Manifestantes atacam mídia tradicional em debate sobre protestos. Assista

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Membros da mídia independente criticaram cobertura da imprensa por fazer também um “jornalismo engajado”

O diretor de jornalismo do iG, Rodrigo de Almeida, participou de um debate no youPIX Festival 2013, evento de tecnologia que aconteceu entre os dias 18 e 19 de outubro no Rio de Janeiro. O tema da conversa foi a atuação da mídia tradicional e da mídia independente na cobertura dos protestos pelo País. Além de Almeida, participaram o editor executivo do jornal O Globo, Pedro Dória, o jornalista e blogueiro Alexandre Inagaki, o manifestante e videomaker Rafucko e o membro da Mídia Ninja no Rio de Janeiro Felipe Bressan.

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Na conversa, Dória afirmou que existe uma diferença entre o trabalho de ambas as mídias porque os jornalistas tradicionais conseguem manter uma distância durante a coberta de manifestações enquanto que manifestantes e veículos independentes fazem um “jornalismo engajado”. “Estou dizendo que quando você não está nem de um lado e nem de outro, apenas observando, você faz um esforço gigantesco. Existe uma qualidade no jornalismo tradicional que o jornalismo engajado não consegue entregar. A gente está tentando buscar apenas descrever o que está acontecendo”, argumentou.

Bressan e Rafucko, no entanto, acusaram o jornal O Globo de também fazer um jornalismo engajado ao classificar, nas reportagens publicadas no jornal, os manifestantes que destroem equipamentos públicos de vândalos. “O jornalismo do O Globo é um jornalismo engajado porque recentemente admitiu que apoiou o golpe militar, apoiou o regime da ditadura no Brasil. Esse é o jornalismo muito engajado. Esse é o jornal neutro que não julga. Isso não é um bom trabalho, isso é um crime. Quando o jornalismo não executa um bom trabalho está sendo um partido”, rebateu Rafucko antes de dizer que “vivemos em um regime autoritário”.

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Rodrigo de Almeida disse, por sua vez, que tem um olhar crítico sobre os protestos, pois atualmente o “grau de dispersão sobre a agenda política é muito alto”. Além disso, criticou a afirmação de Rafucko de que não há democracia no País. “Me choca e me surpreende um pouco essas palavras de que vivemos em uma país autoritário. O que há no Brasil é uma democracia. Não uma democracia plena porque a democracia nunca será plena. A democracia será sempre um ato imperfeito. É até um paradoxo isso de viver em um regime autoritário ou não porque nunca se viveu tamanha liberdade de opinião, de difusão da informação, de diversificação da produção seja ela informativa ou cultural”, disse.

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