Corpo de Bombeiros encerra buscas por vítimas de naufrágio no Amapá

Por Agência Brasil |

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A bordo estavam diretores e funcionários do Sindsep, além de seus parentes e amigos. Tragédia deixou 18 mortos

Agência Brasil

Após mais de 72 horas, o Corpo de Bombeiros do Amapá encerrou hoje (15) as buscas às vítimas do naufrágio do barco Capitão Reis 1, que afundou no Rio Amazonas, próximo a Macapá, no último sábado (12). Dezoito pessoas morreram no acidente e já foram identificadas, segundo os Bombeiros e o Sindicato dos Servidores Públicos Federais Civis no Estado do Amapá (Sindsep), que usava a embarcação.

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Barco poderia estar superlotado no Amapá

Segundo o depoimento de testemunhas, a embarcação tombou e começou a afundar rapidamente quando retornava à cidade de Santana, a cerca de 20 quilômetros da capital, após participar da procissão fluvial do Círio de Nazaré. A bordo estavam diretores e funcionários do Sindsep, além de seus parentes e amigos. De acordo com o secretário-geral do sindicato, Hedoelson Uchôa, testemunhos de passageiros sugerem que o barco pode ter virado após ser atingido por uma marola.

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Entre os 18 mortos, há três diretores e dois funcionários do sindicato; o comandante do barco, Reginaldo Reis Nobre, 51 anos; a presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Amapá, Odete Gomes Figueiredo; e parentes e amigos de diretores e funcionários convidados para o passeio. Segundo o secretário-geral, não há mais desaparecidos entre as pessoas que estavam no barco.

A Capitania dos Portos instaurou inquérito administrativo para apurar as causas do acidente. A previsão é que a apuração seja concluída dentro de 90 dias. Já a Delegacia Geral de Polícia do Amapá instaurou inquérito para apurar as responsabilidades pelo naufrágio. Uma das hipóteses para o acidente é que houvesse gente demais a bordo.

“De acordo com o relato de algumas pessoas, entre elas um irmão meu, um barco com motor potente e uma balsa passaram e causaram uma marola que atingiu nosso barco, que imediatamente virou e começou a afundar”, disse Uchôa à Agência Brasil, garantindo não ter sentido a hipótese de que o Capitão Reis 1 tenha se chocado contra algo. Era a terceira vez que o sindicato participava da procissão usando o mesmo barco. Em troca, garante Uchôa, apenas abastecia a embarcação com o diesel necessário para o percurso.

“Foi como se tivéssemos caído no vácuo, tudo muito rápido. Eu fui atirado contra o gradil, mas consegui respirar e sai porque conhecia bem o barco. Para quem estava embaixo foi mais difícil. Por sorte, havia muitos outros barcos próximo e eles chegaram rápido”, acrescentou Uchôa.

O secretário geral confirmou a informação de que a Capitania dos Portos inspecionou a embarcação antes de ela sair para participar da procissão e que, naquele instante, havia apenas 40 passageiros a bordo, além da tripulação. De acordo com a Capitania dos Portos, a embarcação tinha capacidade para 43 pessoas. O governo amapaense, contudo, divulgou notas sobre o acidente informando que o barco transportava cerca de 60 pessoas.

Segundo Uchôa, o grupo do sindicato que participava da procissão ocupava, além do Capitão Reis 1, um outro barco maior, com capacidade para cerca de 150 pessoas. Ao longo da procissão, após um problema de falta de combustível na embarcação maior, que atrasou a volta do grupo, algumas pessoas se transferiram de uma embarcação para outra, mas, segundo ele, sem superlotar qualquer uma delas.

“Conseguimos dois barcos, mas não tínhamos um controle de quem entrava em qual das embarcações – o que, no primeiro momento, dificultou sabermos quem estava desaparecido. Mas a Marinha, que autorizou nossa partida, diz que havia 42 [com a tripulação] pessoas a bordo do Capitão Reis”, argumentou o sindicalista. “Fizemos um trajeto de quase quatro horas de viagem e retornávamos sem qualquer problema”, explicou.

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