, de 4,13 anos. A de não negros é de 1,43. Em seguida vem a região Norte, com perda de 3,07 para negros e 2,06 para não negros.

Alagoas é o estado com maior perda de expectativa de vida para os homens negros (6,2 anos), seguido pelo Espírito Santo (5,2 anos) e Paraíba (4,8 anos). A principal razão são os casos de homicídio.

Para os homens não negros, a perda maior ocorre no Paraná (3,9 anos), São Paulo (3,5 anos) e Rondônia (3,3 anos). No Paraná, a perda de expectativa de vida é ligeiramente maior quando se considera homicídios (1,7) em relação aos acidentes de transporte (1,5 anos). No entanto, em São Paulo e Rondônia, os acidentes de trânsito provocam uma perda levemente maior que os homicídios. São 1,27 contra 0,82 em São Paulo e 1,41 contra 1,13 em Rondônia.

De acordo com o estudo, as variáveis socioeconômicas - escolaridade, trabalho e renda - são insuficientes para explicar o fenômeno e aponta o racismo como uma das causas. “O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele. Tais discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros vis-à-vis o resto da população”.

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