Cresce número de famílias abaixo da linha de pobreza donas de carro ou moto

Por iG São Paulo |

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Aumento do crédito estimulou demanda reprimida por bens duráveis, diz Ipea; 35% de famílias com renda inferior a meio salário mínimo per capita têm veículos privados

O total de famílias com renda abaixo da linha de pobreza que possuem carro ou moto cresceu 12 pontos percentuais entre os anos de 2008 e 2012, de acordo com análise de indicadores de mobilidade urbana do Instituto de Pequisas Econômicas Aplicadas (Ipea) liberada nesta quinta-feira (24). O estudo é baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

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Renato S. Cerqueira/Futura Press
Ipea vê aumento da taxa de motorização como "grande desafio" para gestores de mobilidade

De acordo com o estudo, em 2012, 35% das famílias abaixo da linha da pobreza possuíam veículos privados (carro ou moto), ante 23% registrados em 2008. São consideradas famílias abaixo da linha da pobreza aquelas com rendimentos de até meio salário mínimo per capita. Considerando apenas as famílias com renda de ¼ de salário mímino per capita, o índice é de 28%, com predominância de motocicletas.

A análise aponta um crescimento das taxas de motorização nos Estados com menor renda per capita média. O comportamento é atribuído a uma demanda reprimida por duráveis. “Com o aumento de renda dos mais pobres nos últimos anos e as políticas de aumento de crédito, era de se esperar uma maior na taxa de vendas dos veículos privados”, indica o estudo. A maior variação foi registrada no Piauí, onde o índice de famílias com veículos privados aumentou para 58,5% em 2012, frente aos 38,5% registrados em 2008.

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O estudo conclui que esta elevação da taxa de motorização implica em “grandes desafios para os gestores dos sistemas de mobilidade”, levando em consideração que “cada vez mais os domicílios de baixa renda terão acesso ao veículo privado, já que metade deles ainda não possuem automóvel ou motocicleta e as políticas de incentivo à sua compra são muito fortes.”

Considerando todas as faixas de renda, 54% dos domicílios brasileiros possuíam
automóveis ou motocicletas em 2012. Em 2008, o índice era de 45%. Frente ao aumento, o estudo alerta que "resta ao poder público estabelecer políticas para mitigar as externalidades geradas pelo aumento do transporte individual, já que as tendências apresentadas corroboram a tese de piora das condições de trânsito nas cidades."

As motos estão presentes em 20% dos lares do País e os carros, em 42,5%. As motocicletas predominam no meio rural, em 33% dos domicílios. Nas áreas urbanas, o índice é de 18%. O carro é adotado em 45% dos domicílios urbanos e 28% dos rurais.

Deslocamento

A maioria dos brasileiros que se deslocam diretamente de casa para o trabalho,
sem passar por destinos intermediários, leva menos de meia hora no trajeto.
O índice é de 65,9%. Cerca de 10% levam mais de uma hora no deslocamento.

Moradores de regiões metropolitanas gastam um tempo significativamente maior: 18,6% levavam mais de uma hora para se deslocar em 2012. Em relação a 1992, houve um aumento de 4 pontos percentuais. 

Entre os moradores de áreas não metropolitanas, o aumento em 20 anos é de de 0,97 ponto percentual. Em 1992, 3,6% cumpriam o trajeto em mais de uma hora. Em 2012, eram 4,6%.

Na análise regional, o Rio de Janeiro fica na lanterna. O Estado tem a maior taxa de trabalhadores que levam mais de meia hora para chegar ao trabalho: 24,7%. Em seguida, vem São Paulo,  com 23,5%. O melhor resultado fica com Porto Alegre: 7,8%. 


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