Protestos violentos deixam rastro de pichação, estilhaços e sujeira no Rio e SP

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Funcionários de lojas e bancos depredados trabalham na limpeza dos sinais de confronto; protestos tiveram mais de 250 detidos e uma pessoa teria sido baleada no Rio

Estilhaços de vidro, pichações e sujeira compunham o cenário das ruas do entorno da estação de metrô Butantã, na zona oeste de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (16). É o resultado do quebra-quebra provocado pelo confronto entre policiais e manifestantes ocorrido na noite de terça (15), que terminou com ao menos 56 detidos, encaminhados ao 14º DP e liberados em seguida.

No centro do Rio, onde também houve confronto, havia cheiro de fumaça esta manhã em uma das agências bancárias que, além de ter tapumes e caixas eletrônicos depredados, teve equipamentos queimados. Entre os sinais do quebra-quebra, havia orelhões destruídos e lojas atacadas. 

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Grades quebradas, estilhaços de vidro e pichação em agência na esquina das avenidas Vital Brasil e Francisco Morato, na zona oeste de São Paulo. Foto: Clarice Sá/iGPichação em agência bancária no entorno da estação de metrô Butantã, zona oeste de São Paulo. Foto: Clarice Sá/iGEstilhaços de vidro de agência bancária depredada durante protesto. Foto: Clarice Sá/iGAgência bancária destruída na Avenida Vital Brasil, próxima à estação de metrô Butantã. Foto: Clarice Sá/iGPichação em loja de móveis que foi palco de confronto entre policiais e manifestantes. Foto: Alex Falcão/Futura PressAgência bancária destruída durante o protesto do dia dos professores em SP. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressVidro quebrado na estação de metrô Butantã, da Linha 4- Amarela. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressCartazes e faixas em frente a loja de móveis onde houve confronto. Foto: Alex Falcão/Futura Press

Confronto em SP

Nas ruas paulistanas, o confronto começou quando alguns black blocs tentaram pixar um muro na pista sentido zona sul da Marginal Pinheiros  e foram reprimidos pela Polícia Militar. Eles revidaram com rojões e a PM usou bombas de gás lacrimogênio. Na confusão, alguns manifestantes entraram em uma loja de móveis da região, que acabou cercada.

Ao tentarem escapar por umas das saídas do estabelecimento, alguns estudantes foram detidos. Outros manifestantes tentaram se reunir na rua MMDC, mas a Tropa de Choque foi acionada e avançou contra eles. Por conta disso, os ativistas começaram a depredar agências bancárias nas proximidades da estação Butantã do metrô, na linha 4-Amarela. A estação também foi alvo de destruição. Quem tentava voltar para casa, ficou parado no trânsito. Quem caminhava pela região, se assustava com as cenas.

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Carros do Consórcio Via Amarela, agências bancárias e ônibus foram depredadas. Os manifestantes acabaram, então, se dispersando. Parte das 56 pessoas detidas no ato foram levadas para o 14º DP, em Pinheiros, enquanto o restante ficou no 89ºDP, no Morumbi.

Por volta das 6h30 desta quarta, funcionários das agências bancárias destruídas começaram o dia recolhendo estilhaços de vidro antes da abertura aos clientes. Na loja de móveis, via-se as grades forçadas pelos manifestantes e faxineiras trabalhando na limpeza. 

Reproduçao TV Globo
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Rio
No Rio de Janeiro, a manifestação foi organizada pelos professores e terminou sem incidentes, por volta das 19h40. Mas, no final da passeata, um tumulto gerou um confronto, quando um homem que seria do serviço reservado da PM (P2) entrou no protesto e foi expulso pelos ativistas. Houve confusão então entre policiais e cerca de 500 black blocs.

Os PMs tentaram, em seguida, desocupar a avenida Rio Branco com bombas de efeito moral e gás de pimenta. Os ativistas revidaram com fogos de artifício e recuaram pelas vias que levam ao Aterro do Flamengo e Lapa. Orelhões foram incendiados, placas foram arracandas, pontos de ônibus destruídos, o que deixou, pelo menos, seis pontos de incêndio na Cinelândia. Além disso, um micro-ônibus e uma viatura da PM foram apedrejados e incendiados perto da rua do Passeio.

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Os policiais do Batalhão de Choque (BPChq) dispersaram os manifestantes somente por volta das 22h30. A confusão ocorreu depois da manifestação sem incidentes, que reuniu entre 5 mil e 10 mil profissionais no Dia dos Professores, em passeata da Candelária até o local do confronto. Na ação, os policiais usaram bombas de efeito moral e gás lacrimogênio.

Por volta das 23h30, os policiais do Choque fizeram um cordão de isolamento no entorno, incluindo a Câmara Municipal, e revistaram cerca de 80 pessoas que permaneceram no local. A ação, no entanto, foi marcada por truculência. Vários ativistas que ainda protestavam de forma pacífica tiveram mochilas revistas e foram colocados em ônibus da corporação. Algumas barracas em frente à Casa foram destruídas.

O saldo final foi de uma pessoa baleada e outras 13 que teriam sofrido agressões, entre elas dois policiais militares. O baleado, que não teve a identidade revelada, foi encaminhado para a Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul, passou por uma cirurgia para retirar a bala alojada no braço direito e, segundo a assessoria de imprensa da clínica, passa bem.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que 11 pessoas deram entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro, com ferimentos leves, receberam atendimento e foram liberadas. Os dois policiais militares feridos foram encaminhados para o hospital da corporação, no Estácio, zona norte da cidade. A Polícia Militar informou que eles tiveram ferimentos leves e foram liberados depois de receberem os primeiros socorros.

A Polícia Civil ainda não informou o número de pessoas detidas nos confrontos com a Polícia Militar na noite de ontem, mas, de acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), pelo menos 208 atendimentos foram feitos em delegacias do centro e de bairros vizinhos. Entre os detidos estavam integrantes do movimento 'Ocupa Câmara' que estavam acampado há mais de 2 meses na porta do Palácio Pedro Ernesto.

O trabalho de limpeza nas ruas do centro começou ainda de madrugada. A retirada de destroços por equipes da Comlurb contou com apoio de caminhões e retroescavadeiras.

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